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A Day Off nunca foi lançado nos cinemas por conta da censura, e somente foi exibido ao publico pela primeira vez na mostra Korean Film Archive em 2005. Depois de 37 anos depois de feito, A Day Off tem um temática tão moderna que transcende sua época e nos tem algo profundo a nos passar mesmo décadas depois. Com um incrível sensibilidade artística, o filme se desenrola com um vazio sem precedentes que a juventude da Coreia do Sul enfrentou nos anos 60, momento onde o país passava por uma reforma constitucional e de valores idealizada pelo Presidente Park Chung-hee que pretendia ao passar dos anos preservar a longevidade de sua ditadura no país. Em A Day Off, a sufocante e distorcida atmosfera que perpassava a sociedade Coreana naquela época é dramaticamente representado por um trágico fim de semana vivido por um casal sem dinheiro forçados a procurar o aborto de seu filho que esta para nascer.
Mais informações: koreafilm.org/feature/100_46.asp
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Às vezes um filme é muito mais que um filme... É arte e uma fonte histórica em sua primazia. Aqui temos um belíssimo exemplo disso. Desde a atmosfera que o filme adota do início ao fim, até as últimas reflexões da cena final, esse filme está representando seu contexto histórico, de profunda desilusão e tristeza.
Não acredito que possa se considerar o filme mais brilhante de todos, mas deve sim ser visto como um grande e triste registro histórico do cinema demonstrando a maior profundidade possível da desilusão humana em um contexto histórico de autoritarismo.
A Day Off é uma das marcas da resistência do cinema não só como arte, mas também como fruto de um período de repressões e dificuldades na Coréia do Sul. Anos mais tarde, o filme também é uma importante marca no processo de recuperação do passado cinematográfico coreano e da história conturbada do país.
Na história do cinema sul-coreano desde sua criação até os anos 1979, é
possível afirmamos que o regime político teve importante impacto na produção
cinematográfica. Ao estudar as implicações da censura no cinema sul-coreano,é possível reconhecermos que a regulamentação política foi a maior barreira para o seu desenvolvimento. Especialmente no período sob o controle do presidente Park Chung-hee (1961-1979), o poder estatal uniu grandes esforços para censurar eventuais discordâncias acerca do governo a fim de impor um esquema uniforme de opinião pública e política.
Partindo do interesse do governo coreano em controlar o cinema, podemos analisar que os filmes passaram por uma série de regulamentações a fim de delimitá-los aos interesses do governo. A tomada de poder de Park em 1961 intensificou a censura: ele promulgou a Motion Picture Law em janeiro de 1962, a primeira lei relativa ao cinema decretada por um governo coreano. A imposição tinha o principal objetivo de afastar produtores de filmes independentes, forçando a indústria em um sistema de estúdio estilo Hollywood que era mais passível de controle estatal.
Para isso, o governo limitou o acesso aos meios de produção cinematográfica para garantir que os valores do partido se tornassem a ideologia dominante. Assim, todas as produtoras licenciadas deveriam cumprir exigências para funcionar legalmente. Além disso, a reforma de Park estimulou o cinema a seguir os valores da democracia e nacionalismo coreanos.
Sob o artigo um da Film Police Measure, que especifica que o cinema deveria realizar objetivos políticos e sociais designados pelo regime, a organização The Motion Picture Promotion Corporation (MPPC) regulava a quota de importação, obrigando as empresas a fazer quatro filmes para obter uma licença de importação. Ademais, a corporação legitimava suas estipulações através da Lei de Segurança Nacional que proibia atividades anti-estado.
Dessa maneira, a censura cinematográfica se concentrava nos filmes que pudessem perturbar a ordem existente e prejudicasse a dignidade da Coreia como nação. Logo, produções que elogiassem a Coreia do Norte ou a ideologia comunista, assim como as que criticavam o partido ou continham violência ou sexo, eram reprovados.
As medidas do presidente Park, portanto, além de limitar a produção e expressão cinematográfica, comumente aplicavam punições para os que subvertessem a regra, incluindo multas sobre os produtores, revogação de circulação de filmes, prisão de cineastas e até mesmo a anulação das produtoras responsáveis.
Dentre os diretores que sofreram perseguição por parte do governo, concedemos destaque a Man-Hee Lee. O realizador teve problemas com as autoridades mais de uma vez, e com o filme Seven Female POWs (1965), no qual retratou norte-coreanos resgatando enfermeiras sul-coreanas dos chineses durante a guerra da Coreia, teve sua prisão decretada. Três anos mais tarde, com A Day Off (1968) o diretor foi novamente censurado, dessa vez sem prisão.
A Day Off (1968) conta a história de um jovem casal sul-coreano dos anos 1960, que, em meio a ditadura de Park, enfrenta problemas econômicos e morais.
Heo-wook e Ji-yeon ainda não se casaram e, em um final de semana, descobrem que terão um filho. Sem condições de criar uma criança, o casal se vê forçado a aborta-la. Após visitarem o médico e serem avisados que Ji-yeon está em uma gravidez de risco, o dilema moral escapa de suas mãos.Após o procedimento, Heo-wook descobre que Ji-yeon não resistiu e faleceu.
Nunca lançado nos cinemas, A Day Off somente foi exibido ao público pela primeira vez 37 anos depois, na mostra do Korean Film Archive em 2005. Durante o período da ditadura, o governo sul-coreano tentou, por meio da repressão artística, apagar pensamentos e manifestações de seu povo. Lacunas criadas por esse silenciamento voltam à tona anos maistarde, por meio de tentativas de recuperação e acesso ao passado.