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Uma entediada esposa, Hélène Desvallées (Stéphane Audran), é casada com Charles Desvallées (Michel Bouquet), executivo de uma seguradora. Charles tem boas razões para crer que sua mulher o está traindo, assim contrata um detetive, que descobre que o amante de Hélène é um escritor, Victor Pegala (Maurice Ronet). Charles tenta adotar um ar de indiferença ao confrontar Victor, mas a conversa termina quando Charles fere mortalmente Victor e então tenta remover as evidências, mas sempre fica algo.
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É um bom filme de Chabrol, mas não tão genial quanto Mulheres Diabólicas, Um Assunto de Mulheres e O Açougueiro. Nota 7,6.
"A Mulher Infiel" é aquela história clássica sobre adultério e suas possíveis consequências. Uma história até comum tendo como protagonistas um casal com posses: um marido insosso que diz amar a esposa e uma esposa bela, sensual, entediada e com tempo suficiente para dar suas escapadas (e que também afirma amar o marido). O que se vê é que o fogo da paixão se abrandou embora persista uma estranha ligação de cumplicidade entre ambos, apesar daquilo que brotou na testa do marido.
E Claude Chabrol se serve de um triângulo amoroso para fazer suas críticas a uma classe burguesa estagnada, que não sabe bem o que fazer para dar um sentido maior à existência. Há papéis e regras sociais que escravizam, além de "tudo para manter as aparências". E há um amante que está ali mais como uma variante do banal do que como uma luz no fim do túnel.
"A mulher infiel" tem a direção de um mestre, conta com momentos de suspense e um final interessante. Na minha opinião, não possui a consistência e profundidade de outros filmes do diretor como "Um assunto de mulheres" e "Ciúme: o inferno do amor possessivo". Porém um filme de Chabrol sempre possui seus atrativos.
Filme cheio de complexidade moral que enriquece a narrativa.
Je amei beaucoup esse filme
Absolutamente maravilhoso. A maneira com a qual Chabrol mélange o drama pelo olhar do marido, diante da situação traíra em que ele se encontra, com a identificação projetada pelo espectador diante da construção do suspense é fundamental ao cinema enquanto filme cinéfilo, aqueles filmes que criam odes às grandes obras hitchcockianas e a tantos outros suspenses que construíram a história da influência do cinema americano. É um filme de autor, indubitavelmente. Ele traz uma sensibilidade pela música que se diferencia de suspenses rotineiro a uma história que se foca nas subjetividades e na moral, especialmente, do marido, tema ético que ele iria problematizar ainda mais em "Ao Anoitecer" de 1971. Até agora, ao lado de "As Corças" de 1968, esta idílica mulher infiel permanece como as obras-chaves da trajetória chabroliana, em todo seu suspense subjetivo que a sessão permite.