O filme mostra um Cristo-Pescador, o Cristo interpretado pelo Jece Valadão; um Cristo-Nengro, interpretado por Antônio Pitanga; mostra o Cristo que é o conquistador português, Dom Sebastião, interpretado por Tarcísio Meira; e mostra o Cristo Guerreiro-Ogum de Lampião, interpretado pelo Geraldo Del Rey. Quer dizer, os quatro Cavaleiros do Apocalipse que ressuscitam o Cristo no Terceiro Mundo, recontando o mito através dos quatro Evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João, cuja identidade é revelada no filme quase como se fosse um Terceiro Testamento. E o filme assume um tom profético, realmente bíblico e religioso.
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Temos um filme que apresenta um mundo à beira do colapso.
Uma dinâmica entre três entidades representativas de poder na busca por dominação e influência.
Cada um tem uma relação entre papel social e representação.
Temos pluralidade religiosa, delírios de totalitarismo, conscientização social e fatalismo; tudo carregado de exagerada carga simbólica e performances.
Da colonização a Brasília; da evocação da liberdade e dos direitos humanos ao ataque às nações; da resistência à autoafirmação dos detentores do poder.
Ninguém é santo, mas uns são mais que os outros haha
A obra mistura solenidade e um certo delírio de um jeito que, às vezes, beira o cômico.
As atuações são maravilhosas. Muita entrega mas com um pouquinho de overacting. Acredito que seja pelo aspecto performático do teatro, já que o filme tem esse feeling de "performance sendo assistida e filmada."
Incrível como Brasília, as praias e os monumentos se encaixam no filme mais que os cenários feitos pela produção. O Brasil deixa de ser cenário e passa a ser personagem.
Quando li que era uma "batalha entre deuses" imaginei algo visualmente opulento, mas a identidade de cada personagem não está nos figurinos, e sim na força de suas declamações. A alegoria não só não é enfraquecida como o discurso grita e reafirma cada posição.
Existe uma exagerada repetição de conceitos e declamações que podem ser um pouco too much. Entendo o ritualístico do ato da repetição e talvez aos olhos daquela época fosse um recurso necessário de propagação discursiva daqueles determinados ideais, mas confesso que achei um pouco maçante.
Belíssima obra! Ótima para se contemplar e se embriagar nas declamações.
Existe o cinema experimental e existe a masturbação mental .
A Idade da Terra faz parte da segunda categoria
Decidi dar prioridade a esse filme dentro da minha lista, pois ele conta com uma pequenina participação de um ancestral meu, tio Raul de Xangô. Aqui vemos Glauber Rocha em seu delírio final. É possível perceber realmente a ideia do filme de não ter uma ordem correta para que se vissem as sequências. Vi numa montagem que está disponível no YouTube, deve ser a mais usual. Ela começa com uma bonita cena do nascer do sol, depois tem uma suruba amazônica, já tô me perdendo mas depois tem uma cena incrível de Carnaval e também um monólogo excelente de Carlos Castelo Branco sobre o golpe militar. Há cenas com bravatas políticas, outras que querem passar uma mensagem com as imagens e outras que parecem não significar exatamente nada, que são os momentos nos quais ele se torna mais pretensioso. Eu consegui desfrutar de alguns momentos, mas me senti exausto em outros. É experimental mesmo, em alguns momentos flerta com o documental, com a quebra da quarta parede, com a homenagem pela homenagem. É isto, o poder da arte, não tenhamos exageradas paixões que as coisas ficam todas menos difíceis.
- a terra do título é nosso querido brasil brasileiro, nessa obra sem igual, vemos as conjecturas filosóficas e politicas de glauber sobre nosso país
- acredito ser o mais grandioso do diretor, fiquei maravilhado com as cores e todas as alegorias
- amei que algumas partes dele dando indicações aos atores ficou no filme
- uma verdadeira obra de arte
A Idade da Terra (1980)
Inspirado em um poema de Castro Alves, o filme faz um retrato da situação política, cultural e racional do Brasil no final dos anos 70. A obra assume um tom profético e religioso, e reconta o mito cristão por meio de símbolos e costumes da cultura brasileira.
ChaaaaatooooozzzZzzZzzz.
Acho a ideia por trás desse filme muito legal e louvável, a crítica que Glauber quis tecer e tal, mas a execução... putz. Definitivamente, um dos filmes mais chatos e maçantes que já assisti.
Queria muito ter gostado, mas não rolou, infelizmente. No entanto, reconheço suas qualidades, como a cinematografia, alguns depoimentos interessantes (como o do jornalista Castelo Branco) e o elenco recheado de boas surpresas. Mas, no geral, a experiência comigo foi bem ruim, sacal e cansativa.
Glauber Rocha, conte comigo para quase todas as coisas.