Em seu primeiro longa, Márta Mészáros alcança um equilíbrio raro e delicado entre a representação das relações pessoais e necessidades dentro de um contexto político finamente observado. Uma jovem solitária da classe trabalhadora que cresceu em um orfanato procura sua mãe biológica, e acaba sendo apresentada pela mãe como uma sobrinha. A história tem elementos autobiográficos: Mészáros, nascida em 1931, cresceu órfã além de uma estrangeira depois que seus pais (o escultor László Mészáros e sua esposa), que haviam emigrado para a União Soviética, morreram nos campos de concentração de Stalin. Neste, como em muitos de seus outros filmes, ela descreve uma inquietação profunda e uma busca da verdade pessoal entre não uma, mas duas gerações de mulheres, e examina as estratificações no seio da sociedade húngara que deixam jovens de ambos os sexos alienados.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Trabalho poderosíssimo de estréia! As diferenças na exposição dos apanágios rurais e urbanos da Hungria daquele período são tão gritantes que parecia que eu estava diante de um filme em dois episódios: no primeiro deles, experimentei uma angústia progressiva, associada não apenas à sensação de despertencimento da protagonista àquele contexto, mas à constatação de uma atroz interdição da liberdade, que não afeta somente as mulheres, mas sobretudo elas; no segundo, a adesão titubeante ao júbilo da autodescoberta de si, naquilo que as jornadas extenuantes de trabalho permitem que aconteçam. Maravilhosa a canção 'rocker' executada, aliás, de intensa reflexão jubilosa. Mexeu pessoalmente comigo: tal como a protagonista, "penso que deveria pensar mais". Incrível! (WPC>)
Filmaço maravilhoso. O começo triunfal de uma das diretoras mais importantes do cinema do leste europeu.
Quanto gavião rodeando A Garota