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Duração
Amor e Raiva é um filme de cinco episódios:A indiferença, de Carlo Lizzani
Uma jovem é estuprada na frente do seu prédio enquanto seus vizinhos assistem indiferentes à cena.
Agonia, de Bernardo Bertolucci.
O grupo teatral de vanguarda Living Theatre representa os últimos momentos de um homem. .
A seqüência da flor de papel, de Pier Paolo Pasolini.
Imagens dos horrores do Vietnã e dos crimes nazistas são sobrepostas ao caminhar despreocupado de um jovem pelas ruas de Roma. .
O amor, de Jean-Luc Godard.
Um casal discute sobre vários temas, como guerra, exploração e inocência. .
Discutamos, discutamos, de Marco Bellocchio.
Um grupo de estudantes interrompe uma palestra e começa um debate sobre a guerra do Vietnã, entrando em conflito com a platéia. .
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Impressionante que toda vez que grandes diretores se reúnem nunca sai algo como deveria ser.Aqui,temos episódios medianos,algo que poderia render muito mais.São histórias sem finais,sem rumo.Não existe aquela originalidade de cada diretor.
>Maratona Bernardo Bertolucci - Assistido em 22 de Dezembro de 2023
Como é de praxe nesse tipo de filme em episódios com vários diretores, o resultado é bem irregular. Mas no meio há uma pequena obra-prima: "A Seqüência da Flor de Papel", de Pasolini.
Isto posto, é possível dizer que há - num continuum - enormes erros e acertos nos curtas.
O maior acerto, sem dúvidas, é o de Pasolini: ele fez simplesmente um clássico, uma obra-prima sobre o estatuto do sujeito histórico, sua formação e deformação, sempre dividido entre a função social e seu nome, sua vida mais particular. Vale ver a espécie de "continuação" desta obra que é Redemption, de Miguel Gomes: outra obra-prima.
Bertolucci fez também um filme maravilhoso, colocando diante da câmera dois planos distintos de representação da morte, duas concepções estéticas: a do teatro que surge a partir de Kantor, de Artaud, e a da verossimilhança narrativa clássica. Neste ponto, o "me deixe sozinho" do moribundo ganha uma outra perspectiva, diante da avalanche de signos e representações sobre a morte que circulam e que se sobrepõem. Um filme atento à mediação da linguagem diante do "real".
A sequência de Godard, em sua metalinguagem, é muito interessante, ainda que, como nos seus filmes pós-68, seja difícil de ser interpretada. Ali está novamente uma relação sobre a relação entre sujeito histórico e relação interpessoal, disposta nos termos em que se dá a incomunicabilidade em dado contexto histórico.
As demais sequências estão muito abaixo das demais. Lizzani faz uma grande direção a partir de um roteiro clichê e frouxo; já Bellocchio faz um filme de fatura muito confusa, em que não se sabe o que está disposto, quem está sendo criticado, que caminho é proposto...
Mas Amor e Raiva, apesar dos pesares, ainda é um compilado que vale muito a pena. Basta boa-vontade mesmo.
O termo "cult" - usado tanto positivamente quanto negativamente - é uma das pseudocategorias de análise mais preguiçosas que o ser-humano já criou ("pedante" também neste seleto grupo). Cult por quê? Porque o filme não é fácil de ser entendido em sua fatura? Ora, se alguém acha que a dificuldade de entendimento de uma obra é um ponto positivo ou negativo a priori, temos então uma confissão de classe e de ideologia: se o filme é bom porque quase ninguém entende, está implícito que a "grande arte" deve ser para poucos; por outro lado, se o filme é ruim porque quase ninguém entende, a mensagem é a de que o cinema deve seguir um discurso linear e óbvio, previsível e comercial. De lado a lado, Maikóvski recitando "Incompreensível para as Massas".
Mas ver o filme que é bom, nada.
Nota alta, comentários elogiando, aí você vai assistir e é o maior mico! Uma forçação de barra pra parecer cult, abstrato, mas na real é só sem sentido mesmo! Tempo jogado no lixo. A sinopse é a melhor coisa desse treco aí, sem dúvidas... além de sentir vergonha alheia todo o tempo, fiquei pensando quem investe dinheiro pra fazer uma porcaria dessa. Felizmente eu só perdi tempo assistindo os dois primeiros micos.
Enfim, a fórmula disso é: pega uns autores consagrados, tenha uma ideia aparentemente ok e faça cenas sem sentido de mais de 10 pessoas gemendo, se jogando no chão por longos minutos que parecem uma vida, e chame isso de cult.
Pedante, excessivamente pedante!