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Duração
O engenheiro José Roberto visita a cidade de Bela Vista, no interior de Minas Gerais, famosa pelo vento forte que a sacode dia e noite. Lá conhece um moleque, Zeca da Curva, que se diz enfeitiçado pelo vento. Compartilham a mesma adoração pelo vento, até que, um dia, o menino desaparece. Tempos depois, José Roberto é chamado para responder processo, acusado como responsável pelo mistério e de ter mantido com Zeca da Curva “uma estranha amizade”.
Baseado no conto 'O Iniciado do Vento' de Anibal Machado.
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"sabe qual é a coisa mais bonita que tem, mais do que o vento? Vento e mar."
Um tratado sobre o movimento do desejo que escapa - até mesmo de qualquer lei. o desejo sempre vai conter algo de transgressivo e o final maravilhoso de O Menino e o Vento encena com poder essa verdade.
Metafórico e imensamente interessante, daqueles que deixam uma baita impressão quando terminam.
"Sei que você é inocente, pelo menos da morte, e o resto não é crime. Eles apenas não compreendem, eles são os normais, eles são a sociedade. As minorias devem se proteger, senão eles nos liquidam"
Isso aqui que é filme de verdade, exala arte.
Muito interessante realmente. Depois de assistir, fiquei curioso em ler o conto de Aníbal Machado. Muitas falas e diálogos são idênticos, o que, na minha visão, contribui bastante para a poesia do filme. Claro, não só os diálogos são responsáveis por essa poesia: jogos de luz e sombra e muitos primeiros planos ajudam a criar atmosferas e a transmitir a sensibilidade de um olhar. Algumas câmeras muito próximas de Zeca da Curva, por exemplo, ajudam a sublinhar esse caráter ingênuo, mas também mágico do garoto, às vezes contribuindo para que o espectador fortaleça sua crença na relação homoafetiva entre o menino e o engenheiro. Essa relação, aliás, é deliberadamente mais explícita no filme do que no conto, o que, acredito, faz com que o longa seja ainda mais marcante, com ainda mais camadas de interpretação.
Lembrei uma música infantil sobre o vento: "estou vivo, mas não tenho corpo, por isso é que não tenho forma, peso eu também não tenho, não tenho cor". Como essa definição de vento poderia também definir a conexão que os dois personagens masculinos estabelecem entre si? Porque é o vento o que os aproxima e os liga, essa coisa tão invisível como o vento, que pode ser manso, mas pode ser destrutível, que só se sente no corpo com movimento, que não pode ser aprisionado. Esse seria o tipo de "amor" entre os dois jovens, manso e imbatível, leve e pesado - para os outros, dado o preconceito - ao mesmo tempo?
Também achei interessante a construção de outros personagens, com a dona do hotel.
Uma coisa que não compreendi:
[/spoiler]diz-se no filme que Zeca da Curva era muito estimado pela cidade, por isso a cólera dos cidadãos com a chegada do engenheiro, mas ao mesmo tempo o engenheiro afirma que Zeca não tinha muitos amigos e talvez não fosse compreendido pelos demais. Por que o interesse de todos pelo caso então? Dado o elemento homoerótico e, portanto, "polêmico" da história?[spoiler]
A ingenuidade do menino é interessante, bem como os sabores de sua linguagem, como referido pelo engenheiro. O garoto, de fato, parece a encarnação de um elemento da natureza.