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A obra segue "X", um homem imerso em uma trama violenta que usa suas visões para tentar sobreviver a um sistema opressor. A história culmina quando ele testemunha o recrutamento da Prolife, uma multinacional que promete a vida eterna.
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Aquele que viu o abismo
Dirigido por uma dupla de artistas visuais brasileiros (Gregorio Gananian e Negro Leo) o filme experimental que estreou recentemente nas salas é uma obra que mistura linguagens e desafia os limites do cinema brasileiro contemporâneo. Vencedor do prêmio de Melhor Filme na Mostra Olhos Livres da 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes (edição de 2024), é um experimento audiovisual que rompe com as convenções e narrativas da Sétima Arte, fundindo música, performance, fotografia, animação e imagens aleatórias, tornando o longa uma obra ousada, diferenciada no formato. O roteiro acompanha X (interpretado por Negro Leo), um homem que se envolve em uma série de assassinatos. Ele tem visões deturpadas, que servem como forma de sobrevivência em um sistema opressor. A empresa multinacional ProLife, que promete vida eterna em troca da submissão dos civis, surge em sua vida, colocando-o em choque com suas crenças. O filme se passa em um futuro incerto, distópico obviamente, repleto de metáforas sobre estado policial, vigilância, mecanismos de controle e exploração do trabalhador. É um personagem só envolto em seu mundo próprio. A narrativa não é linear, as cenas são cortadas de um lugar a outro (fornecendo uma experiência desafiadora ao público), e não há respostas fáceis. O mosaico de imagens e sons refletem a sociedade fragmentada em que vivemos hoje, com um personagem vagando numa linha tênue entre realidade e ficção – o filme explora bem os ambientes urbanos, com a arquitetura dos arranha-céus e luzes neon noturnas, como uma cidade futurista. Realizado pela Zaum Produtora em parceria com a Katásia Filmes, está nos principais cinemas do país com distribuição da Embaúba Filmes. POR FELIPE BRIDA - Texto no blog cinema-naweb blogspotcom
Inicio com uma informação óbvia: sou fã de quase todos os envolvidos no filme. Logo, gosto muito de como eles surgem, de como seus apanágios artísticos e experimentais são exaltados. Porém, não "senti" o filme como poderia: incomodei-me com o fiapo persistente de narrativa, já levado a cabo por Abel Ferrara ou Olivier Assayas em mais de uma produção, quando o que estava sendo posto em prática era um álbum visual, nos moldes do excelente JUNUN. Se isto fosse assumido, entretanto, eu seria fisgado, pois, em termos sonoros e na indução ao transe, esta obra impressiona, deixa-nos sensorialmente contemplados. Mas não conseguir enxergar X como personagem, o que só piora quando percebo que os nomes listados nos créditos não são pronunciados (como identificar Ishtar como Ishtar, por exemplo?). Amo o rompante gozoso associado à maravilhosa canção interpretada por Ava Rocha e gosto da proposta reflexiva à partir da sinopse, mas a montagem carente da decodificação de referências incomodou-me negativamente. Parece que eu estava diante de uma peça audiovisual destinada sobretudo a um fã-clube, com acento godardiano e continuidade benfazeja acerca do que já fôra feito por Jards Macalé e sua tchurma. Mas não me desceu bem, infelizmente. Falhei enquanto espectador aderente, aqui! (WPC>)
- daqueles filmes que não são feitos para o expectador entender, apenas sentir
- em vários momentos parece mesmo que queriam nos dar a visão de como é o abismo
- gosto de como usam cores, sons, luz e imagens. o visual é bacana, mas realmente fica no sensorial o cognitivo não pega muito