Numa comunidade rural americana, as brincadeiras de dois irmãos gêmeos tornam-se cada vez mais perigosas, chegando a ameaçar a vida dos parentes e vizinhos.
Filme de terror ambientado em 1935, onde os gêmeos Niles e Holland acabam se dividindo na personificação do bem e do mal. Enquanto Holland cada vez mais brinca com o medo e o perigo, inclusive podendo ferir outras pessoas, seu irmão Niles que acompanha tudo, não gosta do que vê, mas ao mesmo tempo alguma coisa faz com o que garoto não denuncie o irmão.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Horror psicológico em "A inocente face do terror", (The other, 1972) https://youtu.be/dko_IsOnyQ0?si=V8d_FUm2jYQ4fFde
The Other, de 1972, conhecido no Brasil como A Inocente Face do Terror, me deixou com uma opinião um pouco dividida. Eu tava preparando para falar uma coisa do filme, mas após esse final acabei mudando um pouco de ideia.
O filme é bem parado na maioria do tempo, fraco no começo e bastante arrastado. Ele mostra os dois irmãos aprontando e passando do ponto várias vezes, até começarem a
machucar e até tirar a vida das pessoas, incluindo Russell, a vizinha Sra. Rowe e até a mãe deles, que fica de cadeira de rodas por causa deles, fora tantas outras coisas que não são mostradas diretamente, mas que ficam deixadas entre linhas pelo filme.
A partir do momento em que descobrimos que Holland está morto e que tudo o que acontece vem de Niles — que cria ou usa a imagem do irmão na própria mente para culpá-lo por todas as coisas ruins e agir como se ele fosse o bom enquanto Holland seria o mal —, o filme ganha outra cara. Ele melhora bastante depois de uma hora, quando a única figura próxima deles que entendia Niles e ainda via esperança nele, Ada (Uta Hagen), percebe que não tem mais jeito e, num ato de desespero, decide não só tirar a própria vida, mas levar Niles junto com ela, incendiando o celeiro. Isso acontece após Niles matar a sua irmã ainda bebê, colocando ela dentro de um barril — na cena mais chocante do filme. O pior é que Angelini leva a culpa, e o que me deixou mais irritado foi Ada: em nenhum momento antes de ter a atitude que teve, de tentar inocentá-lo ou ao menos apurar melhor a situação, pra dizer o mínimo.
Mas após esse ato dela, Niles ainda escapa do celeiro, como é mostrado na cena final com o cadeado estourado no chão e ele observando o celeiro destruído pela janela. É um final impactante e forte, não só visualmente, mas talvez até espiritualmente, porque é absurdo uma criança escapar e conseguir estourar o cadeado de um celeiro em chamas. São tantas questões não só físicas, mas psicológicas, que complicariam essa situação, que somente um moleque do Capiroto mesmo conseguiria.
Pra época deve ter sido muito mais impactante, porém hoje, com o cinema e o mundo real bem piores que isso, talvez não choque tanto quanto deveria. Ainda assim, é forte. O filme é cansativo no início, mas o final compensa em parte.
Assistido em 07/04/2026
Gente, como não falam mais desse filme de terror?! Devia ser muito mais falado!!!!
15.11.2025
Por conta da celebração do centenário deste realizador, que não pensei que fosse tão valorizado, deparei-me com vários textos e reportagens em sua homenagem. Num deles, encontrei elogios rasgados a esta obra, que, segundo o exegeta, reaproveitava elementos de tensão, antecipados em produções de outro gênero, para demonstrar a habilidade do diretor na condução do terror. Que isto ocorra a partir do sentimento de perda faz com que notemos o quão autoral o realizador era, em suas obsessões concernentes à maturação infantil/adolescente. Pessoalmente, não gostei muito do ritmo do filme, em sua primeira hora, no sentido de que aquilo que se pretendia como surpresa ou revelação só o era em seus intentos literários, visto que era previsível o tipo de relação estabelecido entre os irmãos protagonistas. Obviamente, a personagem da avó russa é muitíssimo bem desenvolvida e, depois da conversa diante da lápide, o filme cresce ainda mais em tensão, culminando numa meia-hora final sufocante e crudelíssima naquilo que expõe. Inclusive, é o tipo de filme que cresce bastante após a sessão, depois que refletimos sobre tudo o que ocorre entre aquelas pessoas, vinculadas por laços de parentesco, mas, ainda assim, insuficientemente protegidas quanto aos maus tratos mais severos. Talvez eu apreciei mais numa revisão... (WPC>)