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No filme Apolo, Isis Broken e Lourenzo Gabriel relatam com detalhes a dificuldade de existir como um casal transgênero dentro do país que, até hoje, mais assassina pessoas trans em todo o mundo. A luta deles se intensifica quando descobrem uma gravidez concebida naturalmente durante a pandemia da COVID-19. Apesar de todo o ódio que receberam, eles seguiram adiante e resistiram, para receberem um pré-natal inclusivo, respeitoso e especializado
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Documentário brasileiro exibido nos festivais do Rio e Mix Brasil, o filme de estreia das atrizes Tainá Müller e Ísis Broken trata de uma temática delicada, sobre a espera do nascimento de um bebê gestado por um casal transgênero. O casal é formado pela atriz e artista musical Isis Broken (a diretora) e o parceiro Lourenzo Gabriel, e o bebê na barriga é Apolo. Entre o casal vemos os dilemas e os dramas, como preconceito na sociedade e a luta por igualdade nos direitos básicos de saúde, moradia e reconhecimento. É um homem trans que está grávido, e a esposa, mulher trans, em plena pandemia da Covid-19, um período marcado pela insegurança. A rotina de ambos é uma batalha intensa por igualdade e respeito, em um país que mata 120 transexuais e travestis por ano, um dos mais violentos para esta comunidade. O filme começou a ser gravado na pandemia e terminou recentemente, em que as diretoras escutam duas vozes centrais, de Isis e Lorenzo, permeadas pela ansiedade da espera de Apolo (que na mitologia grega é um dos deuses mais importantes, com atributos relacionados ao sol, às artes, à luz e à profecia). Acompanhamos as conversas do casal, o amor, as rejeições e as barreiras na sociedade – há momentos constrangedores e tensos gravados via celular por Isis e Lourenzo, muitos nos atendimentos no hospital, quando foram humilhados por funcionários e por quem aguardava na recepção. Os ataques sofridos e a negação da identidade abrem uma forte reflexão sobre gênero e sexualidade. Também falam no filme amigos e familiares de ambos. Um filme autoral sensível e aberto ao diálogo, sobre famílias trans e novos conceitos de família, maternidade e paternidade. Ganhou os prêmios de melhor documentário e melhor trilha sonora original no Festival do Rio e o Coelho de Prata - Prêmio do Público no Mix Brasil. Produzido pela Capuri, Puro Corazón e Biônica Filmes, esta última também distribuidora do filme. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
Como a isis Broken é uma artista daqui de Sergipe, a qual admiro pela originalidade de sua persona "bruxa cangaceira", e acompanhei as lamentáveis e cumulativas denúncias de transfobia, nas épocas em que elas aconteceram, temi que o filme fosse pesado no modo como traria à tona tais situações. Mas o título do documentário dá a tônica: é um filme sobre amor, a partir da perspectiva de extrema doação de seus pais à sua concepção, geração e criação. Não tem como não se comover com as dores e preocupações sentidas por Lourenzo, inclusive no dramático momento em que cogita a possibilidade de precisar amamentar e, com isso, ativar um trama disfórico. Os instantes de conversa entre os personagens reais são sinceros, eliminando a impressão inicial, para quem não sabia os detalhes do romance entre eles, de programação midiática da gravidez. Gostei particularmente de como o programa "Bom Dia & Cia." serve como elo de recuperação afetiva para ambos, sendo muito tocante algo que acontece com o boneco de pelúcia Melocoton, em determinado momento do filme. Fico sempre impressionado com a beleza e expressividade da Ísis e achei valioso que trechos de suas canções se insurgissem na trilha original do Plínio Profeta. Filmicamente, o filme não inova muito, parecendo um videoclipe estendido, por vezes, de modo que não dá para discernir em que sentidos a Tainá Müller contribuiu enquanto co-diretora, já que Ísis Broken controla o seu próprio diário audiovisual com muito cuidado, inclusive narrando de maneira graciosa o documentário, direcionando-o assertivamente para o filho Apolo. Foi bom estar em companhia do casal e perceber que eles foram beneficiados com uma cura tardia e mútua para tantos machucados infantis. Sucesso para esta família merecidamente feliz, enquanto escolha. É um filme que, por aquilo que expõe, estimula possibilidades de transformação social e acolhimento, ainda que não seja memorável em termos lingüísticos. O que importa? Que o amor vence - e gera e faz crescer. Belo exemplo pragmático, que atinja o vasto público! (WPC>)