Quando uma grande família iraniana-americana se reúne, um segredo de família é descoberto que catapulta a mãe e a filha distantes para uma exploração do passado e para descobrir que elas são mais parecidas do que imaginam.
Gosto desse formato de filme , com elementos multicultural, e que usa o humor para tratar de temas mais sérios e complexos, tem umas partes divertidas e outras com boas doses de reflexões, mas sem ficar um filme muito sério, optando por fazer um estilo mais filme-entretimento. Muito legal.
O que mais me impressiona é como a Keshavarz consegue um equilíbrio excelente entre humor e coração. O filme começa quase como uma comédia familiar - você sabe, aquelas situações constrangedoras de reunião de família que a gente reconhece de longe - mas vai ganhando camadas dramáticas conforme os segredos vão sendo revelados.
A relação mãe-filha no centro da narrativa explora cultura e história iraniano-americana, segredos familiares, trauma e amor, e é exatamente isso que me fez suspirar aliviada: finalmente uma produção que não trata a experiência de imigrantes como folclore exótico ou tragédia unidimensional.
Leila mantém a família à distância tentando separar sua "vida real" da vida familiar - algo que qualquer pessoa LGBTQ+ ou de família tradicional vai reconhecer imediatamente. Quando o segredo dela é revelado (e honey, todos nós sabemos como é quando esse momento chega), o filme encontra seu verdadeiro ritmo ao mostrar os paralelos entre sua vida e a da mãe Shireen.
É um filme que respira autenticidade sem romantizar o trauma geracional, que celebra a cultura sem exotificá-la, e que entrega representação queer de forma orgânica. Maryam Keshavarz provou que dá pra fazer cinema sobre nossa experiência sem pedir licença ou explicar demais - apenas existindo, com toda a complexidade que isso envolve.
Embora o filme traga uma proposta interessante ao explorar conflitos culturais e geracionais, senti que ele se distancia bastante da realidade iraniana que conhecemos. O Irã é um país regido por rígidas leis morais, e a maneira como a homossexualidade — especialmente o lesbianismo — é tratada no enredo parece fantasiosa e pouco condizente com o contexto real.
Além disso, a narrativa se perde em devaneios no meio do caminho, desviando do foco principal para depois retornar de forma abrupta e até um pouco aleatória. Essa oscilação prejudicou meu envolvimento com a história e, no geral, o filme não funcionou muito bem para mim.
O filme usa e abusa da quarta parede para narrar a história de uma moça com influências iranianas e norte-americanas,única mulher de uma família grande (mais 7 irmãos), tendo que sobreviver num mundo onde a globalização vai engolindo as particularidades culturais do sujeito.
Stuart Hall, um renomado teórico cultural britânico nascido em 1932 e falecido em 2014, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da teoria cultural e na compreensão das dinâmicas da identidade na pós-modernidade. Sua abordagem crítica foi crucial para examinar como as identidades culturais se formam e são representadas em um mundo cada vez mais complexo e globalizado.
Na visão de Stuart Hall, a identidade cultural na pós-modernidade é caracterizada por uma série de mudanças significativas em relação aos conceitos tradicionais de identidade, marcada pela hibridização, heterogeneidade e acentuando o papel que as diásporas exercem sobre os sujeitos. No caso da nossa protagonista, esse deslocamento de continentes confere tudo aquilo a que essa "aldeia global" (termo de Marshall McLuhan) explora.
Mas infelizmente o filme não entende todo esse potencial cultural multifacetado que tem em mãos, e transforma todo o enredo em uma trama familiar banal. Ainda tentanto emendar um feminismo que em nada lembra os filmes iranianos de Asghar Farhadi (estes sim com algo relevante a dizer), temos então uma trama que vai criando enredos e subterfúgios mas que não se destaca e, pior, estranhamente não emociona. Mais parece um episódio familiar mesmo.
Ainda assim Maryam Keshavarz tem certo domínio com os flashbacks e as caracterizações de seus personagens, e dado o número grande de personagens, consegue focar muito bem em um núcleo envolvendo as matriarcas (a filha, a mãe e a avó). Talvez encontre graça num olhar feminino mais sensível, mas comigo não decolou.
É interessante por tratar de temas tão relevantes e complicados em nossa sociedade de uma maneira leve e divertida. É daquele tipo de filme americano que a gente cansou de ver mas sempre sai com um sorriso estampado no rosto.
Embarquei, ri e me emocionei com a história daquela família e todos os dilemas vividos por cada um deles, em especial a mãe e a filha.
Gosto desse formato de filme , com elementos multicultural, e que usa o humor para tratar de temas mais sérios e complexos, tem umas partes divertidas e outras com boas doses de reflexões, mas sem ficar um filme muito sério, optando por fazer um estilo mais filme-entretimento. Muito legal.
O que mais me impressiona é como a Keshavarz consegue um equilíbrio excelente entre humor e coração. O filme começa quase como uma comédia familiar - você sabe, aquelas situações constrangedoras de reunião de família que a gente reconhece de longe - mas vai ganhando camadas dramáticas conforme os segredos vão sendo revelados.
A relação mãe-filha no centro da narrativa explora cultura e história iraniano-americana, segredos familiares, trauma e amor, e é exatamente isso que me fez suspirar aliviada: finalmente uma produção que não trata a experiência de imigrantes como folclore exótico ou tragédia unidimensional.
Leila mantém a família à distância tentando separar sua "vida real" da vida familiar - algo que qualquer pessoa LGBTQ+ ou de família tradicional vai reconhecer imediatamente. Quando o segredo dela é revelado (e honey, todos nós sabemos como é quando esse momento chega), o filme encontra seu verdadeiro ritmo ao mostrar os paralelos entre sua vida e a da mãe Shireen.
É um filme que respira autenticidade sem romantizar o trauma geracional, que celebra a cultura sem exotificá-la, e que entrega representação queer de forma orgânica. Maryam Keshavarz provou que dá pra fazer cinema sobre nossa experiência sem pedir licença ou explicar demais - apenas existindo, com toda a complexidade que isso envolve.
Embora o filme traga uma proposta interessante ao explorar conflitos culturais e geracionais, senti que ele se distancia bastante da realidade iraniana que conhecemos. O Irã é um país regido por rígidas leis morais, e a maneira como a homossexualidade — especialmente o lesbianismo — é tratada no enredo parece fantasiosa e pouco condizente com o contexto real.
Além disso, a narrativa se perde em devaneios no meio do caminho, desviando do foco principal para depois retornar de forma abrupta e até um pouco aleatória. Essa oscilação prejudicou meu envolvimento com a história e, no geral, o filme não funcionou muito bem para mim.
O filme usa e abusa da quarta parede para narrar a história de uma moça com influências iranianas e norte-americanas,única mulher de uma família grande (mais 7 irmãos), tendo que sobreviver num mundo onde a globalização vai engolindo as particularidades culturais do sujeito.
Stuart Hall, um renomado teórico cultural britânico nascido em 1932 e falecido em 2014, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da teoria cultural e na compreensão das dinâmicas da identidade na pós-modernidade. Sua abordagem crítica foi crucial para examinar como as identidades culturais se formam e são representadas em um mundo cada vez mais complexo e globalizado.
Na visão de Stuart Hall, a identidade cultural na pós-modernidade é caracterizada por uma série de mudanças significativas em relação aos conceitos tradicionais de identidade, marcada pela hibridização, heterogeneidade e acentuando o papel que as diásporas exercem sobre os sujeitos. No caso da nossa protagonista, esse deslocamento de continentes confere tudo aquilo a que essa "aldeia global" (termo de Marshall McLuhan) explora.
Mas infelizmente o filme não entende todo esse potencial cultural multifacetado que tem em mãos, e transforma todo o enredo em uma trama familiar banal. Ainda tentanto emendar um feminismo que em nada lembra os filmes iranianos de Asghar Farhadi (estes sim com algo relevante a dizer), temos então uma trama que vai criando enredos e subterfúgios mas que não se destaca e, pior, estranhamente não emociona. Mais parece um episódio familiar mesmo.
Ainda assim Maryam Keshavarz tem certo domínio com os flashbacks e as caracterizações de seus personagens, e dado o número grande de personagens, consegue focar muito bem em um núcleo envolvendo as matriarcas (a filha, a mãe e a avó). Talvez encontre graça num olhar feminino mais sensível, mas comigo não decolou.
É interessante por tratar de temas tão relevantes e complicados em nossa sociedade de uma maneira leve e divertida. É daquele tipo de filme americano que a gente cansou de ver mas sempre sai com um sorriso estampado no rosto.
Embarquei, ri e me emocionei com a história daquela família e todos os dilemas vividos por cada um deles, em especial a mãe e a filha.