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Data de lançamento
15 Nov. 2015Duração
Internacionalmente, a Suécia é vista como uma sociedade perfeita, um modelo em seu estado natural e um símbolo das maiores conquistas do progresso humano. 'The Swedish Theory of Love' (A Teoria Sueca do Amor) escava a verdadeira natureza do estilo de vida sueco, explora os buracos negros existenciais de uma sociedade que criou as pessoas mais autônomas do mundo.
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O documentário ilustra uma tese que a socialização é um valor positivo a ser exaltado em si mesmo e que só é possível a felicidade com a alteridade, chamando Bauman para reforçar isso. No entanto, a socialização ou a interdependência não é um valor, mas algo imperativo e inerente à natureza humana enquanto base cognitiva da linguagem e como elemento de subsistência até. Em termos de linguagem, o filme usa de artifícios melodramáticos associados a uma voz over científica do documentário de tese sociológica para promover um ideário da socialização como valor sentimental, moral, como no tom folhetinesco próximo a Bauman, que quer realizar uma cruzada contra a modernidade e não apenas contra a ideologia do progresso material e tecnológico, que reforça que só as formas tribais, hierárquicas e tradicionais são válidas ou que refletem, de fato, a natureza humana. Usando a perspectiva moralista para avaliar se as pessoas são felizes ou não, o filme promove um julgamento da sociedade sueca a partir do que faz ela sociedade: a crença na independência como valor cultural e onde metade das pessoas moram sozinhas e onde muitos morrem sozinhos ou se suicidam. A segurança financeira que promove a independência pessoal em relação ás formas familiares tradicionais ainda assim é uma interdependência social, que é promovida pelo Estado. Não existe isolamento de fato, mesmo na perspectiva social do indivíduo emancipado morando sozinho. O que existe é empobrecimento cultural e espiritual, como reforça o médico sueco que imigrou para a Etiópia. É a pobreza de referências culturais e espirituais que pode causar a infelicidade e o tédio e não necessariamente a socialização ou ter companhia são a solução para a infelicidade. Não é a sociedade em si, a família rigidamente tradicional e hierárquica, a presença física constante das pessoas que garante a felicidade ou produz um modelo de vida bem sucedida, mas a capacidade de produzir trocas simbólicas. Acreditar que, como defende uma visão funcionalista e positivista à la Durkheim, o reforço dos laços sociais coercitivos é o mesmo que uma socialização bem sucedida e como um valor em si mesmo, como parece intuir esse documentário, implicitamente,é deixar passar batido as conclusões do estudo durkheimiano do suicídio, onde tanto os laços sociais em excesso ou em carência podem produzir este fato. É possível viver numa sociedade extremamente individualista e sufocante que acredita apenas no valor da família, enquanto uma conquista biográfica do indivíduo e da coletividade apenas voltada para defender a propriedade privada, como é o neoliberalismo e a lógica cordial do brasileiro, mas não haver sentido e espiritualidade alguma nisso, pouco diferindo do insucesso civilizatório da Suécia. Viver em sociedades adoecidas que acham possível o bolsonarismo institucionalizado não é menos patológico que um contexto sueco, mas num contexto tão desespiritualizado quanto. Portanto não é a convivência social que vai garantir a espiritualidade, mas sim uma mudança radicalmente antropológica e filosófica de cada ente da sociedade.
Documentário ATERRADOR, mas fundamental na quebra de alguns paradigmas. Perceber que sociedade Suéca, modelo de civilidade e qualidade de vida se encontra completamente desprovida de sociabilidade, onde a ausência de problemas sociais e a abundância de recursos desencadeou um processo irreversível de individualização. Dois terços da população vive só, a grande maioria das fecundações são vendidas pela internet e entregues pelo correio, onde se criou a necessidade de um departamento no governo para identificar parentes das inúmeras mortes dos que vivem isolados, muitos levando anos para serem descobertos, graças ao automatismo da vida moderna, onde todas as despesas e consumos são pagos automaticamente. Ao menos serviu como alento, pois mesmo vivendo momentos soturnos aqui, é bom perceber que, como já antevia Nietzsche, nossa fragilidade é o que nos une e nos fortalece!
É um documentário muito bom.
O começo é um pouco "chocante" por causa da auto inseminação artificial, mas depois vamos entendendo melhor os suecos. Tem uma frase que resume bem o que parece ser a sociedade sueca (infelizmente não me recordo exatamente), mas se referia ao fato de eles terem acesso a todos os bens materiais, mas não cuidarem um dos outros, enquanto na Etiópia é o contrário.
Nossa, o número de pessoas que morre e ninguém se dá conta é muito alto. Como é possível isso? E aquele caso da pessoa que estava morta há dois anos e ninguém tinha dado falta dela. Isso é muito surreal!
Ah, e me admirei/emocionei com o médico que vive na Etiópia. Ele se tornou uma outra pessoa após conhecer um país tão diferente do dele.
E, pra fechar o filme: Bauman! Na hora me lembrei da palestra dele o Educação 360º em 2015 no Rio de Janeiro. Que homem! Que sociólogo!
No final, não sei se foi a sala de reprodução que deu ruim, mas ficou umas cenas sem som, não sei se era assim mesmo, rsrs