Na violenta Belfast dos anos 1980, ativista norte-americano e policial inglês juntam suas forças para tentar revelar o mistério em torno do assassinato de um advogado dos direitos humanos.
Acredito ser a obra mais dentro da casinha de Ken Loach, lembrando até alguns filmes americanos "de Oscar". Acho que o distanciamento que ele cria com seus personagens, acaba prejudicando um pouco a experiência ao ver o filme, funcionando mais como um documento da situação política na Irlanda naquela época.
"Pensei na minha terra ao longo destes dias, por que meu país estava dividido; por que eu estava no cárcere, preso sem crime ou julgamento; e agora eu amo meu país, não sou um ressentido; eu vi crueldade e injustiça com meus próprios olhos, e então numa manhã fatídica apertei a mão da liberdade; para o bem ou para o mal tentei libertar a minha terra; e você ousa me chamar de terrorista enquanto me aponta o seu fuzil"
É o que cantam dois sujeitos irlandeses em um abarrotado e espremido "clube republicano" de Belfast, regados a muita conversa e cerveja; a cena, em espaço fechado, trata de como o nacionalismo irlandês sobreviveu (e ainda sobrevive) nas margens do poder britânico; de tudo se tenta para angariar causa e fundos: desde estratégias de nomes para instituições - e com o cuidado de escapar de qualquer identificação com o IRA e não sofrer uma violência policial (maior) por associações com o grupo extremista - até a venda de "ingressos de futebol" que, na verdade, vão para os cofres destas pequenas instituições que sobrevivem e brigam, seja nos espaços públicos e legitimados como palanques públicos, panfletos e declarações, seja naqueles de luta armada, de guerrilha nos campos e cidades, pela autonomia "irish".
"Agenda Secreta" me pareceu um interessante filme por parte do Ken Loach contra o imperialismo britânico que luta por fazer-se presente sobre as demais ilhas "forçadas" à se juntarem (curvarem é o termo mais exato) perante o trono real inglês; "1169", a data marcante, arraigada na memória até da gente comum, dos de baixo, do início das lutas contra a presença britânica em território irlandês: "800 anos, [...] é o tempo que temos lutado pela independência", diz
Molloy, motorista do carro que guiava o advogado estadunidense, e libertário-progressista, Paul Sullivan ao encontro de uma "fonte quente". Ambos brutalmente assassinados numa tramoia policial das forças de poder, típicas de uma repressão imperialista.
Infelizmente o filme de Loach pecou pra mim em alguns aspectos, que se fazem sentir no decorrer da narrativa: não é meio evidente que
mesmo numa situação de verossimilhança para com a realidade e com o que ocorreu, seria impensável as forças policiais inglesas enviarem um sujeito como Peter Kerrigan - sujeito crítico e que constrói uma imagem de si como um homem acima de partidarismos e lados políticos, um verdadeiro servente do Estado, como o mesmo se define?
Achei essa perspectiva um tanto romântica, e desnecessária, que comprometeu um pouco a proposta sugerida pelo Loach.
"Belfast me lembra o Chile", chega a dizer Ingrid Jessner; "me dá essa sensação", complementa em resposta à oposição feita a pouco por Paul. "Assassinatos, tortura, intriga", comenta. A resposta de Paul, entretanto, é a mais eurocêntrica possível: "seja realista, o que aconteceu no Chile não pode acontecer aqui".
Eurocêntrica e, tal como muitas ramificações desse tipo de pensamento provariam-se, errada. O entrevero inglês com a Irlanda - e ilegalidades cometidas por ambos os lados da contenda -, os ataques do ETA e as relações do País Basco com a Espanha e a França. A Guerra da Bósnia, e o massacre étnico nos Bálcãs. Provas de que demandas e ações imperialistas causam reações tão chocantes, bárbaras e desnecessárias quanto às da América, África ou Ásia.
Denunciando as falcatruas cometidas em nome do poder,Ken loach a muito tempo vem fazendo cinema como arma para mostrar as engrenagens secretas,o verdadeiro poder do estado,usado muitas vezes para oprimir.aqui o foco é o conflito irlandês(que hoje parece resolvido) pano de fundo para desmascarar o vale tudo em busca do controle político. Filme da década de noventa que não envelheceu,as práticas continuam as mesmas.
Mto bom ver o Cox novinho!!!!! rs
Achei morno, apesar da Frances McDormand
Acredito ser a obra mais dentro da casinha de Ken Loach, lembrando até alguns filmes americanos "de Oscar". Acho que o distanciamento que ele cria com seus personagens, acaba prejudicando um pouco a experiência ao ver o filme, funcionando mais como um documento da situação política na Irlanda naquela época.
"Pensei na minha terra ao longo destes dias, por que meu país estava dividido;
por que eu estava no cárcere, preso sem crime ou julgamento; e agora eu amo meu país, não sou um ressentido;
eu vi crueldade e injustiça com meus próprios olhos, e então numa manhã fatídica apertei a mão da liberdade;
para o bem ou para o mal tentei libertar a minha terra; e você ousa me chamar de terrorista enquanto me aponta o seu fuzil"
É o que cantam dois sujeitos irlandeses em um abarrotado e espremido "clube republicano" de Belfast, regados a muita conversa e cerveja; a cena, em espaço fechado, trata de como o nacionalismo irlandês sobreviveu (e ainda sobrevive) nas margens do poder britânico; de tudo se tenta para angariar causa e fundos: desde estratégias de nomes para instituições - e com o cuidado de escapar de qualquer identificação com o IRA e não sofrer uma violência policial (maior) por associações com o grupo extremista - até a venda de "ingressos de futebol" que, na verdade, vão para os cofres destas pequenas instituições que sobrevivem e brigam, seja nos espaços públicos e legitimados como palanques públicos, panfletos e declarações, seja naqueles de luta armada, de guerrilha nos campos e cidades, pela autonomia "irish".
"Agenda Secreta" me pareceu um interessante filme por parte do Ken Loach contra o imperialismo britânico que luta por fazer-se presente sobre as demais ilhas "forçadas" à se juntarem (curvarem é o termo mais exato) perante o trono real inglês; "1169", a data marcante, arraigada na memória até da gente comum, dos de baixo, do início das lutas contra a presença britânica em território irlandês: "800 anos, [...] é o tempo que temos lutado pela independência", diz
Molloy, motorista do carro que guiava o advogado estadunidense, e libertário-progressista, Paul Sullivan ao encontro de uma "fonte quente". Ambos brutalmente assassinados numa tramoia policial das forças de poder, típicas de uma repressão imperialista.
Infelizmente o filme de Loach pecou pra mim em alguns aspectos, que se fazem sentir no decorrer da narrativa: não é meio evidente que
mesmo numa situação de verossimilhança para com a realidade e com o que ocorreu, seria impensável as forças policiais inglesas enviarem um sujeito como Peter Kerrigan - sujeito crítico e que constrói uma imagem de si como um homem acima de partidarismos e lados políticos, um verdadeiro servente do Estado, como o mesmo se define?
"Belfast me lembra o Chile", chega a dizer Ingrid Jessner; "me dá essa sensação", complementa em resposta à oposição feita a pouco por Paul. "Assassinatos, tortura, intriga", comenta. A resposta de Paul, entretanto, é a mais eurocêntrica possível: "seja realista, o que aconteceu no Chile não pode acontecer aqui".
Eurocêntrica e, tal como muitas ramificações desse tipo de pensamento provariam-se, errada. O entrevero inglês com a Irlanda - e ilegalidades cometidas por ambos os lados da contenda -, os ataques do ETA e as relações do País Basco com a Espanha e a França. A Guerra da Bósnia, e o massacre étnico nos Bálcãs. Provas de que demandas e ações imperialistas causam reações tão chocantes, bárbaras e desnecessárias quanto às da América, África ou Ásia.
Denunciando as falcatruas cometidas em nome do poder,Ken loach a muito tempo vem fazendo cinema como arma para mostrar as engrenagens secretas,o verdadeiro poder do estado,usado muitas vezes para oprimir.aqui o foco é o conflito irlandês(que hoje parece resolvido) pano de fundo para desmascarar o vale tudo em busca do controle político.
Filme da década de noventa que não envelheceu,as práticas continuam as mesmas.