Nina, uma obstetra-ginecologista, enfrenta acusações após a morte de um recém-nascido. Sua vida passa por escrutínio durante a investigação. Ela persiste em seus deveres médicos, determinada a fornecer cuidados que outros hesitam em oferecer, apesar dos riscos.
É uma ideia interessante mas eu não estava na vibe de filme lento no dia que assisti. Mas é interessante e inclusive dá para relacionar a ignorância em relação ao aborto a várias outras questões...
O Filme mostra muito como é a sensação de fazer algo que muitos são contra em uma sociedade que nos transforma em um monstro. Mas na verdade, como a protagonista diz, alguém tem que fazer! Alguém tem que ser esse "monstro", que na verdade é uma pessoa corajosa em meio a muitos que a julgam, outros que não tem coragem. Gostei da fotografia do filme também, das passagens que mostram as estradas. O filme mostra também partos (cesária e natural) e uma simulação de aborto o que dá uma sensação bem realística e nos faz refletir sobre esses procedimentos.
Tema sempre pesado e necessário.
Rodado na Geórgia, ex-República Soviética, a coprodução Geórgia, Itália e França ganhadora do prêmio especial do Júri no Festival de Veneza de 2024 trata deum tema delicado, o aborto. Escrito e dirigido pela cineasta russa de nome comprido e de difícil pronúncia, Dea Kulumbegashvili, é seu segundo longa, cinco anos depois de ‘Dasatskisi’ (2020)’, que tratava de ataques terroristas. Agora ela se debruça sobre questões em torno da ética médica. Uma ginecologista obstetra competente chamada Nina (Ia Sukhitashvili), que atua no único hospital de uma província na Geórgia, faz um parto de risco, e o bebê acaba morrendo. A moral dela é abalada quando recebe acusação de negligência, e enfrenta um julgamento; acredita-se que ela fazia abortos ilegais, e a questão vem à tona. Nina tem a vida vasculhada, sua intimidade exposta, enquanto tenta se defender. Essa história de luta e dor é contada sob uma narrativa incomum, com cenas estáticas, lentas e contemplativas, como numa das cenas que é a capa do filme, de a médica refletindo num campo de flores vermelhas – boa parte das sequências sem som por minutos e minutos. Tudo feito em enxutas 70 tomadas. A diretora e a atriz Ia Sukhitashvili – aliás, num trabalho de enorme competência, que reflete humanidade e dignidade, visitaram por um ano uma clínica de bebês na Geórgia observando médicos e entrevistando pessoas, para criar o clima do filme. O drama segue sempre o ponto de vista dessa profissional da saúde que tem sua rotina alterada por acusações de aborto ilegal. É um drama pesado que se desenrola como um suspense angustiante – o filme enfrentou problemas na gravação, por tratar de um tema proibido na Georgia, que é o aborto. Gostei, mas indico para público inserido em cinema de arte. Além de Venza, foi exibido também nos festivais de Toronto, Londres, San Sebastián e Hamburgo e na Mostra Internacional de São Paul. Produção da Mubi, que entrou recentemente no streaming da provedora. POR FELIPE BRIDA - BLOG Cinema-naweb blogspot com
Apesar do tema relevante e sério, a bora aposta em cenas estáticas e muito demoradas, algumas delas intensas, porém outras enfadonhas que cortam o ritmo da narrativa. Os 134 minutos demoram a passar. A mensagem seria bem mais contundente com meia hora a menos de filme e cenas mais decisivas.