Você está em
  1. > Home
  2. > Artistas
  3. > Billy Wilder

Billy Wilder

Nomes Alternativos: Samuel Wilder

1692Número de Fãs

Nascimento: 22 de Junho de 1906 (95 years)

Falecimento: 27 de Março de 2002

Sucha Beskidzka, Malopolskie - Polônia

Billy Wilder foi uma das personalidades mais destacadas da história do cinema. Sua carreira de roteirista, cineasta e produtor estendeu-se por mais de 50 anos em mais de 60 filmes, foi indicado ao Oscar 21 vezes, tendo conquistado seis estatuetas, duas delas como diretor. Trabalhou com astros como Greta Garbo, William Holden, Tony Curtis, Barbara Stanwyck, Marlene Dietrich, Ginger Rogers, Gloria Swanson, Audrey Hepburn, Gary Cooper, Jack Lemmon e Marilyn Monroe.

Samuel Wilder começou a ser chamado de Billy pela mãe, ainda nos primeiros anos de vida. Quando jovem, destacou-se nos estudos de direito, que abandonou quando começou a trabalhar como repórter num jornal em Viena, e mais tarde em outro em Berlim. Paralelamente freqüentava os ambientes teatrais, o que o levou a colaborar como roteirista nos filmes mudos alemães.

Com a ascensão de Hitler ao poder, Wilder, que era judeu, fugiu para Paris, cidade onde dirigiu seu primeiro filme "Curvas Perigosas", junto com Alexander Esway. Logo partiu para os Estados Unidos, onde dividiu um apartamento com o ator Peter Lorre, que facilitou o seu acesso aos estúdios americanos. Em 1940, Billy Wilder adotou a nacionalidade americana, o que lhe permitiu ser coronel do Exército durante a Segunda Guerra Mundial.

Nos primeiros anos em Hollywood, trabalhou como roteirista e como colaborador de Charles Brackett, com quem escreveu, entre outros, "Ninotchka" (1939); "Pacto de sangue" (1944), "Farrapo Humano"(1945); "The Lost Week-end" (1945), que ganhou o Oscar de melhor direção e roteiro; e "Crepúsculo dos deuses" (1950), que também levou a estatueta pelo melhor roteiro.

Na década de 1950 fez a comédia "Sabrina", com Audrey Hepburn e Humphrey Bogart, e "Testemunha de acusação" com amiga e diva Marlene Dietrich. Dirigiu Marilyn Monroe em "O pecado mora ao lado" (1955) e em "Quanto mais quente melhor" (1959), considerada uma das melhores comédias do cinema de todos os tempos.

Em 1960, fez "Se meu apartamento falasse", que ganhou os Oscar de melhor filme, direção e roteiro. Em 1963 filmou "Irma, La Douce", com Shirley MacLaine e Jack Lemmon e três anos depois, "Uma loira por um milhão". Em 1970 fez "A vida privada de Sherlock Holmes", entre outros.

Seu último filme foi "Amigos, amigos, negócios à parte", em 1981. Billy Wilder morreu de pneumonia em seu apartamento aos 95 anos de idade, após enfrentar problemas de saúde, incluindo câncer, em Beverly Hills, Los Angeles, e foi sepultado no Westwood Village Memorial Park Cemetery em Westwood, Los Angeles, Califórnia.

O GRANDE MESTRE:

"Ninguém é perfeito", atesta o personagem do cômico Joe E. Brown na cena derradeira de Quanto mais quente melhor (Some like it hot, 1959). E é justamente da imperfeição humana que o diretor de cinema Billy Wilder sempre tirou material dramático para dar vida aos personagens engraçados ou trágicos que aparecem nos filmes que escreveu, produziu e dirigiu.

Nascido em 22 de junho de 1906, em uma cidade pertencente ao império austro-húngaro, Samuel Wilder cresceu em Viena, onde batalhou pela sobrevivência como dançarino e jornalista. Sua carreira no cinema teve início na Alemanha, onde foi roteirista. Mas, com a ascensão do nazismo, em 1933, mudou-se para a França.

Sua estréia como diretor, ao lado de Alexander Esway, aconteceu em 1934 com Semente do mal (Mauvaise Graine), filmado em Paris. A trama acompanha o envolvimento de um jovem, filho de um médico conceituado, com uma quadrilha de ladrões de automóveis. Desentendimentos com o chefe da gangue e a paixão por uma garota que integra o bando o levam a redimir-se. Embora tenha envelhecido como narrativa cinematográfica, a história já antecipa a visão crítica do cineasta em relação à sociedade. Formalmente distante das obras vanguardistas da época, e também do realismo poético francês, o filme assemelha-se às produções de Hollywood.

Na Meca do cinema americano

A capital do cinema norte-americano foi o refúgio natural para o rapaz judeu que precisava sair da Europa - o Holocausto custou a vida de familiares e amigos do cineasta. Sua chegada a Hollywood aconteceu no início de 1934, por obra do diretor Joe May, que o havia conhecido enquanto trabalhava na Alemanha. Mas não foi fácil estabelecer-se como roteirista, uma vez que tinha dificuldade com a língua inglesa. Tratou de ler livros e histórias em quadrinhos para entender melhor o idioma.

Em 1936, foi contratado pela Paramount para trabalhar como roteirista do filme A oitava esposa de Barba Azul (Bluebeards eighth wife), comédia dirigida pelo consagrado cineasta alemão Ernst Lubitsch e co-escrita por Charles Brackett. Esses dois profissionais do cinema influenciaram a trajetória de Billy Wilder em Hollywood. Lubitsch, por seu humor sutil, e Brackett, um escritor americano sofisticado e conservador, com posições políticas diferentes das de Billy Wilder, de quem se tornou parceiro em diversos projetos, muitos deles memoráveis, como Ninotchka. Dirigido por Lubitsch em 1939, Ninotchka consagrou-se como o filme em que Greta Grabo ri. Interpretando o papel-título, a de uma comissária comunista russa que, em missão por Paris, a personagem título apaixona-se pelo playboy vivido por Melvyn Douglas e adere ao capitalismo. A versão musical da Broadway realizada em 1956 foi adaptada no ano seguinte para o cinema pelo produtor Arthur Freed com o título Meias de seda (Silk Stokings), com Fred Astaire e Cyd Charisse encabeçando o elenco.

Outra parceria de Brackett e Billy Wilder resultou no roteiro de Bola de Fogo (Ball of fire), dirigido em 1941 por Howard Hawks. Esta comédia tresloucada surgiu de uma idéia que o roteirista havia concebido antes de sua saída da Alemanha. Trata-se da versão cômica de Branca de Neve e os sete anões: para fugir da polícia e de gângsteres, uma dançarina de strip-tease (Barbara Stanwyck) precisa se refugiar na casa onde uma equipe de professores está escrevendo uma enciclopédia. Um dos pesquisadores (interpretado por Gary Cooper), tímido e ingênuo, vê nela a oportunidade de escrever um verbete sobre as gírias faladas pelos jovens e, apesar da diferença entre os dois, acabam se apaixonando.

A primeira oportunidade de mostrar seu talento como diretor surgiu em 1942, no filme A incrível Suzana (The major and the minor), escrito por Billy Wilder e Charles Brackett. Comédia de enganos, o enredo acompanha uma jovem (Ginger Rogers), que, para pagar meia passagem de trem, precisa passar-se por criança de 12 anos. Enquanto evita os fiscais da ferrovia, ela acaba se envolvendo com um soldado (Ray Milland) e deixa a desconfiada noiva do militar enciumada. Levada a uma escola para cadetes, a "lolita" desperta o interesse do major que a protege e que não sabe ser ela uma mulher madura. Em 1955, Jerry Lewis protagonizou uma refilmagem, O Meninão (Youre never too young), dirigido por Norman Taurog. E, em 1957, Wilder retomou a paixão de um homem mais velho por uma jovem moça na comédia romântica Amor na tarde (Love in the afternoon), estrelada por Audrey Hepburn e Gary Cooper.

Mas antes disso ele fez três filmes sérios: o drama de guerra Cinco covas no Egito (Five graves to Cairo), de 1943; Pacto de sangue (Double indemnity, 1944), adaptação do romance-noir de James Cain, escrito por Wilder e por Raymond Chandler, outro artífice do policial negro norte-americano; e Farrapo humano (Lost weekend, 1945), filme que expõe as agruras de um escritor alcoólatra que passa um fim-de-semana lutando contra seu vício. Esta foi a consagração do cineasta, que recebeu os principais Oscar (para filme, roteiro e direção) de 1946. Na seqüência, Wilder realizou o musical A valsa do Imperador (The emperor waltz), de 1948, e a comédia A mundana (A foreign affair, 1948), ambientada em Berlim, ainda destroçada pela guerra, e tendo Marlene Dietrich no papel principal.

Obra-prima

"É uma história muito simples. Uma mulher mais velha e rica... e um homem mais jovem com pouco dinheiro." É assim que Joe Gillis (William Holden) descreve sua situação para a doce Betty Shaeffer (Nancy Olson) nas seqüências finais de Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard), escrito e dirigido por Billy Wilder em 1950. No entanto, o enredo não é nada simples, e envolve uma antiga estrela do cinema mudo, Norma Desmond (Gloria Swanson), e um escritor que tentou a vida como roteirista em Hollywood, mas fracassou. Além de se tornar amante da velha atriz, Gillis se apaixona pela noiva de seu melhor amigo, enquanto escreve o roteiro de um filme com ela.

Retrato amargo sobre a fama e o esquecimento em Hollywood, o filme reúne um elenco de astros da era do cinema mudo que saíram de cena com o advento do som, como a própria Gloria Swanson, o ex-diretor Erich von Stroheim (que interpreta o ex-diretor Max von Mayerling, que se tornou mordomo de sua antiga musa e amante), o comediante Buster Keaton (uma das "figuras de cera" que freqüentam a mansão de Norma Desmond) e o cineasta Cecil B. DeMille.

É interessante notar que o filme assistido pelos personagens é Queen Kelly, obra inacabada que Stroheim dirigiu com Gloria Swanson como protagonista. Além disso, há um paralelo entre Crepúsculo dos Deuses e Semente do Mal. Assim como o protagonista do primeiro filme dirigido por Billy Wilder, Joe Gillis começa sua história trágica tentando preservar seu automóvel.

Com características do filme-noir - narração em off feita pelo protagonista masculino, clima de decadência, fotografia em preto e branco contrastada (herança do cinema expressionista alemão) -, o Crepúsculo dos Deuses desagradou muitos magnatas de Hollywood, mas foi indicado a 11 Oscar, dos quais ganhou três (roteiro original, direção de arte e trilha sonora), disputando as principais categorias com A Malvada (All about Eve, 1950), filme de Joseph L. Mankiewicz que retrata a espúria ascensão de uma atriz de teatro.

Era de ouro

Embora nem todos os filmes dirigidos por Billy Wilder durante a década de 1950 e no início dos anos 1960 tenham tido sucesso de bilheteria, esta é a melhor fase do diretor. Depois de Crepúsculo dos Deuses, o cineasta dirige e escreve (em sua última parceria com Charles Brackett) A montanha dos sete abutres (Ace in the hole, 1950), que acompanha um ambicioso jornalista (interpretado por Kirk Douglas) que transforma um acidente em uma caverna em um circo. Em 1953, Billy Wilder voltou aos filmes de guerra com Inferno número 17 (Stalag 17), no qual William Holden comanda uma fuga de um campo de prisioneiros americanos na Alemanha. E, em 1957, adaptou para o cinema a peça Testemunha de acusação (Witness for the prossecution), Agatha Christie, com Tyrone Power, Marlene Dietrich, Charles Laughton e Elsa Lanchester no elenco.
Um grande encontro de artistas fora do comum
Testemunha de Acusação é, entre muitas outras coisas, o encontro de quatro artistas fora do comum: Agatha Christie, Billy Wilder, Charles Laughton e Marlene Dietrich.
Agatha Christie (1890-1976), aquela velha inglesa louca de pedra, criou, sei lá, mais de 400 histórias. Tinha mais idéias de histórias do que o Tio Patinhas tinha moedas em seu cofre, e felizmente viveu muito. Qualquer professor de literatura terá trocentos argumentos para dizer que Agatha Christie é uma autora menor – mas as pessoas não dão a menor bola para o que os doutores falam em suas emproadas teses. As pessoas adoram as histórias envolvendo crimes, e a velhinha louca soube como ninguém bolar essas histórias.
É uma trama intensa, rica, que fala de fidelidade e traição, amor e ódio, admiração e inveja, competência e ambição, crime e castigo.
Charles Laughton (1899-1962) é um gigante – seu talento consegue ser maior que seu corpanzil. É um dos melhores atores destes primeiros cento e tantos anos de história do cinema. Segundo Billy Wilder, é o melhor ator com que ele trabalhou. Em Testemunha de Acusação, dá um show absurdo. O Sir Wilfrid Robarts que ele cria é um dos personagens mais marcantes da história do cinema – o melhor advogado criminal da Inglaterra, uma lenda, já um sir, que teve um ataque cardíaco, ficou em coma, ficou semanas no hospital, e, no dia em que volta finalmente para sua casa e seu escritório, protegido por uma enfermeira linha dura e por um mordomo fiel até a mais completa sabujice, fica sabendo de um caso interessante – um homem suspeito de assassinar uma senhora sua amiga que jura inocência, mas cujo único álibi é sua mulher, e os jurados não costumam acreditar muito em um único álibi provido exatamente pela mulher do réu.
Ninguém dirigido por Billy Wilder trabalha mal
O acusado, Leonard Vole, é interpretado por Tyrone Power (1914-1958), o ator que fez suspirar milhões de mocinhas nos anos 30 e 40 – mas o filme é de 1957, e o astro estava já um tanto velhinho. Foi seu último filme, aliás.
Não está mal, Tyrone Power, como o homem que tudo indica que é o assassino, mas que consegue convencer o veterano, brilhante, advogado da sua inocência. Demonstra uma certa calma, em algumas seqüências, um certo estupor em outras, e pavor, temor, desespero, em outras. Ninguém dirigido por Billy Wilder trabalha mal.
Mas o show é de Charles Laughton como Sir Wilfrid Robarts, o melhor advogado criminal da Inglaterra, e de Marlene Dietrich, como Christine Vole, a mulher de Leonard, seu único álibi.
As lentes das câmaras se derretem por Marlene
E então chegamos a Marlene Dietrich (1901-1992), a quarta artista fora do comum deste filme em que quatro artistas maiores, extraordinários, fora do comum, se encontraram.
Marlene é uma diva, uma das maiores que já passaram pelas telas do cinema. Que beleza, que poder tem aquele rosto, feito para deixar apaixonadas as câmaras de cinema que passassem à sua frente. Como eu mesmo já disse, não é à toa que as câmaras de Hitchcock, de Orson Welles, de David O. Selznick (o cara era mais que um simples produtor, era o autor dos seus filmes), de Rouben Mamoulian, de René Clair, de Stanley Kramer, de Fritz Lang, de Billy Wilder, se apaixonaram por Marlene Dietrich. As lentes das câmaras parecem se derreter diante dela.
Christine-Marlene demora a aparecer na tela. Entra em cena quando já se passaram uns 30 minutos de filme – 30 rápidos minutos de um filme em tudo brilhante. Mas, depois que ela aparece, o filme melhora ainda mais.
É uma atriz extraordinária, Marlene Dietrich. É uma personagem extraordinária, Christine Vole. O espectador é obrigado a concordar com Sir Wilfrid quando ele diz, a boca aberta de espanto: “Que mulher extraordinária!”
Personagens interessantes, bem construídos, bem interpretados
É impressionante como todos os personagens são interessantes, bem construídos – e bem interpretados. A velhinha Una O’Connor, feia que nem a fome, é impagável como Janet McKenzie, a escocesa pobre que trabalha como empregada na casa da viúva rica que será assassinada. Aparece em duas seqüências, apenas, mas é perfeita. Um filme perfeito, atores perfeitos, um diretor que é um gênio.

Os melhores filmes desse período foram comédias que se tornaram clássicas. Em Sabrina (1954), o diretor forma um triângulo amoroso entre a filha do motorista de uma família rica (Audrey Hepburn), o filho playboy (William Holden) e seu irmão mais velho, interpretado por Humphrey Bogart, em um papel romântico. Já em O pecado mora ao lado (Seven year itch), de 1955, Billy Wilder mostra os devaneios de um homem casado há sete anos que permanece sozinho em Nova York durante as férias e se envolve platonicamente (ou seria mais uma de suas fantasias?) com a vizinha do andar de cima (Marilyn Monroe).

A atriz, símbolo sexual do cinema, também estrelou em 1959 Quanto mais quente melhor, ao lado de Tony Curtis e Jack Lemmon. No enredo (o primeiro desenvolvido com o novo parceiro do diretor, I. A. L. Diamond), que se passa na década de 1930, dois músicos desempregados testemunham o massacre de gângsteres por um grupo rival e, para fugir da cidade, precisam se disfarçar de mulher para ingressar em um grupo musical feminino, que tem entre seus integrantes a sensual Sugar Kane (Monroe). Um dos músicos (Curtis) se apaixona pela cantora, enquanto o outro (Lemmon), travestido, envolve-se com um milionário (Joe E. Brown).

Jack Lemmon foi escalado para mais seis comédias dirigidas por Billy Wilder até o início da década de 1980, com destaque para Se meu apartamento falasse (The apartment), de 1960, e Irma La Douce, de 1963, ambos estrelados por Shirley MacLaine. No primeiro, o ator interpreta um funcionário de um escritório que empresta seu apartamento para os colegas - e, principalmente, a seu chefe - para encontros amorosos. Sua ascensão na empresa, contudo, é interrompida quando se apaixona pela ascensorista, sem saber que ela é amante do chefe. No segundo filme, Lemmon faz o policial novato do cais de Paris que se torna amante da prostituta Irma La Douce.

Ainda na década de 1960, Wilder realizou Cupido não tem bandeira (One, two, three, 1961), comédia estrelada por James Cagney (ator que interpretou diversos papéis de gângster nas décadas de 1930 e 1940), que faz um diretor da empresa Coca-Cola na Alemanha. Como em Ninotchka, o diretor contrapõe com humor as diferenças entre o lado comunista e o capitalista e ainda retrata a herança do nazismo. Na trama, Cagney precisa reverter a situação da filha de seu chefe - que está para chegar -, garota mimada que se apaixonou por um militante da área oriental. O filme foi lançado pouco antes da construção do Muro de Berlim, dividindo a Alemanha em dois países, o que dificultou o sucesso comercial do filme.

"Mas esta é outra história..."

Nas duas décadas seguintes, Billy Wilder manteve-se na ativa enquanto Hollywood, o mundo e o público que freqüentava as salas de exibição passaram por diversas transformações. O diretor alternou comédias - entre as quais Beije-me, idiota (Kiss me, stupid, 1964), Uma loura por um milhão (The fortune cookie, 1966) e A primeira página (The front page, 1974) - com filmes mais introspectivos, a exemplo de A vida íntima de Sherlock Holmes (The private life of Sherlock Holmes, 1970) e Fedora (1978). Seu último trabalho como diretor e roteirista (ao lado de I. A. L. Diamond) foi Amigos, amigos, negócios à parte (Buddy Buddy), de 1981, em que o assassino de aluguel Walter Matthau precisa ajudar o suicida Jack Lemmon a reatar com sua ex-mulher.

Billy Wilder faleceu em 28 de março de 2002 em Hollywood, devido a uma pneumonia. Uma vida longa, em sua maior parte dedicada ao cinema, não apenas por ter escrito, dirigido e produzido filmes, como também por ter enfrentado a censura, o moralismo e a perseguição para levar ao público mais do que entretenimento fútil. Ele cumpriu a promessa que fez ao funcionário da embaixada norte-americana que lhe concedeu o visto em 1934 e permitiu que permanecesse em Hollywood: escrever "bons filmes".