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Voltei agora da sessão de pré-estreia de Pânico 7 e posso dizer que estou bastante satisfeito.
Eu poderia ser rabugento e ficar apontando defeitos no filme mas, vamos combinar: é Pânico. Há muito tempo essa saga virou uma daquelas instituições da cultura pop para a qual sempre retornamos pela experiência, acima de tudo.
A abertura é ótima, altamente metalinguística e tentando reproduzir a veia crítica que Wes Craven sempre exibiu em seu trabalho e que era um dos pontos altos do roteiro de Kevin Williamson no Pânico original. Williamson, dessa vez, assume a direção, com evidente reverência ao estilo do mestre Craven, especialmente nas cenas de suspense e perseguição. Como em Craven, a violência se apresenta sempre cartunesca e exagerada, sem medo do ridículo.
O filme provavelmente funcionará muito melhor junto ao público que cultua ou ao menos acompanha a saga Pânico desde o início. Há uma imensidão de referências que só o fã vai compreender. Tem também algumas surpresas que só farão sentido para quem ama esses filmes.
Os novos personagens não são nem de longe tão marcantes quanto os que nos foram apresentados nos anos 90 e 2000, mas eles estão lá para fortalecer a história dos sobreviventes. Aí entram alguns dos pontos mais fortes do filme, a meu ver. Não vou contar para não estragar a sessão de quem ainda não viu.
Eu me diverti muito e permaneci envolvido durante toda a duração. Obviamente, o filme passa a anos luz de causar o impacto do original, ou mesmo de Pânico 2, mas os próprios personagens parecem estar cientes disso. Um filme muito empolgante e autoconsciente.
Eu adorei.
#Pânico7 #Scream7 #Cinema
MANO
Me sujeitei a ver essa porcaria xulerenta e inútil. Acabou há uns dez minutos e já não lembro quase nada desse peido fílmico.
Historinha patética, diretor mequetrefe, elenco fubango, musiquinhas xexelentas para agradar a adolescentes que se acham antenados por gostarem de qualquer porcaria corporativa que enfiarem goela abaixo...
O elenco de pirralhos com cara de cool dá vontade de entrar no filme e bater nos personagens, esse foi um ponto positivo. Me caguei de rir com a morte da loira colona insuportável e também com uma cena em que a protagonista mocoronga fica bravinha com o pai e sobe as escadas correndo igual a uma pata.
Filmeco de quinta, bah!
O público alvo dessa porcaria provavelmente é igual aos personagens retratados, os adolescentes mais idiotas, sem graça e desinteressantes que já existiram.
Nota 1 pra não pisar demais.
#OPalhaçoDoMilharal #Cinema
Últimos recados
Tudo certo também.
NÃO CREIO! MEU ÍDOLO KKKKKKKKKKKKK eu simplesmente berrava com aquele perfil, inclusive foi inspiração pra um fake cinéfilo que fiz
Existem filmes que passam diante dos olhos. Outros parecem permanecer no corpo por algum tempo, como um cheiro que a memória insiste em guardar.
Hamnet pertence a essa segunda espécie. A beleza do filme é quase desconcertante. Não é uma beleza decorativa. É algo mais estranho, mais silencioso. A câmera se demora nos gestos mínimos, na poeira atravessada pela luz, na respiração das árvores, como se a própria matéria do mundo estivesse tentando prestar atenção na vida de uma família.
E então a vida, que sempre parece sólida enquanto acontece, revela sua natureza precária.
A morte de um filho não cabe na linguagem cotidiana. O luto de Agnes se espalha pela casa, pelos objetos, pelos caminhos que ela percorre. Cada coisa carrega uma presença ausente. O tempo deixa de obedecer ao relógio e passa a obedecer à memória.
Shakespeare também atravessa esse vazio. Antes de existir qualquer peça, existe apenas o espanto. Existe a experiência brutal de descobrir que a realidade pode simplesmente retirar alguém do mundo.
Mas é justamente aí que começa o trabalho secreto da arte.
A dor, quando não encontra saída, procura forma. Aos poucos, quase sem que se perceba, o luto encontra matéria na imaginação. As perguntas que não têm resposta passam a respirar dentro de personagens, de monólogos, de fantasmas que caminham pelos corredores de um castelo inventado.
Assim nasce Hamlet.
Não apenas como uma tragédia sobre um príncipe, mas como um diálogo impossível entre vivos e mortos. Um lugar onde a ausência ganha voz. Onde o teatro oferece aquilo que a vida nega: a chance de falar mais uma vez com quem partiu.
Quando a peça finalmente é encenada, acontece algo raro. O sofrimento privado deixa de pertencer apenas a um casal enlutado e passa a circular entre centenas de desconhecidos. O palco transforma a dor em experiência compartilhada. Cada espectador reconhece ali uma perda, um medo, uma pergunta que também lhe pertence.
Talvez essa seja a forma mais profunda de justiça poética. O filho perdido não retorna, mas sua ausência se transforma em uma das maiores criações da imaginação humana. Aquilo que foi arrancado da vida volta como linguagem.
E por um instante, naquela primeira apresentação, é possível imaginar Shakespeare e Agnes percebendo algo inesperado: o luto ainda está ali, intacto, mas agora possui uma forma que pode ser respirada.
A arte não desfaz a tragédia. Ela apenas cria um lugar onde é possível permanecer dentro dela sem desaparecer.
A arte é a mentira que revela a verdade. Que filme devastador.
#Hamnet #Cinema