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Jack é uma drag queen chamada Sabrina. Em 1967, como Sabrina, é a dona-de-cerimônias em um concurso nacional de drag queen em Nova York. A câmera passa nos bastidores, registrando os ensaios que antecederam o concurso, as conversas no camarim, e os ciúmes que surgem antes e depois da competição.
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The Queen (1968) é um documento histórico inestimável que captura a cultura drag americana num momento de extrema vulnerabilidade social, um ano antes de Stonewall, num país que ainda criminalizava a existência queer, e o faz com uma intimidade desconcertante que poucos documentários conseguem. Frank Simon entrega um retrato generoso e fascinante desse universo, mas é a própria realidade que rouba o filme das mãos do diretor: Crystal LaBeija, drag queen negra que ficou em quarto lugar num pageant claramente viciado em favor de uma concorrente branca, protagoniza nos últimos minutos uma das cenas mais poderosas e honestas já capturadas em película, expondo sem cerimônia o racismo estrutural que operava dentro de uma comunidade que já era marginalizada por fora, e esse paradoxo doloroso é o verdadeiro coração do filme. O documentário tem seus limites: o olhar do diretor branco e cisgênero às vezes trata as participantes com uma curiosidade que flerta com o voyeurismo, e as perguntas dos entrevistadores (“vocês querem ser mulheres de verdade?”) envelheceram tão mal quanto leite esquecido no sol de janeiro. Mesmo assim, The Queen permanece indispensável, não apesar das suas tensões internas, mas por causa delas, porque é exatamente essa fissura entre a celebração e o racismo, entre a comunidade e a exclusão, que tornou Crystal LaBeija a fundadora de toda uma cultura alternativa que mudaria o mundo LGBT para sempre.
"— E a resposta dela sobre o motivo pelo qual queria o dinheiro foi: “para colocar no banco”. Há-há-há. Ela não vai ganhar dinheiro, porque Sabrina não irá pagar. Elas são boas amigas. É só publicidade — e uma péssima publicidade para Harlow e todo o resto, porque eu declaro que ela é uma das pessoas mais feias do mundo."
É, obrigado por tudo, Crystal LaBeija!
The Queen (1968) é um documentário incrível, mas não por sua direção, pela forma como é filmado ou não filmado — já que aqui a competição inteira é deixada de lado. The Queen é incrível pelas personalidades maravilhosas e pelo cerne da competição, que irradiou o que hoje seria o nosso maravilhoso Drag Race.
"— Não incomode ela, não incomodem a Harlow, não é culpa dela. Você é linda e jovem, você merece ter o melhor na vida, mas você não mereceu... Não digo que ela não seja bonita, mas não estava linda esta noite. Ela não é como eu, olha a maquiagem dela."
As drags são maravilhosas aqui, e suas conversas, assim como as maneiras de se preparar para a grande passarela, são o que torna The Queen um material de estudo fascinante. Mas, antes de mais nada, o documentário se consagra por um nome: Crystal LaBeija.
Assim que terminou, fui pesquisar sobre e fiquei chocado ao descobrir que, dessa revolta de LaBeija contra a competição desonesta (que realmente foi, se reparar que a Harlow mal tinha uma peruca pendurada na cabeça) e racista com as queens pretas, nasceu o movimento Ballroom que carrega o seu nome.
"— Você está mostrando sua cor.
— Eu tenho o direito de mostrar minha cor, querida!"
É um documentário muito interessante de acompanhar e que definitivamente nos mostra a história sendo feita.
Décadas antes de RuPaul's Drag Race e Paris Is Burning (1990), e um ano antes de Stonewall, este documentário de 1968 deu à maioria do público seu primeiro olhar sobre a cultura drag. Tendo como pano de fundo o concurso de beleza Miss All-America Camp, de 1967, The Queen foi um dos primeiros filmes a se concentrar em uma subcultura retratando uma competição.
A abordagem improvisada do diretor Frank Simon, apresenta pela primeira vez Jack Doroshow, o experiente artista drag que organizou a competição e a conduz sob o nome de Flawless Sabrina. Em suas próprias palavras, Sabrina é “toda essa coisa de mãe de bar mitzvah.”
À medida que avançam em direção ao grande evento, até o mais mundano dos homens se transforma em uma bela mulher com a ajuda de uma peruca, maquiagem, um vestido e a ajuda de suas colegas concorrentes. A maioria das drag queens são cativantes e solidárias até que a vencedora seja coroada, momento em que Crystal LaBeija, fundadora da lendária House of LaBeija, pula em Doroshow, alegando que a coisa toda foi armada.
Miss Crystal, uma esplêndida criatura hispânica que explode de frustração e raiva quando descobre que a competição lhe escapou. Mas todos os outros artistas também têm sua capital de simpatia, jovens homossexuais das ruas de Nova York, das áreas nobres da Costa Leste reunidos em Manhattan para um concurso de drag queens. O diretor Frank Simon os deixa falar sobre suas histórias, suas relações com seus pais, seus amores, seus sonhos e seus sofrimentos.
A presença tranquilizadora da Flawless Sabrina, que os protege como uma verdadeira mãe, é um dos elementos mais comoventes do filme. Antes de brilhar temporariamente no palco do teatro um tanto decadente alugado para a competição, suas jornadas foram obviamente duras e atormentadas: jogadas na rua por suas famílias, excluídas de suas faculdades ou demitidas de seus empregos, elas encontram na comunidade drag a liberdade de identidade que lhes faltava.
The Queen é uma cápsula do tempo um registro da cena drag quando o cross-dressing fora do palco ainda era ilegal em Nova York. De fato, Doroshow foi preso enquanto promovia o filme na Times Square. A maioria dos verdadeiros shows de drag eram realizados em bares gays em bairros afastados em grandes cidades como Nova York, São Francisco, Chicago e Atlanta, que se tornaram centros gays.
Foi considerado um avanço em 1967 que Doroshow reservou um local importante, a Prefeitura de Nova York, para sua competição. Ele pode ter se safado porque o evento foi anunciado como "um acontecimento satírico", com a venda de ingressos beneficiando a Associação de Distrofia Muscular.
As drag queens da década de 1960 modelaram seus looks quase inteiramente em velhas estrelas de Hollywood, com uma concorrente chamada Harlow. Mario Montez, estrela de Andy Warhol, um dos jurados, é nomeado pela exótica protagonista como Maria Montez, proporcionando entretenimento no show.
Depois de décadas do filme ficar fora de circulação, o roteirista e cineasta Shade Rupe chamou a atenção do vice-presidente sênior de Kino Lorber, Bret Wood. Sob um acordo com o co-produtor original do filme, Si Litvinoff, o distribuidor deu à The Queen uma restauração 4k usando o negativo original da câmera e o reeditou em cinemas selecionados.
A última parte de The Queen é inesquecível: Miss Crystal,
que acaba de perder a coroa para Miss Harlow e vê seu ego posto à prova, lança-se nos bastidores em uma cena digna de Bette Davis. Gritos, traições e ameaças irrompem na direção da extravagante organizadora da competição e da tímida vencedora, que o tomam por sua classificação em uma explosão de frustração épica. Cinco minutos infernais e hilariantes
Um pedaço inestimável de história lgbt norte-americana pré-Stonewall que deveria ser tão conhecido quanto Paris is Burning.
Onde eu encontrooo?