À bordo do rebocador Cyclone, o capitão André Laurent arrisca sua vida todos os dias, para salvar as dos outros. Ele é casado com Yvonne, que sonha que ele vai largar esse emprego. Ela esconde uma doença grave dele. O capitão Laurent deixa o casamento de um de seus marinheiros para resgatar o cargueiro Mirva, deixando sua mulher Yvonne e a noiva. O resgate termina bem-sucedido. De manhã, Cyclone reboca Mirva. André se apaixona por Catherine, mulher do capitão do Mirva e ela se torna sua amante. André deixa sua mulher, mesmo gravemente doente, e ela morre em seus braços. Catherine, em seguida, desaparece.
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Nunca tinha visto nada do Jean Grémillon, e fui "iludido" pela colaboração do Jacques Prévert no roteiro. Porém, o percurso dele é próprio: inicia-se com um realismo de abordagem profissional (que, de alguma forma, espelha o período bélico em que ele foi produzido, audaciosamente) e, de repente, mergulha num melodrama sumamente fascinante, até culminar no baque extremo, na dor ressignificada pela continuidade da entrega 'workaholic'. Jean Gabin interpreta um personagem sóbrio e modular, que evita contaminar-se pelas convenções do machismo da época: quando o adultério "consentido" passa a ser instaurado, isso ocorre sob o olhar apaixonado, porém crítico, da magnífica personagem de Michèle Morgan, que chega mesmo a perguntar se a crise matrimonial do capitão André não foi uma conveniência surgida a partir do encontro entre eles. O uso da trilha musical é bastante inventivo (no jogo entre execuções diegéticas ou não) e a fotografia possui extraordinário aproveitamento dos fundos de cena e do atravessamento entre espaços. Ótimo quando se conversa sobre a exagerada tolerância do personagem corno, em relação ao comportamento de sua esposa. Não sabia nada sobre o estilo do diretor, saí da sessão encantado, querendo ver os seus demais filmes. Muito bonito! (WPC>)
Jean Gabin é ótimo, mas é o típico filme que valoriza o protagonista por seu forte caráter ético, mas bastam duas palavras pra abaixar o zíper - e o público fica com a missão de simpatizar com as crises consequentes disso. Não cola mais, mas o filme é extremamente bem feito, direção quase impecável.