Isabelle (Huppert) é uma ex-freira que ganha à vida escrevendo pornografia. Ela encontra Thomas (Donovan), que está com amnésia. A partir disso os dois vão em busca do passado de Thomas.
Não portam uma arma sequer, empurram Edward até o galpão como se estivessem guiando uma criança perdida, e ainda cometem a proeza de deixá-lo vivo. A incapacidade desses personagens beira o ridículo.
A mudança de Edward é outro ponto curioso: depois de sair da delegacia, ele simplesmente não fala mais uma palavra durante o resto do filme, como se tivesse definitivamente surtado. Isso culmina na cena em que ele atira contra o último capanga que restou. O homem leva tiros de vários ângulos, não cai, continua andando como se nada tivesse acontecido
— um exagero forçado que destoa ainda mais da narrativa.
Daí vemos aquele grupo improvável reunido no convento: a ex-freira, o cara que perdeu a memória, a atriz pornô baleada e o doido que quase morreu, surtado, que não fala mais nada e com o cabelo parecendo o Einstein.
No entanto, a promessa central da trama não se cumpre.
No final, Sofia fala para Isabel quem era Thomas, mas o filme em momento algum revela essa informação para o espectador. Ficamos sem saber do que o filme realmente se trata. O mesmo acontece com a trama de Jaque e os disquetes: era para ser a motivação principal, mas acaba relegada ao fundo, mal desenvolvida. Nada é explicado.
Aliás, até fazem piadinhas com o disquete: se o CD já era considerado velho, imagina o disquete...
As cenas se acumulam em incoerências. A mulher retorna ao convento vestindo lingerie — uma ex-freira conhecida naquele lugar, voltando assim... O policial atira em Thomas sem ele ter feito absolutamente nada, sequer foi ordenado a se render, simplesmente dispara. Depois, diz que não era quem estavam procurando
— uma palhaçada, inoperância total. Um lixo. É forçar demais um barato desses, clk.
Outro problema gravíssimo é que não criamos empatia por nenhum personagem. Isso se deve em grande parte ao roteiro, que não desenvolve ninguém.
Thomas é o maior exemplo: sua identidade nunca é revelada de fato, e todos os personagens soam extremamente vazios, sem qualquer camada de profundidade.
Por fim, a cena final é o cúmulo da frustração. Thomas é baleado. Isabel já sabia quem ele era, pois Sofia havia contado. O policial pergunta se ela o conhecia e ela responde que sim, porque agora realmente o conhecia. Mas para nós, quem ele era mesmo nunca é revelado.
Fica a sensação de termos acompanhado uma história que não leva a lugar algum.
O melhor filme que assisti do Hal Hartley ainda é Confiança, mas sempre tive curiosidade de assistir esse aqui. Infelizmente fui assistir esperando um pouco mais do filme. É bem parecido com os outros filmes do diretor que assisti (é estranho, tem um clima diferente e ainda tem aquela pegada alternativa). Não achei ruim, mas também não consegui me agradar muito.
O filme é de Isabelle Huppert!! ❤️❤️
18.08.2006
O filme Amateur (1994) já começa criando expectativas que nunca consegue cumprir. Logo aparecem aqueles dois capangas do Jaque, completamente inúteis.
Não portam uma arma sequer, empurram Edward até o galpão como se estivessem guiando uma criança perdida, e ainda cometem a proeza de deixá-lo vivo. A incapacidade desses personagens beira o ridículo.
A mudança de Edward é outro ponto curioso: depois de sair da delegacia, ele simplesmente não fala mais uma palavra durante o resto do filme, como se tivesse definitivamente surtado. Isso culmina na cena em que ele atira contra o último capanga que restou. O homem leva tiros de vários ângulos, não cai, continua andando como se nada tivesse acontecido
Daí vemos aquele grupo improvável reunido no convento: a ex-freira, o cara que perdeu a memória, a atriz pornô baleada e o doido que quase morreu, surtado, que não fala mais nada e com o cabelo parecendo o Einstein.
No entanto, a promessa central da trama não se cumpre.
No final, Sofia fala para Isabel quem era Thomas, mas o filme em momento algum revela essa informação para o espectador. Ficamos sem saber do que o filme realmente se trata. O mesmo acontece com a trama de Jaque e os disquetes: era para ser a motivação principal, mas acaba relegada ao fundo, mal desenvolvida. Nada é explicado.
As cenas se acumulam em incoerências. A mulher retorna ao convento vestindo lingerie — uma ex-freira conhecida naquele lugar, voltando assim... O policial atira em Thomas sem ele ter feito absolutamente nada, sequer foi ordenado a se render, simplesmente dispara. Depois, diz que não era quem estavam procurando
Outro problema gravíssimo é que não criamos empatia por nenhum personagem. Isso se deve em grande parte ao roteiro, que não desenvolve ninguém.
Thomas é o maior exemplo: sua identidade nunca é revelada de fato, e todos os personagens soam extremamente vazios, sem qualquer camada de profundidade.
Por fim, a cena final é o cúmulo da frustração. Thomas é baleado. Isabel já sabia quem ele era, pois Sofia havia contado. O policial pergunta se ela o conhecia e ela responde que sim, porque agora realmente o conhecia. Mas para nós, quem ele era mesmo nunca é revelado.
A policial boazinha Melville que no final ainda tenta ser empática com Edward e acaba se fudendo.
Tudo isso soma-se a um conjunto de ideias jogadas que nunca são exploradas, deixando a impressão de um filme fragmentado e vazio.
Assistido em 02/10/2025
26.04.2000
O melhor filme que assisti do Hal Hartley ainda é Confiança, mas sempre tive curiosidade de assistir esse aqui. Infelizmente fui assistir esperando um pouco mais do filme. É bem parecido com os outros filmes do diretor que assisti (é estranho, tem um clima diferente e ainda tem aquela pegada alternativa). Não achei ruim, mas também não consegui me agradar muito.