Durante uma partida de futebol americano, Harry Hinkle (Jack Lemmon), um câmera de televisão, é ferido. Willie Gingrich (Walter Matthau), um advogado que também é seu cunhado quer que ele finja ter lesões muitos maiores, para assim poder receber uma grande indenização. Apesar de ser inicialmente contra esta fraude, o câmera acaba concordando.
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Achei esse filme fraco. E a trilha sonora parece que foi chupada de "Se Meu Apartamento Falasse"
The Fortune Cookie é uma mistura muito bem feita de Noir com comédia.
Wilder traz aqui toda sua experiência e peculiaridades, o que demonstra claramente ser um autentico filme de sua cinegrafia. A trajetória é dividida em capítulos, o que traz uma leveza ao enredo, se tornando muito tranquilo de acompanhar, e as situações transitam muito bem entre os dois gêneros. O roteiro não é um dos melhores, dentre os que Wilder já escolheu para suas direções, mas uma construção muito bem feita por trás da trama o faz ser um filme recomendável.
Esse filme é excepcional, a atuação do Matthau é maravilhosa, e a dobradinha Lemmon/Matthau sempre é uma boa pedida! Eu amo esse filme.
Um típico filme de Wilder, todas as características que marcaram os filmes do diretor são possíveis de serem pensadas nesse filme. Personagens corruptos que burlam leis ou morais americanas em busca de sucesso financeiro ou sexual, necessitando sustentar a mentira que inaugura o filme até o seu fim. Wilder, primoroso ao trabalhar esse cenário sempre, leva seus personagens ao limite do esforço para que não caiam em contradição e segurem a verdade para si; porém geralmente a redenção vem ao final em um lapso de arrependimento e lucidez moral.
Com um humor muito mais controlado do que em seus dois filmes anteriores, a parceria entre Wilder e Lemmon volta a funcionar como nos seus melhores filmes, há o equilíbrio entre a leveza que Lemmon consegue trazer as cenas ao cantarolar e dançar na cadeira de rodas com a seriedade do caso judicial tratado por Gingrich que ganha o mesmo tom que Wilder sustenta durante boa parte do "Testemunha de Acusação". É possível encontrar a relação e a subversão da ideia que Hitchcock trabalha em "Janela Indiscreta" em "The Fortune Cookie". Se no clássico de 1954 o personagem de Stewart, ao ficar imobilizado na cadeira de rodas, observava os vizinhos da janela, aqui é Lemmon que, em repouso pelo seu acidente, fica em observação pelos detetives do outro lado da rua. Em Janela, o voyeurismo do protagonista se liga à nossa passividade como espectador, característica primordial do Cinema, e nosso interesse por histórias e vidas alheias enquanto meros observadores daquela realidade sem poder de interferência. Em Fortune, Lemmon que é observado pelo detetive, pelos advogados, pela lei e pela moral; cabe a ele manipular a imagem que entrega a quem o assiste. Lemmon deixa de ser o passivo que observa vidas alheias para ser o diretor e editor da sua própria história, aqui ele ganha a vantagem de decidir o seu futuro e dos outros personagens à sua volta, resta a ele optar entre sustentar a farsa e aguentar os interesseiros que se aproximam ou expor os verdadeiros vilões e salvar a carreira de seu amigo sem peso na consciência. Se Janela é sobre o espectador, Fortune é sobre cada cidadão comum nos momentos longe da tela, moldando seu próprio filme.
Talvez peque por ser excessivamente alongado mas como sempre o roteiro sempre afiadíssimo reserva tiradas brilhantes e Jack Lemmon abraça seu personagem com a carisma peculiar em sua parceria com Wilder e Mattahau abraça muito bem seu papel de vigarista. Bom trabalho mas que deixa a sensação que poderia ser mais brilhante.