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Data de lançamento
23 Julho 2022Duração
Quando um vigilante da internet desenvolve um novo e revolucionário programa de computador para combater predadores online, seu rápido avanço leva a sérias questões de autonomia, opressão e o que realmente significa ser humano.
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Se vc não se deixar incomodar pelo ritmo lento e as atuações fracas que não convencem, em exceção a menina, pode trazer boas reflexões.
O pessoal aqui está um pouco perdido nos comentários. Embora gere sim muitas reflexões interessantes sobre inteligência artificial, o tema do filme claramente não é esse e nem chega a se aprofundar nessas questões de ética de IA muito além dos dois momentos mais "assustadores" quando vemos a garotinha reagindo diferente do padrão quando fica sozinha com seu criador e na cena da agressão física ao criador dela onde ela começa a agir como uma garota normal fazendo um membro da equipe se assustar e se demitir.
A verdadeira temática da obra é o trauma geracional. Tanto é que o filme é dividido em três atos, com mais de 30 anos de diferença entre eles, mostrando o criador da garota artificial como um jovem suspeito de ser pedófilo, um adulto ressentido e um idoso arrependido lidando com dilemas da época dessas fases de sua vida. O filme em nada lembra outras obras de ficção científica, na verdade é mais parecido com "Valor Sentimental", a obra da Noruega que ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional esse ano, tudo lembra ele mais do que qualquer filme de robô ou futurista.
O criador da inteligência artificial, Gareth, foi uma criança vítima de abuso grave. Incapaz de processar ou curar o próprio sofrimento de forma convencional, ele projeta sua dor na criação de Cherry. Por isso ela permanece emocionalmente e psicologicamente estagnada na figura de uma menina de 9 anos. A sua "diretriz primária" (capturar abusadores) funciona exatamente como uma neurose herdada, moldando toda a sua identidade em torno do trauma de seu criador.
No terceiro ato, o ressentimento explode quando Cherry confronta Gareth, já idoso. Ela o questiona pelo fato de ele ter esperado 50 anos para finalmente sentar e conversar com ela de forma honesta, obtendo alívio pelo trauma de um abuso infantil que nem era o dela.
Na icônica cena final ela dança sozinha até que o vinil começa a pular repetidamente. Esse pulo contínuo simboliza a falibilidade e a cicatriz que permanece: mesmo livre, a mente dela (assim como a de sobreviventes de traumas familiares) carrega os "solavancos" e as repetições mecânicas da dor que lhe foi transmitida no nascimento. Então mesmo liberta, ela continua presa, pois o trauma foi a única programação que realmente conheceu durante toda sua vida de "garota artificial".
A IA aqui é uma mera metáfora pra falar de trauma geracional e como as futuras gerações acabam sendo vítimas do passado das gerações anteriores. Ótimo filme.
Até agora o melhor filme sobre I.A. , levanta questões interessantes:
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Tecnologia sem supervisão ética causa danos reais - instrumentos projetados para manipular emoções humanas rapidamente ultrapassam seus limites originais, causando consequências imprevistas.
A intenção não elimina o risco - mesmo um propósito inicial "justo" (proteger vítimas) não justifica os meios quando a tecnologia invade privacidades, distorce consentimento e trata pessoas como meios para um fim.
A linha entre vigilância e controle é tênue - ferramentas de monitoramento digital, uma vez implantadas, podem ser expandidas, reutilizadas ou sequestradas para fins que ninguém previu ou aprovou.
Responsabilidades - o desenvolvedor e o toda equipe e inclusive a própria I.A. quem poderá ser responsabilizado caso haja problemas? Todos falham ao não antecipar os efeitos colaterais éticos de suas criações e decisões.
Humanização da I.A. - é ético simular emoções e relacionamentos, especialmente quando do outro lado não sabe que está interagindo com uma máquina?
Chaterrimo
Apesar de ser extremamente cansativo, devido aos diálogos exagerados. É um ótimo filme. Traz um tema polêmico e ao mesmo tempo interessante.