Pela primeira vez, o mestre sueco Ingmar Bergman (1918-2007) revela seu mundo na desolada e misteriosa ilha de Fårö, no Mar Báltico. O portão azul de sua casa traz o aviso em sueco: “Área Privada. Cuidado com os cachorros”. Mas nenhum cachorro viveu lá desde que o cão da raça dachsund de Liv Ullmann deixou o local há mais de trinta anos. Na verdade, o aviso quer dizer é que ali vive um homem que quer ser deixado em paz. Um homem cujas únicas companhias são o mar e os próprios demônios. Então com 88 anos de idade, o diretor revê sua vida e os mais de 60 anos dedicados ao cinema, além da longa trajetória no teatro e na TV, em meio a trechos de seus filmes e raras cenas de bastidores tiradas de seu arquivo pessoal.
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Na ilha de Fårö, no mar báltico, o diretor sueco Ingmar Bergman (1918-2007) abre sua casa para uma conversa com a diretora Marie Nyreröd, em que falará sobre seus filmes, os amores e a rotina.
A Versátil Home Video lançou a versão reduzida desse documentário feito para a TV sueca, produzido pela Sveriges Television (SVT) em parceria com a Svensk Filmindustri (SF) – esta, produziu a maioria dos filmes do diretor sueco. A versão, curta, de 83 minutos, é uma edição americana, sendo que na Suécia o telefilme saiu com 174 minutos. Mesmo com um corte bruto, conseguimos entrar na alma do cineasta e compreender seu mundo particular. Nessa longa conversa com a diretora Marie Nyreröd, Bergman, sozinho percorrendo os cômodos de sua casa na ilha de Fårö, mostra sua rotina, discute como realizou grande parte de seus filmes em sua residência, fala de seus casamentos e amores, a difícil relação com os filhos, os divórcios (que viraram motivo de tema dos filmes e também de seus tormentos) e também relembra um passado distante, de quando começou no teatro antes do cinema. É uma conversa íntima e pessoal, conduzida por um dos maiores mestres da Sétima Arte - o diretor sueco, nove vezes indicado ao Oscar, dirigiu 75 filmes e telefilmes, entre 1944 e 2003, foi casado com a atriz e musa de seus longas, Liv Ullman, e na época do documentário estava com 86 anos.
O documentário vem como extra no bluray de “O sétimo selo” (1957), lançado pela Versátil há poucos anos. Atenção, pois há um filme recente de mesmo título, lançado em 2021, com Vicky Krieps, Tim Roth e Mia Wasikowska, que se passa na ilha de Fårö e faz uma homenagem a Bergman.
POR FELIPE BRIDA - Texto no Blog 'Cinema na Web' (blogspot).
Bergman era fascinante... Fico imaginando como foram os últimos anos dele, solitário nessa ilha... E curioso pra saber como está a alma dele, como foi se encontrar com aquilo que ele temeu a vida inteira.
O documentário possui uma abordagem muito rasa sobre a cinematografia do diretor, sendo mais focado em sua vida pessoal. Algo que de certa forma ajuda a entender os pensamentos de Bergman, e a relação com suas principais obras, mas fica inevitável a percepção da falta de desenvolvimento apresentado nas mesmas.
O documentário tem 83 minutos de duração, não 174 minutos.
Essas entrevistas têm a vantagem de terem sido feitas já perto da morte do Bergman, com o diretor mostrando uma visão bastante serena e consciente da vida, o que rende declarações sinceras e um olhar de afeto sobre o passado. Não percebi amargura nem vaidade, e é bom ver o diretor falando de maneira tão simples e aberta sobre sua obra.