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Acabei vendo a versão dublada em espanhol, o que acredito que atrapalhou um pouco minha experiência, dificultando, por exemplo, minha percepção a respeito da atuação. Fora isso, uma boa crítica e sátira acerca dessas figuras colonizadoras que compõem a história de nosso país. Acho interessante o exagero de alguns momentos, seja nas roupas, nos cenários, nas atuações, o que contribui para o tratamento pitoresco do tema.
Exemplo claro de como o cenário é, aqui, personagem também, sendo, a princípio, um determinante fatalista do destino das personagens para depois, inescapável, tornar-se o lar daquelas mulheres. Em que momento o desespero de Áurea em escapar dali se tornar resignação, conformidade? Até que ponto tudo virou areia dentro dela também? Assim como a areia, as esperanças sempre escapam da mão.
A questão geracional e a relação avô - mãe - filha também são bem interessantes. É a avô quem busca a ajuda que permitirá àquela família sobreviver naquele lugar; é a mãe que luta e persiste em bolar planos para escapar daquela areia movediça que engole seus anos de vida;
[/spoiler]é a filha, já cria daquele espaço, que consegue finalmente oportunidade de novas perspectivas.[spoiler]
Gosto da câmera na cena em que a personagem encontra seu vestido vermelho na cama novamente, depois do banho. A lente é subjetiva ou não, é o assassino ou o espectador que observa? Gostei da brincadeira com a tensão.
O assassino cumprimentando o policial no começo do filme já entrega bastante do suspense, mas mesmo assim é interessante acompanharmos para sabermos mais sobre ele.
Embora tenha gostado do aceno final do filme, concordo com outros comentários de que, do meio para o fim, algumas ações e decisões não parecem tão verossímeis.