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Data de lançamento
12 Set. 1992Duração
O protagonista, Ben (Poelvoorde), ganha a vida matando, diariamente. Mata a torto e a direito todo tipo de deserdados da sorte, jamais um milionário. Para Ben, "se você mata uma baleia, será perseguido pelos ecólogos, pelo Greenpeace, pelo comandante Custeau... mas se você fatura um cardume de sardinhas, garanto, eles te ajudam a carregá-las." Para demonstrar o que diz, Bem aceita ser acompanhado por uma equipe de reportagem.
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Achei uma porcaria...
A violência banalizada e transformada em espetáculo. E jornalistas que abrem mão da ética pela notícia a todo custo. Um filme visionário
Estive pensando:
Quem é mais filho da puta, o Juiz Holden, de Meridiano de Sangue, Ben, de Aconteceu Perto da sua Casa, ou o Anton, de Onde os Fracos não Têm Vez.
Embora não tenham nada a ver uma com as outras, com exceção de que "Onde os Fracos não Têm Vez" é baseado na obra de Cormac McCarthy, autor de "Meridiano de Sangue", as três personagens, figuras antagônicas e essenciais para suas obras, tecem, em tons proféticos, os declínios de seus tempos e contextos.
Em "Man Bites Dog" (1992), título muito superior ao original, e que de certa forma corrobora a ideia de espetáculo do declínio moral — uma das regras primárias do jornalismo "só é notícia quando o homem morde o cachorro", a narrativa gira em torno de Ben, uma espécie de ressignificação da persona do homem pré-pós-modernidade, arquétipo muito bem conhecido em obras existencialistas, e sua perspectiva do real — deturpada.
A narrativa é uma convergência entre o real e o absurdo, e a figura de Ben torna-se o amálgama dessa obra que tramita entre o terror — no significado mais puro e grotesco — e o humor mórbido que agrava ainda mais a experiência naturalista — cortesia da direção de arte que, embora tenha alguns deslizes — por exemplo, os corpos desovados e algumas cenas que rompem com o modelo proposto pelo mockumentary —, sustenta a narrativa até o fim.
O tom profético em "Aconteceu Perto da sua Casa" (1992) sentencia e cessa vidas em espaços cotidianos que distanciam a obra de um regime simulacral " a violência abre um caminho ao romper a virtualidade numa realidade social determinada pelo simulacro" (Schollhammer, 2013); o apocalipse, proclamado na onomatopeia oca do revolver, nas ausência de lógica no assassino, no belo incompreensível da poesia e na vida do dia a dia, não é um apocalipse ruidoso profetizado na Bíblia Sagrada — o enunciado pelas trombetas. É um apocalipse trazido pelos pombos, e embora eu prefira o título "Man Bites Dog", não posso negar que o título original "C'est arrivé près de chez vous" — aconteceu perto de você — também é profético.
Nunca sabemos quantos corpos têm enterrados no terrado baldio ao lado.
Filminho bem diferente. Quantos Ben não temos por aí.
Revisão de um dos filmes mais insanos listado na minha lista de favoritos. Acompanhamos um falso documentário sobre uma equipe de filmagem que decide gravar o dia a dia de um psicopata, filmando entrevistas, a relação muito boa que o assassino tem com a família e amigos, mas também os seus atos cruéis, como assassinar e esconder os corpos de suas vítimas. Filme totalmente maluco que mistura o tom documental grotesco com humor ácido totalmente agressivo.
*Dica: O Que Fazemos nas Sombras (2014)