Compartilhe "A Valsa do Imperador" com seus amigos:
Link copiado para a área de transferência!
Sinopse
Na corte austríaca do início do Século XX, o cão vira-latas de um vendedor norte-americano se enamora da cadela de uma arrogante condessa, fato que serve de pretexto para um romance socialmente indesejável entre o plebeu e a nobre.
Baseado nos comentários negativos até confesso que fui surpreendido positivamente com uma comédia agradável e com um musical bem bonito esteticamente. Mas é claro que estamos falando de Billy WIlder, e muito embora o diretor/roteirista solte algo de sua genialidade e sarcasmo em seus diálogos me parece um trabalho muito inofensivo do gênio. Bom zinho....
Logo após agraciar o mundo com duas obras-primas do cinema (“Pacto de Sangue” e “Farrapo Humano”), o diretor Billy Wilder teve seu primeiro contato com a fotografia colorida no musical “A Valsa do Imperador”, estrelado por Bing Crosby e Joan Fontaine. Infelizmente, o peso da novidade parece ter amarrado um pouco as mãos de seu realizador, uma vez que este filme não consegue manter o mesmo fôlego dos seus anteriores. Assim, “A Valsa do Imperador” acaba marcando mais como sendo o primeiro tropeço considerável da carreira de seu diretor (estou propositalmente desconsiderando o seu filme de estreia, o experimental “Semente do Mal”), do que por qualquer outra coisa.
O filme se passa no Império Austro-Húngaro, durante o período pré-Primeira Guerra Mundial (assim como é o primeiro filme a cores de Billy Wilder, também é o seu primeiro filme de época), quando Virgil (Bing Crosby), um vendedor viajante, tenta desesperadamente se encontrar com o Imperador (Richard Haydn) a fim de conseguir lhe vender uma novidade tecnológica da época: o gramofone. Porém, após um evento conflituoso envolvendo animais de estimação, o vendedor acaba conhecendo a Condessa Johanna von Stolzenberg-Stolzenberg (Joan Fontaine), que se apaixona perdidamente por ele. Entretanto, a diferença de classes se mostrará um grande obstáculo para a consumação dessa paixão.
A princípio, “A Valsa do Imperador” compartilha do mesmo problema que vários filmes do gênero musical possuem: a ideia de que, do nada, as pessoas vão começar a fazer as coisas cantando ou tocando música. Algo que até pode funcionar em espetáculos teatrais e casas de show, mas que no cinema nem sempre funciona tão bem. Geralmente esse tipo de coisa funciona em filmes que se passam em universos mais lúdicos e/ou surreais (animações da Disney ou “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, por exemplo), ou quando as músicas estão tão intrinsecamente ligadas ao discurso do filme (“Hair”). Mas, apesar de toda a óbvia ambientação de contos-de-fadas, “A Valsa do Imperador” é um filme bastante calcado na realidade, e que tampouco possui ambições maiores de passar alguma mensagem política e/ou social.
Dessa forma, cenas como, por exemplo, o momento em que toda a cidade para o que está fazendo para se tornar uma orquestra ao ar livre, mostra-se artificial e prejudica a experiência, ao invés de incrementá-la. No mesmo sentido, a ideia de que a Condessa Johanna se apaixonou repentinamente por Virgil apenas por ouvi-lo cantar soa mais tola do que romântica, o que é prejudicado pelo fato de ambos os atores não possuírem muita química um com o outro. Sim, ambos estão relativamente bem em seus respectivos papéis quando estão sozinhos, mas juntos nunca conseguem convencer o espectador de que realmente estão apaixonados (para Joan Fontaine, aparentemente, basta apenas adotar um ar meio sonhador).
Mas nem tudo são problemas em “A Valsa do Imperador”. A maior parte do roteiro (principalmente a forma como as coisas se desenvolvem no terceiro ato) é muito boa, pena que é executada de forma meio sem vida por Billy Wilder (o que é paradoxal para aquele que é o seu primeiro filme a cores). O conhecido talento para a utilização da fotografia e da mise-en-scène como forma de comentar os acontecimentos do filme é inexistente. Porém, aspectos mais técnicos funcionam, principalmente no que tange à criação de cenários e nos vestuários que recriam a época com competência e elegância (Edith Head sempre espetacular). E merecem aplausos a atuação dos dois cachorros que se mostram sempre extremamente condizentes em cena, revelando um adestramento soberbo.
Assim, “A Valsa do Imperador”, está longe de ser um desastre completo, mas decepciona fortemente pela direção no piloto automático de Billy Wilder, algo que não era do seu feitio. E quando o maior elogio que eu possa dar a um filme se refere aos adestradores caninos dos bichinhos de estimação dos personagens principais, fica evidente que se trata de um longa-metragem esquecível.
com baixar?
1912. (21/09/2024)
Amo Billy Wilder. Mas esse é um filme mediano.
Ótimos atores. Mas o diretor tem tanta pérola, que esse fica comum.
Baseado nos comentários negativos até confesso que fui surpreendido positivamente com uma comédia agradável e com um musical bem bonito esteticamente. Mas é claro que estamos falando de Billy WIlder, e muito embora o diretor/roteirista solte algo de sua genialidade e sarcasmo em seus diálogos me parece um trabalho muito inofensivo do gênio. Bom zinho....
Gracioso!!
Logo após agraciar o mundo com duas obras-primas do cinema (“Pacto de Sangue” e “Farrapo Humano”), o diretor Billy Wilder teve seu primeiro contato com a fotografia colorida no musical “A Valsa do Imperador”, estrelado por Bing Crosby e Joan Fontaine. Infelizmente, o peso da novidade parece ter amarrado um pouco as mãos de seu realizador, uma vez que este filme não consegue manter o mesmo fôlego dos seus anteriores. Assim, “A Valsa do Imperador” acaba marcando mais como sendo o primeiro tropeço considerável da carreira de seu diretor (estou propositalmente desconsiderando o seu filme de estreia, o experimental “Semente do Mal”), do que por qualquer outra coisa.
O filme se passa no Império Austro-Húngaro, durante o período pré-Primeira Guerra Mundial (assim como é o primeiro filme a cores de Billy Wilder, também é o seu primeiro filme de época), quando Virgil (Bing Crosby), um vendedor viajante, tenta desesperadamente se encontrar com o Imperador (Richard Haydn) a fim de conseguir lhe vender uma novidade tecnológica da época: o gramofone. Porém, após um evento conflituoso envolvendo animais de estimação, o vendedor acaba conhecendo a Condessa Johanna von Stolzenberg-Stolzenberg (Joan Fontaine), que se apaixona perdidamente por ele. Entretanto, a diferença de classes se mostrará um grande obstáculo para a consumação dessa paixão.
A princípio, “A Valsa do Imperador” compartilha do mesmo problema que vários filmes do gênero musical possuem: a ideia de que, do nada, as pessoas vão começar a fazer as coisas cantando ou tocando música. Algo que até pode funcionar em espetáculos teatrais e casas de show, mas que no cinema nem sempre funciona tão bem. Geralmente esse tipo de coisa funciona em filmes que se passam em universos mais lúdicos e/ou surreais (animações da Disney ou “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, por exemplo), ou quando as músicas estão tão intrinsecamente ligadas ao discurso do filme (“Hair”). Mas, apesar de toda a óbvia ambientação de contos-de-fadas, “A Valsa do Imperador” é um filme bastante calcado na realidade, e que tampouco possui ambições maiores de passar alguma mensagem política e/ou social.
Dessa forma, cenas como, por exemplo, o momento em que toda a cidade para o que está fazendo para se tornar uma orquestra ao ar livre, mostra-se artificial e prejudica a experiência, ao invés de incrementá-la. No mesmo sentido, a ideia de que a Condessa Johanna se apaixonou repentinamente por Virgil apenas por ouvi-lo cantar soa mais tola do que romântica, o que é prejudicado pelo fato de ambos os atores não possuírem muita química um com o outro. Sim, ambos estão relativamente bem em seus respectivos papéis quando estão sozinhos, mas juntos nunca conseguem convencer o espectador de que realmente estão apaixonados (para Joan Fontaine, aparentemente, basta apenas adotar um ar meio sonhador).
Mas nem tudo são problemas em “A Valsa do Imperador”. A maior parte do roteiro (principalmente a forma como as coisas se desenvolvem no terceiro ato) é muito boa, pena que é executada de forma meio sem vida por Billy Wilder (o que é paradoxal para aquele que é o seu primeiro filme a cores). O conhecido talento para a utilização da fotografia e da mise-en-scène como forma de comentar os acontecimentos do filme é inexistente. Porém, aspectos mais técnicos funcionam, principalmente no que tange à criação de cenários e nos vestuários que recriam a época com competência e elegância (Edith Head sempre espetacular). E merecem aplausos a atuação dos dois cachorros que se mostram sempre extremamente condizentes em cena, revelando um adestramento soberbo.
Assim, “A Valsa do Imperador”, está longe de ser um desastre completo, mas decepciona fortemente pela direção no piloto automático de Billy Wilder, algo que não era do seu feitio. E quando o maior elogio que eu possa dar a um filme se refere aos adestradores caninos dos bichinhos de estimação dos personagens principais, fica evidente que se trata de um longa-metragem esquecível.