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Data de lançamento
22 Fev. 2024Duração
Aicha vive no isolado norte da Tunísia com o marido e o filho mais novo. A família vive angustiada após a partida dos filhos mais velhos, Mehdi e Amine, para o abraço violento da guerra. Quando Mehdi volta inesperadamente para casa com uma misteriosa esposa grávida, surge uma escuridão que ameaça consumir toda a aldeia. Aicha se vê presa entre seu amor maternal e sua busca pela verdade.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
A fotografia é linda, mas sinto que a mão pesa na quantidade de momentos contemplativos que deixam o filme totalmente à deriva. Gosto do fardo da violência simbolizada pela esposa do ex-membro do DAESH e a destruição que carrega consigo, mas não acho que a execução do argumento cola, abrindo muitas brechas interpretativas que, para a densidade do tema, pode ser perigoso.
Superficial, e vencedor do "Além-Túmulo de Ouro" no Festival Internacional Chico Xavier de Cinema... 👻👻👻
Em 2020, a jovem cineasta canadense de origem tunisiana Meryam Joobeur venceu uma dezena de prêmios em festivais ao redor do mundo pelo curta-metragem ‘Ikhwène’ (2018), um sensível drama de guerra falado em árabe cujas locações retratam a terra natal de seus pais. Anos mais tarde, em 2024, realizou o primeiro longa da carreira, ‘A quem eu pertenço’, que acaba de estrear nos cinemas do Brasil pela Pandora Filmes. O drama tunisiano, rodado na capital, Túnis, coprodução França, Canadá, Noruega, Catar e Arábia Saudita, traz para a tela resquícios do filme ‘Ikhwène’ ao explorar relações familiares conturbadas em meio a uma guerra e as redescobertas de identidade e território de uma mãe de meia-idade. Ela é Aicha (Salha Nasraoui), que mora com o marido e um dos filhos em um povoado no norte da Tunísia. Dois outros filhos dela deixaram a cidade para lutar na guerra. Até que um deles, Mehdi (Malek Mechergui), retorna com a esposa grávida para a casa da família. Aicha não compreende a volta inesperada do rapaz, tampouco a mudança de comportamento dele. O retorno de Mehdi – que se parece com a parábola do ‘filho pródigo’, desencadeia conflitos não só naquele núcleo familiar, mas em toda a comunidade. A Tunísia é marcada pela guerra religiosa, o Estado Islâmico atrelado ao jihadismo, que aparece como contexto na sólida trama – o drama sobre maternidade, pertencimento e de busca de identidade vai se fragmentando em uma história pesada de terrorismo e guerra religiosa, com um desfecho violento, de grande impacto sensorial. A paisagem seca e árida do Norte da Tunísia corresponde ao interior dos personagens, marcado por feridas e medo. É uma obra densa e política, com personagens em constante reconstrução, vivendo no caos de um país ameaçado pelo Estado Islâmico, que nos ajuda a repensar a geopolítica do Oriente Médio e os desdobramentos disso na sociedade. O filme esteve na competição do Festival de Berlim de 2024, indicado lá ao Urso de Ouro. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom