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Um médico cura uma mulher que sofre de multipla personalidades.
Eve White é um simples dona-de-casa, que começa a sofrer de fortes dores de cabeça e momentos de total esquecimento. Quando é mandada a um psiquiatra descobre-se que quando isso ocorre uma outra personalidade assume seu lugar. E com a evolução do tratamento, uma terceira personalidade aparece. Baseado em uma história real.
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Um filme interessante com atuação digna de oscar.
- Pode sair, como você diz, sempre que quiser?
As 3 Faces de Eva por mais que seja um filme mediano, onde nenhum trabalho técnico é fora da curva, com uma decupagem comum, e trazendo a tona todo o tema da psicologia (hipnose, traumas, personalidades múltiplas, repressões) abordado a rodo nos anos 50, um de seus diferenciais são as atuações carismática de Lee J. Cobb e marcante de Joanne Woodward, que lhe rendeu um Oscar. Contudo, o que de fato me chama a atenção, são alguns pontos levantados, por mais despropositados ou pontuais que sejam, pois o principal intuito do filme era adaptar uma história real de uma mulher
que sofrera de transtorno dissociativo de identidade para o cinema. Não me parece que Nunnally Johnson buscasse serThe Man Who Understood Women, mas pode ser que ele tenha encontrado algumas brechas, pois há muitas coisas explicitamente subentendidas.
Eva White é a típica mulher tradicional que tem sua função social de servir ao provedor da casa: ela cuida da casa, limpa, cozinha, cuida das criança e serve seu marido. Isso foi uma característica matrimonial muito comum no mundo todo, principalmente antes da Segunda Guerra Mundial, onde as mulheres ocuparam fábricas e postos de trabalhos, conquistando certas autonomias.
- Era o costume que tinham naquele tempo.
Contudo, apesar dessa função social da mulher no contexto da época (lembremos que a trama se passa no início dos anos 50) outro elemento interessante é a postura corporal de Eva White nas sessões de terapia onde é acompanha por seu marido. Ela está sempre acanhada, recatada por osmose, com corpo nada rígido e meio agachado, evita contato visual. Quem controla a ação é o marido. Marido esse que é um verdadeiro doente, como se pode ver em seu comportamento violento que vai desde humilhações que faz sua mulher se sentir pequena como ameaças verbais. Todo um modus operandi carregado de uma farsa narrativa vitimista de que seu esforço não é valorizado por sua mulher, que ela é uma egoísta que não se interessa por sua família. O marido tóxico não faz nenhuma questão de entender o ponto de sua mulher, do que ela está passando, que se trata de um transtorno. Algo que até o namoradinho galã Earl tem o mínimo de compreensão. E ainda separa Eva de sua filha.
Em uma cena, a protagonista supõe que não é capaz de fazer seu marido feliz, uma preposição carregada de culpa, de missão falhada, de vergonha em seu papel social como esposa. Essa ideia pode ter sido posta nas diversas falas do marido manipulador, mas imagino que sua origem
venha de um imaginário coletivo da sociedade na época em questão, já impregnado na mente da protagonista. Entretanto, a então segunda personalidade da mulher pensa diferente. Quando White se transforma em Black, sua linguagem corporal é outra. Ela se transforma literalmente em outra pessoa. De discreta, fica cômica e até um pouco boca aberta demais. Sedutora, fuma e faz uso de álcool. Totalmente livre, deixando de ser passiva. Não está nem aí pro traste do Ralph e sai de casa de vez em quando para clubes noturnos, algo totalmente impensável para White.
Desse modo o filme nos apresenta duas personalidades dicotômicas, podendo nos levar a crer que no fundo Eva Black é a personalidade que Eva White reprimiu ao se casar com um marido opressivo, sendo uma fuga dessa vidinha chata de esposa exemplar que se sentia sufocada por um casamento infeliz. Até aparecer a terceira personalidade (estava no título do filme, alguma outra mais iria aparecer): Jane. A terceira personalidade fica muito conectada à infância da protagonista, onde o Dr. Luther busca entender as causas e origens do transtorno. A trauma que acarreta todas essas consequências é superficial, extremamente amenizada devido a censura da época, como comenta Denise Freitas. Não dava para fazer um Repulsa ao Sexo de Roman Polansky, e nem era o foco de Nunnally J.
Dessa forma, entendo que Jane era a garota que Eva foi quando criança, White foi a mulher que se tornou (a esposa fracassada, como pontua o filme) e Black, uma idealização do que Eva gostaria de ser, uma espécie de Super Ego de Freud, um tanto idealizada e provavelmente útopica (a jovem louca e irresponsável, outro colocamento do filme), mas se for para sonhar, por que sonhar baixo? O filme ainda comenta a seguinte frase: - Quem a natureza em primeiro lugar queria que esta mulher fosse?. E eu vou além, quem a sociedade queria que Eva e tantos outras fossem? A mulher acatada que aceita seu papel de submissão? Por último, o filme não tem essa proposta, são apenas divagações que vejo poderem serem trazidas, dando mais nuances a esse filme.
19.08.2004
Assistido hoje(10/11/2024)
"The Three Faces of Eve" é baseado em uma história real e em um livro escrito por dois médicos sobre um caso de personalidade múltipla na Geórgia. Não sei o impacto do filme em 1957, pois ele é datado nos dias atuais. Mas ainda é um bom docudrama, especialmente por causa da magnífica atuação de Joanne Woodward no papel de três mulheres diferentes. É tão incrível como ela conseguiu mudar de um personagem para outro em 2 segundos e torná-lo tão crível. E exatamente por essa atuação ela ganhou a estatueta do Oscar como melhor atriz nesse filme.
Disponível e legendado no Youtube.
Ainda me pergunto por que demorei tanto a assistir esse clássico? Apesar da minha longa lista de filmes para ver ou rever? Enfim, chegou o momento de apreciar a desenvoltura de Joanne Woodward que entregou uma excelente e magistral performance na tela. Merecidamente, ela arrebatou o Oscar de Melhor Atuação em 1958, tornando-se assim a primeira atriz da história a ganhar um Oscar por interpretar três personalidades diferentes (Eva White, Eva Black e Jane).
Filmado em CinemaScope, a produção foi baseada no livro homônimo dos psiquiatras Corbett H. Thigpen e Hervey M. Cleckley, os quais também ajudaram a escrever o roteiro. A história foi baseada no caso de sua paciente Chris Costner Sizemore, também conhecida como Eve White, uma mulher que eles supunham sofrer de transtorno dissociativo de identidade (então conhecido como distúrbio de personalidades múltiplas).
No elenco de apoio, Lee J. Cobb, Edwin Jerome e David Wayne estão convincentes em seus respectivos papéis.
Intrigante e provocante, "As Três Máscaras de Eva" ou "As Três Faces de Eva", é um thriller de mistério com teor no drama psicológico que desafia a lógica do expectador. A trama te envolve e te prende desde o início.
Produzido em P&B, este é um dos melhores cult-movies da década de 50. Profundamente marcante e atemporal.