Em um breve feriado, um grupo de jovens decide ir até uma ilha. No entanto, lá se mostra um lugar extremamente escuro tanto durante o dia quanto à noite e acontecimentos sinistros acontecem enquanto os amigos estão por lá. Ou seriam meras alucinações?
Que beleza de filme (em todos os sentidos): um documentário ficcional sobre o que foi a era imediatamente antes da pandemia, para quem era jovem: como sou nordestino, achei maravilhoso poder reconhecer traços geracionais e regionais na tela, sem que estes sejam estereotipados. Os diálogos são longos, repletos de gírias e expressões locais, além de menções a regiões específicas do interior metropolitano paraibano, mas é tudo tão reconhecível, tão encantador... O 'flashback' no posto de gasolina é soberbo, trazendo à tona o excelente desenho de som da obra (a sobreposição competitiva das canções executadas pelas tribos urbanas é algo de mestre!). Que elenco bonito e expressivo, que personagens bem desenvolvidos, que mote tramático onírico e especular tão fascinante... Amei as pistas falsas, as referências abundantes a Dario Argento, Brian De Palma e Kenneth Anger, a musicalidade (o uso de canções de As Frenéticas e Júpiter Maçã foi mui assertivo!), a contaminação sinóptica em relação à falta de perspectivas dos adolescentes, no que tange a um futuro aberto e repleto de 'déjàvus'... Ótima participação de meu ídolo terrífico Cristian Verardi. Geniais os diálogos em 'loop'. Filme inteligentíssimo e crítico, no modo como expõe os devaneios da juventude branca de classe média paraibana (mas também globalizada em seu cosmopolitismo pós-colegial). Incrível, fiquei em transe durante a sessão, mesmo sentido que, perto do final, o filme se estende em excesso, em suas imersões cíclicas no desaparecimento, na "perda no tempo"... Antológico: testemunho poderoso de época, que dialoga magistralmente com os filmes de Jorge Polo e Anta Rocha da Silveira. Amei, fiquei alucinado no debate após a sessão! (WPC>)
Eu realmente gostei bastante do conceito, esse filme tem uma vibe que me lembrou muito o jogo Oxenfree.
A química entre os atores é ótima, mas tem muitas frases (principalmente as mais filosóficas) que são claramente ensaiadas e por causa disso a naturalidade de algumas cenas vai pro beleléu, mas o principal defeito é a captação de áudio que deixa bastante a desejar em muitas cenas e a montagem confusa e pouco criativa, onde parece que o filme nunca realmente deslancha, é como se ficasse andando em círculos igual os personagens. Mas pra compensar a fotografia dá um show e a trilha sonora nos deixa com uma sensação melancólica e tensa durante o filme todo, embora nunca surpreenda.
É um terror atmosférico sobre a passagem dos adolescentes pra vida adulta, criando uma espécie de luto dentro de nós pela morte daquela pessoa que não somos mais e a fotografia brinca com isso o tempo todo, dando zoom em estátuas, como a dos idosos tocando música ou a principal delas, a estátua do capitão com o lampião na mão e sem rosto, apontando uma direção, um rumo a seguir com a outra mão, mesmo essa estando quebrada. Isso meio que resumiu a mensagem central da obra.
O dialogo do rapaz falando sobre o que ele quer que os amigos façam com as cinzas dele quando ele morrer é profundamente emocionante e filosófico pra ele, mas para os amigos é apenas algo engraçado e sem sentido que rende boas gargalhadas. Assim como a estátua da ilha que parece observar esse dialogo, quando ela foi construída tinha um sentido e depois ele foi se perdendo com o tempo, então todo esse simbolismo da estátua sem olho, sem rosto, sem braço e que aparentemente estava apontando para algo e agora não está mais é o ponto central da obra.
O "cientista maluco" fala dos experimentos quânticos na ilha, como a física quântica é uma ciência que não segue as regras da física tradicional, na verdade ela corre por fora e suas regras ainda entram em contradição com todas as leis da física que conhecemos. É como se o filme passasse a ideia de que tudo o que fizermos por mais revolucionário que seja será anulado pelas gerações seguintes.
É difícil explicar esse filme, mas é como se ele nos dissesse que tudo o que fazemos nessa vida, trabalho, amizades, estudos, dinheiro, amores e até mesmo uma descoberta científica, no final todos esses signos vão se perder e ninguém mais conseguirá nos entender quando deixarmos de existir.
Quando o terror acaba não levamos nenhum susto, mas a sensação de incomodo nos acompanha mesmo sem sabermos explicar da onde ela vem, esse é um filme pra ser sentido e não explicado. A falta de sentido aqui faz parte da mensagem central da obra. É como se nada fizesse sentido na vida, mas por alguns momentos, quando aqueles adolescentes se unem pra jogar conversa fora tudo voltasse a fazer sentido novamente, é quase como uma mensagem de "carpe diem", do tipo, viva o presente pois esse é o sentido da vida, depois ele se perderá no tempo.
Curiosidade: Na psicologia e na crença popular a cor amarela significa alegria, clareza mental, calor, férias, sol, mas em excesso significa ansiedade, fadiga, agitação e confusão.
o cinema independente brasileiro que me perdoe, mas eu até insisti, mas abortei a missão. Não deu.
Curti esse! Mas queria ter gostado um pouco mais.
só fui até o final pq estava em um cine club, senão teria parado em 15 minutos. ruim, ruim, mais ruim q beber coca cola sem gás
11.10.24