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Data de lançamento
11 Maio 2001Duração
Levemente baseado no conto de Joseph Conrad, "The Heart of Darkness", o filme adapta o conto para a Guerra do Vietnã. Um jovem capitão americano recebe a tarefa de caçar e matar um dos seus, um coronel, aparentemente enlouquecido. O coronel perturbado assassinou centenas de pessoas inocentes e construiu um reino estranho para si mesmo na selva, onde ele é endeusado por seus seguidores.
Em 2001, Coppola lançou Apocalypse Now Redux nos cinemas e, posteriormente, em DVD. Esta é uma versão estendida, que restaura 49 minutos de cenas cortadas do filme original.
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Essa foi a primeira versão que vi inteira do filme, comprei o dvd lá trás em 2000 e alguma coisa, achei muito doido poder ver na íntegra, é longo mas até gosto de reassistir ele. Agora quero ver o Final Cut que reza a lenda é a preferida do diretor e dizem as más línguas que ele refez pra levantar grana e lançar outro filme. Sei lá, esse Redux pra mim é a obra final e acho bem foda.
"O branco sai, o amarelo fica"
Que baita filme! Vários momentos memoráveis. Tantas mensagens bastante atuais. E muitas interpretações memoráveis. Robert Duvall merecia muito ter vencido o Oscar de melhor ator coadjuvante. Que atuação espetacular!
Poucos filmes conseguem transmitir uma sensação tão sufocante quanto Apocalypse Now. Quando os créditos começam a subir, não fica apenas a impressão de ter assistido a uma história de guerra; permanece um desconforto profundo, como se a própria lógica do mundo tivesse sido colocada em xeque. É uma experiência perturbadora, repleta de imagens e reflexões que continuam ecoando muito depois do término da sessão.
Entre tantas passagens memoráveis, uma frase resume com brutal clareza o espírito da obra: "Vocês estão lutando pelo maior nada da História." Talvez nenhuma outra definição consiga expressar tão bem a visão devastadora que o filme apresenta sobre a Guerra do Vietnã.
Francis Ford Coppola não constrói um simples relato militar. Seu objetivo é muito mais ambicioso: utilizar o conflito como uma metáfora para investigar a deterioração da civilização moderna. Em determinado momento, um oficial interpretado por Robert Duvall abandona completamente a lógica da sobrevivência e se preocupa mais em surfar do que com o caos absoluto ao seu redor. Helicópteros atacam, bombas explodem, soldados morrem e aldeias são destruídas, e nada disso parece interromper sua busca por uma onda perfeita. O absurdo da situação causa estranhamento, e é justamente esse estranhamento que define a essência do filme. O mundo retratado por Coppola perdeu completamente o senso de normalidade.
Inspirado livremente em Heart of Darkness, de Joseph Conrad, o filme acompanha a missão do Capitão Benjamin Willard, encarregado de localizar e eliminar o Coronel Walter Kurtz. Antigo oficial respeitado do exército americano, Kurtz rompeu com a cadeia de comando e passou a governar uma comunidade isolada no coração da selva. A viagem de Willard pelo rio funciona como uma descida gradual ao irracional. Cada parada revela um novo aspecto da insanidade produzida pela guerra, aproximando o protagonista de uma compreensão desconfortável: talvez Kurtz não seja simplesmente um louco, e sim alguém que enxergou uma verdade que os demais se recusam a aceitar.
A narrativa sugere constantemente que os pilares morais da sociedade foram destruídos. Nesse sentido, o filme dialoga diretamente com a famosa declaração de Friedrich Nietzsche sobre a morte de Deus. Se não existem mais referências morais sólidas, o que resta é um ambiente dominado pela violência, pela força e pelos instintos mais primitivos. A guerra surge como o cenário ideal para demonstrar esse colapso ético, transformando a selva vietnamita em uma representação simbólica de um mundo abandonado à própria brutalidade.
Ao longo da jornada, Coppola acumula situações que parecem desafiar qualquer noção de racionalidade. O comandante que transforma ataques aéreos em espetáculo ao som de música clássica, os eventos organizados para elevar a moral das tropas que terminam em descontrole coletivo e a completa desorganização militar contribuem para construir um universo em que a insanidade deixa de ser exceção e passa a ser regra. Dentro dessa lógica perversa, a visão de Kurtz ganha força: em um ambiente completamente enlouquecido, talvez a única maneira de preservar a própria sanidade seja aceitar a loucura.
As interpretações elevam ainda mais essa proposta. Martin Sheen entrega um protagonista consumido gradualmente pelo ambiente ao seu redor. Desde os primeiros minutos, Willard demonstra sinais de desgaste psicológico, e a viagem apenas intensifica esse processo. Cada experiência o afasta um pouco mais da normalidade e o aproxima do homem que foi enviado para eliminar.
Já Marlon Brando constrói um Kurtz enigmático, e profundamente simbólico. Mais do que um antagonista, ele representa o destino possível de qualquer soldado submetido por tempo suficiente ao horror da guerra. Kurtz não abandona o sistema por rebeldia; abandona porque conclui que obedecer cegamente a ordens absurdas é uma forma ainda maior de insanidade. Sua ruptura com a hierarquia militar é também uma ruptura com as ilusões que sustentam aquela guerra.
Por isso, Apocalypse Now funciona menos como um filme bélico tradicional e mais como uma viagem filosófica às regiões mais obscuras da natureza humana. As batalhas impressionam pela escala e pelo impacto visual, agora o verdadeiro foco está nas consequências psicológicas da violência. O conflito serve apenas como cenário para uma reflexão muito mais ampla sobre poder, moralidade, sobrevivência e loucura.
Uma das cenas mais emblemáticas ocorre quando Willard pergunta quem está comandando determinada operação militar. A resposta recebida é outra pergunta: "Não é você?". Em poucos segundos, o filme sintetiza sua principal crítica. Não existe coordenação, não existe propósito claro e não existe direção. Há apenas homens perdidos em uma máquina de destruição que parece operar por inércia. Essa sequência resume perfeitamente a visão de Coppola sobre o Vietnã: uma guerra marcada pela confusão, pelo desperdício de vidas e pela incapacidade de seus líderes de compreenderem aquilo que estavam fazendo.
Talvez seja exatamente por isso que Apocalypse Now permaneça como uma das maiores realizações da história do cinema. Não apenas por sua excelência técnica ou artística, mas porque consegue transformar um episódio histórico em uma reflexão universal sobre os limites da razão humana quando confrontada com o horror.
Entre os grandes filmes sobre a Guerra do Vietnã, poucos alcançam o mesmo nível de profundidade. Obras como Platoon, Nascido para Matar, Nascido em 4 de Julho, Pecados de Guerra, Bom Dia, Vietnã e Fomos Heróis oferecem perspectivas valiosas sobre o conflito. Ainda assim, é impossível ignorar a importância de O Franco Atirador, filme que ajudou a romper o silêncio de Hollywood sobre o tema e abriu caminho para muitas produções posteriores.
Também merece destaque Rambo: Programado para Matar. Embora se concentre no período posterior ao conflito, o filme retrata de maneira contundente os traumas psicológicos carregados pelos veteranos abandonados pela sociedade após seu retorno. Seu desfecho permanece como uma das representações mais marcantes das cicatrizes invisíveis deixadas pela guerra.
PS: Também vale lembrar da franquia Braddock, estrelada por Chuck Norris. Embora esteja mais próxima do cinema de ação do que do drama de guerra tradicional, seus filmes exploram questões envolvendo prisioneiros de guerra e o legado do Vietnã, tornando-se obras bastante populares entre os fãs do gênero.
Marquei esse, porém, assisti ao Apocalypse Now - Final Cut, que não está cadastrado aqui. Demorei muito pra assistir, deveria ter visto bem antes, sim ...mas ele é tão atual que vale muito em qq época. Marlon Brando, em tão pouco tempo de tela, rouba o filme pra ele. Incrível.