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Com o intuito de sepultar sua mãe no túmulo da família, Luis viaja ao interior da Espanha. Ao se hospedar na casa da tia, depara-se com a prima Angélica, agora casada e com uma filha. Esse encontro trará lembranças da sua infância naquele lugar durante a Guerra Civil Espanhola.
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Saura constrói memórias pessoais da Guerra Civil Espanhola, mas o mais curioso é como o diretor põe na mesa as possibilidades de mudança de rumos: e se a mãe tivesse casado com outra pessoa? E se aquele guarda não tivesse parado o casal na bicicleta?
O ponto alto é o tratamento dado aos dois tempos históricos abordados. Saura dispensa o uso de flashbacks convencionais e faz uma revisitação muito original da Guerra Civil Espanhola.
A geniosidade de Carlos Saura é conseguir fazer de um conto simples, comum, que trata de recordações, nostalgia e sentimentos reprimidos na infância, numa obra singular e de estratégias fabulosas. As reflexões de Luis, em cada ambiente que se depara, lhe traz lembranças e aciona flashbacks da infância com o ator adulto representando o personagem tanto no presente quanto no passado (claro informe da existência de lacunas afetivas que o persegue). Há uma homogeneidade entre as dimensões de amadurecimento que fundem o personagem em um só: a criança no adulto e o adulto na criança. Na verdade, quase todos os atores/atrizes fazem a representação nos dois tempos, mas de pessoas diferentes. O que poderia ser banal, ganha contornos de obra prima pelo roteiro e pela direção que acentua o drama dos protagonistas aproximando o espectador de uma intimidade em permanente vínculo com seus históricos de paixão juvenil ainda não superada. Após A Prima Angélica Carlos Saura se empenha em outra realização que também lida com a transformação das relações sob o efeito do passar dos anos: Cria Cuervos, um dos filmes mais celebrados da cinematografia mundial.