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Data de lançamento
27 Nov. 1968Duração
Ninguém tem emprego, nem arroz para comer, é neste contexto de pobreza no Senegal que Tonton recebe uma ordem de pagamento de seu sobrinho que está em Paris. A história repercute na vizinhança e Tonton passa a ser procurado por vários vizinhos que querem comida ou dinheiro. Enquanto isso Tonton percorre uma saga pelos esquemas de corrupção pra conseguir retirar do dinheiro dos correios.
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16/09/26
filme com crítica em muitos pontos, em alguns momentos mais sutis. Sabia que ia passar raiva a partir dos primeiros minutos
Tive o prazer de ver na tela grande, em Curitiba, no dia da consciência negra de 2025. Ousmane Sembène pioneiro do cinema raiz (pan) africano!
Terceiro filme do genial Ousmane Sembène que assisto e a vontade é por mais. O cuidado do diretor ao nos relatar os problemas sociais enfrentados pelo seu povo, os senegaleses, inclusive, nos desperta a vontade de saber um pouco mais sobre o Senegal.
Alguém pode me falar se todos os filmes dele a gente termina chateada? Já é o 2º filme que assisto e me sinto assim...Depois de A negra de...
Bons filmes, mas bem realistas (as piores faces da realidade), temática de impacto e injustiça sempre vencem.
Em seu filme de estreia, A Negra de..., Sembène já havia impactado com a história da migrante senegalesa explorada na França, denunciando a herança do colonialismo na África e utilizando linguagem e técnica primorosas, que em absolutamente nada deixava a desejar para seus contemporâneos do Norte Global. Em Mandabi, seu primeiro filme em cores, mostra também um domínio incrível das técnicas cinematográficas. A qualidade das imagens é realmente impressionante, ainda mais considerando ser um filme africano independente dos anos 1960.
Além da questão técnica, através do deslumbrante visual colorido e de sua bela trilha sonora, Sembène nos imerge e aprofunda no ambiente social deixado para trás pela protagonista de seu filme anterior, de modo que vemos agora a vida dos que ficaram. Revela assim o contexto de miséria de um país que acabara de ganhar sua “liberdade” e que tentava ser moderno, mas que já anunciava que esta liberdade/modernidade não seriam acessíveis para todos, dificultando o acesso a um dos mais básicos direitos que é existir perante a lei. Sem documento não se pode pegar o dinheiro, sem dinheiro e contatos não se pode fazer documentos. Como resolver a questão?
A decência virou um pecado nesse país.
O filme nos imerge também na cultura senegalesa, com alguns costumes que podem parecer estranhos para nós. Assim, se nos incomoda o modo como o protagonista trata suas duas esposas, ao mesmo tempo não há como não se solidarizar com ele por toda a injustiça sofrida devido a um sistema extremamente corrupto.