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Dispondo de duas câmeras digitais, Kiarostami e seu assistente viajam para Uganda, país assolado pela crise da AIDS, para gravar um documentário sobre as milhares de crianças portadoras do vírus e os esforços (ou falta deles) em ajudá-las, seja de ONGs de mulheres ou propagandas religiosas do governo.
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Gravado a pedido do Fundo Internacional da ONU para o Desenvolvimento para que a crise que assolava Uganda conseguisse chamar mais atenção da comunidade internacional e assim obter mais recursos. O filme mostra o lado mais triste da sociedade que construímos, pois tudo o que acontece na África é reflexo dos séculos de exploração do continente. Trabalho com muitos africanos (principalmente da Nigéria, Eritreia, Etiópia, Sudão, Gana e Zimbábue) e percebo que uma das piores coisas enraizadas neles é a lavagem cerebral religiosa que os europeus levaram para lá. Nesse filme é possível ver bem isso em um diálogo sobre a igreja não permitir o uso de camisinha. As cenas no hospital é avassaladora, porém, em um mundo onde assistimos a um genocídio em Gaza em tempo real pela internet, tudo parece não chocar tanto mais, e isto me faz indagar o quanto perdemos de nossa humanidade nos últimos anos. Ao pesquisar, parece que a situação de Uganda teve uma melhora a respeito do assunto, o país é referência hoje no combate ao HIV.
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Documentário de cunho de denúncia de Abbas com uma mescla de pena do povo africano que ao meu ver não funciona. Só existe um momento em que Abbas de fato lembra Abbas, na cena em total escuridão, no mais um retrato um tanto piegas e um bastante ordinário da situação.
Lamentável bola fora do genial diretor iraniano: tudo bem que ele expõe o caráter encomendado do projeto logo na cena inicial, mas isto não justifica o modo atroz como o diretor se posiciona frente ao tema que lhe ofertaram: os africanos são tratados como animais semi-adestrados, sendo a voz concedida mui tardiamente a um casal branco, obviamente, bem como à própria equipe do filme, que proclama uma moral duvidosa diante da AIDS enquanto "conseqüência das escolhas que se fazem na vida". Como assim?! Fiquei aterrado ao longo de toda a sessão. Felizmente, não estava só, ufa! Abominável documentário intencionalmente deformado, cujo tema verdadeiro é o deslumbramento perante as câmeras digitais. Absolutamente ultrajante, desde a generalização do título, urgh! (WPC>)
não é dos melhores documentários que já vi.
fui só eu que achei incrivelmente estúpido fomentarem o sistema de crédito naquelas condições? pff.
Retrata toda a miséria o mal causado pela AIDS e pela guerra civil, faz críticas ao descaso mundial e ao Papa, mas mostra também, que apesar das mazelas é possível encontrar alegria naquele país. Imagens deslumbrantes de crianças brincando, cantando e dançando num chão barrento ganham destaque no filme. E agente se pergunta: como elas conseguem sorrir vivendo nesse tipo de cenário? como conseguem ser felizes? Kiarostami faz essa pergunta a um adulto sorridente que espantado com a indagação simplesmente responde "porque Deus me ama".