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Data de lançamento
17 Set. 1998Duração
Nos anos 90 David (Tobey Maguire) é um jovem solitário, que não é feliz com sua vida e foge da realidade assistindo "Pleasantville", um seriado em preto e branco dos anos 50 onde tudo é agradável. Mas tudo muda bruscamente quando Jennifer (Reese Whisterpoon), sua irmã, que sexualmente muito mais ativa que David, briga com ele pela posse de um estranho controle remoto, que apareceu através de um igualmente estranho técnico de televisão (Don Knotts), que chegou repentinamente logo após eles terem quebrado o antigo controle. Durante a briga eles apertam o novo controle e são magicamente transportados para dentro da fictícia "Pleasantville" e lá se tornam Bud e Mary-Sue Parker, dois personagens da série. Eles de repente se vêem em um mundo todo em preto e branco. David leva alguma vantagem sobre sua irmã, pois como conhece muito bem o seriado, sabe quem são estes novos "conhecidos" e qual a importância que eles têm na vida de Bud e Mary-Sue Parker. Sob estes nomes fictícios, tornam-se filhos George Parker (Wiliam H. Macy) e Betty Parker (Joan Allen), que são pais adoráveis em um lugar onde todos são felizes, não há sexo e ninguém nunca precisa ir ao banheiro. David quer sair da situação como também a irmã dele, mas considerando que ele tenta se enturmar (sem esforço, com o conhecimento dele), ela faz o que ela gosta de fazer. Um evento conduz o outro e de repente uma rosa vermelha cresce e logo mais regras são quebradas e surgem novas cores e, se tudo não é tão agradável, com certeza tem mais emoção. Mas inicialmente nem todos gostam destas mudanças.
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12.05.1999
Assistido em 05/06/2025
O filme começa bobo e continua bobo até a metade onde uma reviravolta começa a trazer temas importantes como papel da mulher na sociedade e segregação racial usando o artificio das cores (até o cartaz de "colored people only" aparece) porém quando parece que vai engrenar para algo mais sério e relevante, volta a ser bobo e termina bobo.
Como eu esperava um filme bobo (tal qual a cara do protagonista) posso dizer que o filme entregou o que se esperava e por isso não decepciona.
Jurava que esse filme seria mais sério, as críticas que ele traz são interessantes, mas terminei e fiquei com a sensação de “então tá bom, então tá certo”.
Há filmes que tocam com a delicadeza de um sussurro, mas reverberam como um grito dentro da alma. A Vida em Preto e Branco (Pleasantville, 1998), dirigido por Gary Ross, é um desses milagres raros. Uma obra que mistura fantasia e crítica social com uma leveza poética, e ainda assim profundamente revolucionária em seu conteúdo. Com tom satírico e envolvente, o filme parte de uma premissa inusitada: dois adolescentes dos anos 1990 são transportados para dentro de uma antiga série de TV dos anos 1950, onde tudo é preto e branco. A partir daí, costura-se uma poderosa metáfora sobre a condição humana, o moralismo e o medo de viver plenamente.
A ausência de cor em Pleasantville é mais do que estética, é uma prisão. Tudo está milimetricamente arranjado, os personagens vivem rotinas seguras, previsíveis, mas essencialmente estéreis. Ninguém sente demais, ninguém se arrisca, ninguém ousa. E assim, o filme escancara o custo do conformismo, do apego a tradições que sufocam, das imposições socioculturais que moldam vidas inteiras dentro de molduras cinzentas. É quando os personagens começam a experimentar a vida de verdade, o amor, o prazer, o pensamento livre, que as cores, literalmente, começam a emergir. Vermelhos, verdes, azuis, como chamas nascendo do contato humano, do desejo, da arte, da liberdade.
A crítica ao conservadorismo moralista é feroz e elegante. Em Pleasantville, a chegada das cores gera pânico. Livros ganham imagens, jovens questionam as regras, mulheres descobrem seus corpos e suas vontades. A velha ordem reage com repressão, medo e violência, uma reação que ecoa tantos momentos históricos em que o novo foi confundido com o errado. O medo do desconhecido, da mudança, do outro, se revela como um dos grandes vilões da existência. O ser humano, mostra o filme, é muitas vezes seu próprio carcereiro, preso a normas que ele nem sequer lembra por que segue.
Mas A Vida em Preto e Branco não é amargo. Ao contrário, é um filme doce, apaixonado pela humanidade. A direção de arte é um espetáculo silencioso, o contraste entre os tons de cinza e a explosão pontual das cores é feito com sensibilidade, nunca com ostentação. Os efeitos especiais, discretos e engenhosos, servem à história com respeito e lirismo. E as atuações são de uma intimidade rara, Reese Witherspoon, Tobey Maguire, Joan Allen e William H. Macy entregam personagens profundamente humanos, frágeis e belos, com olhos que dizem mais do que palavras.
Esse é um filme leve, mas profundamente humanista, de uma maneira que talvez fosse rejeitada nos dias de hoje. Isso diz muito sobre como temos lidado com as cores da vida. Em tempos em que o cinismo muitas vezes se disfarça de lucidez, A Vida em Preto e Branco nos convida a reaprender a olhar com ternura, com coragem, com fome de viver. Porque viver, afinal, é permitir-se ser tocado pelas cores, mesmo quando elas assustam. E talvez, sobretudo, quando assustam.
#AVidaemPretoeBranco #Plesantville #Cinema
Nem tudo precisa ser preto e branco, sacou?
Enfim, esse filme é uma graça e traz muitas reflexões sobre desafiar o status quo, questionar nossa realidade, desejos, muito bacana. A única que me deixou incomodado foi a falta de pessoas negras no filme (acho que os realizadores levaram a noção de "no coloreds" a sério demais).