Pimenta Soviética
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A Vitória da Fé (Der Sieg des Glaubens) 6

A Vitória da Fé

  • Pimenta Soviética
    1 semana atrás

    Fascinante Fascismo

    Lembro quando conheci Leni Riefenstahl, mesmo me sentindo culpado, sua obra e sua pessoa eram objetos de fascinação para mim. Obcessão essa me fez consumir tanto sua obra quanto inúmeros
    materiais sobre ela. Foi assim que conheci o documentário "Leni Riefenstahl: a deusa imperfeita" de Ray Müller, onde a própria Riefenstahl participa, com uma presença dominante, dando dicas de enquadramento, etc.

    No meu comentário de Pasażerka, filme inacabado de Andrzej Munk, eu cheguei a comentar alguns paralelos da protagonista Liza com a própria Riefenstahl, mais além de argumentos similares mas também por estarem se contradizendo o tempo todo. Em alguns pontos eu tentava defender uma mulher que nem mesmo se ajudava (apesar que é inegável que de certa forma ela foi um bode expiatório muito por ser mulher, como se pode ver no patético e misógino documentário de Veiel). Um argumento que Riefenstahl usa como defesa é "arte pela arte", que seu trabalho era artístico e não ideológico. Dissequemos isso por partes.

    1 - Essa história de arte pela arte, em defesa de todo tipo de manifestação artística nunca fora seguida pelo Nazismo, recomendo absolutamente o documentário "Arquitetura da Destruição"  de Peter Cohen, apesar que a exposição juntamente com a elaboração teórica de Arte Degenerada, a proibição de obras de autores comunistas e/ou judeus, e as fogueiras de livros durante o Terceiro Reich são bem conhecidas. Susan Sontag (chegaremos nela posteriormente) comenta que Goebbels oficialmente proibiu a crítica de arte, em novembro de 1936. Mesmo ano que Richard Grunberger relata que: "a crítica literária como até então entendida foi abolida; de agora em diante as críticas seguiam um padrão: uma sinopse do conteúdo repleta de citações, comentários marginais sobre o estilo, um cálculo do grau de concordância com a doutrina nazista e uma conclusão indicando a aprovação ou não." E não é necessário dizer que com a entrada oficial dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, todos os autores estrangeiros foram rigorosamente censurados. Isso falando apenas de ações tomadas diretamente com obras de artes, não é preciso comentar os atos mais extremos desse regime assassino, que não só inferiorizou seres humanos (mais além se eram artistas ou não) como também exterminou. Vale ressaltar que essa noção do belo, de um ideário de arte era regido por um viés enviesado e errôneo, como aponta o já citado Arquitetura da Destruição. É aí que Riefenstahl é realmente ingênua, pois não foi capaz de perceber que sua manifestação artística só lhe foi permitida por estar com o grupo dominante, contando com todo o aparato. Ela até chega a comentar que não estava presente no Incêndio do Reichstag, e que cobrou Hitler, o qual cortou o assunto na hora (o que eu acredito ser uma baita mentira de uma pessoa que estava com a soga no pescoço).

    2 - Riefenstahl comenta que seus documentários para o Partido Nazista eram apenas artísticos, que ela teria feito o mesmo trabalho para comunistas, seguido de argumentos que era ingênua, etc. Susan Sontag comenta o truque de filtro, o qual consiste em jogar fora toda a ideologia política nociva e guardar apenas os méritos estéticos. Linha essa defendida por pessoas (incluindo eu) atraídas pelas imagens de Riefenstahl em virtude da beleza de sua composição. Porém, é mais uma contradição de Riefenstahl. Em "A deusa imperfeita" me chamou a atenção o trabalho fotográfico que Riefenstahl realizava no Sudão. Você provavelmente já deve ter escutado o argumento de defesa que Riefenstahl deu enfoques para Jesse Owens em Olympia. E nisso, entramos em outro ponto, o qual eu mesmo já figurei,
    talvez ela não fosse antissemita e nem compactuasse com todo o ideário nazista, mas sim com o belo, com um imaginário de perfeição. Susan Sontag comenta: "[...] ou, para os seus partidários, a confirmação definitiva de que ela foi sempre uma fanática pela beleza ao invés de uma horrível propagandista". Porém em "Fascinante Fascismo" Susan Sontag discorre:

    - "Apesar de os Nuba serem negros, ao invés de arianos, o retrato que Riefenstahl faz deles evoca alguns dos maiores temas da ideologia nazista: o contraste entre o limpo e o impuro, o incorruptível e o corrompido, o físico e o mental, o satisfeito e o crítico'.

    A primeira vez que assisti Olympia eu fiquei abismado, aquela abertura eu tive que reassistir. E a Vitória da Fé é outro filme de contemplação. Eu poderia ter vindo aqui e tido falado o quanto este filme é extraordinário, o trabalho mais soberbo de Riefenstahl (apesar de ser em Olympia que ela alcança o auge) onde todas suas escolhas técnicas e estéticas são acertadas, dar a nota máxima de avaliação e ir embora. Contudo, é essa forma do filme que leva o Partido Nazista e sobretudo, seu líder transcederem de figuras humanas para algo quase divino. E entendendo isso, eu vi que não tem como avaliar esse filme, pois a maneira que Riefenstahl o filma e o monta mais além de representar um suposto ideário fascistóide que Susan Sontag comenta: o culto à beleza, monumentalismo, são elementos que trazem a noção de unidade, harmonia, de destino e principalmente a misticidade. O que me fez finalmente ler o ensaio de Susan Sontag: "Fascinante Fascismo", o qual Riefenstahl disse que não entendera como uma mulher tão inteligente pudera ter escrito semelhante bobeira. Nesse ensaio, Susan Sontag adverte a função da arte de imortalizar seus líderes e doutrinas, e é o caso dos processos criativos tomados por uma das mais geniais cineastas da história.

    É necessário superar Leni Riefenstahl, assumo a mea culpa. Não a tratei em algum momento somente como Leni, como já fizera inúmeras vezes, tentei ser mais distante apenas com o sobrenome. O que não significa que devamos ignorar toda sua magnífica habilidade artística e nem seus filmes, que são documentos históricos. Este aqui é um registro antes da famigerada Noite das Facas Longas, não a toa Hitler mandou a destruição do filme e encomendou O Triunfo da Vontade. Ou então Olympia que mostra várias figuras históricas não só sendo simpáticas a Hitler, como também prestando saudações nazistas, como é o caso da delegação grega. E por último, tentar entender como o Nazismo conseguiu atrair tanta gente, será que esses documentários (que como todo documentário não é verdade e sim construção) são capazes de nos dizer?

  • Paris Vive à Noite (Paris Blues) 24

    Paris Vive à Noite

  • Pimenta Soviética
    3 semanas atrás

    - Você precisa do trabalho, Ram. Só isso. E eu ou alguém como eu. Nada mais funciona para pessoas como nós.

  • Kill Bill: The Whole Bloody Affair (Kill Bill: The Whole Bloody Affair) 47

    Kill Bill: The Whole Bloody Affair

  • Pimenta Soviética
    1 mês atrás

    De um tempo já que tinha o interesse de ver Kill Bill completo. Sempre defendi que não deveria ser um díptico, mas entendo que a indústria jamais permitiria o Tarantino fazer um filme de 4 horas. Sendo assim, algum dia que eu sempre prolonguei, baixaria e juntaria os dois filmes no Premiere. Essa vontade se devia ao Tristán de uns 6 anos atrás achar uma diferença gritante entre os dois filmes, sendo um muito bom enquanto o outro fraco. As minhas principais razões eram o ritmo de cada filme: de fato a primeira parte é mais frenética e catártica comparada com a segunda, centrada em explicações que deveriam ocorrer e muitas cenas de diálogos; e a distância de tempo que havia assistido os dois filmes, o que naturalmente me trouxe essa ideia de quebra e tinha me tirado da trama.

    Até que decidiram passar Kill Bill completo e sem censuras no cinema. Iniciativa legal, mas que diz muito sobre a crise da sala do cinema. E essa revisão foi positiva. Curiosamente, tive a sensação inversa de quando os assisti pela primeira vez. A segunda parte cresceu muito para mim, apesar que tirando o Bill, os vilões não me cativam em nada. Já a primeira parte continua tendo todo o brilhantismo que envolve a personagem O-Ren Ishii e a fascinação de acompanhar o arco da protagonista misteriosa, a qual com o decorrer da trama vamos descobrindo de maneira instigante sua tragédia, seus algozes (afinal de contas quem é esse Bill?) e sobretudo o porquê. Além é claro de sermos observadores priveligados de seus próximos passos. Tudo isso continua lindo e apesar de certos cacoetes do Tarantino que vou destrinchar abaixo, a minha antiga opinião da Parte 1 sempre vai estar no meu coração.

    Revendo, não gostei da maneira como
    o Tarantino filma em alguns momentos da primeira parte. Escolhas estilísticas que não se justificam, como os constantes closes, mas sobretudo closes-up sem pesos dramáticos; slow-motions que não levam a lugar nenhum. Parece a técnica pela técnica, igual quando alguns filmes utilizam planos sequências só para trazer uma maior "complexidade" técnica. Mas o que me incomodou mesmo foi o uso excessivo de suas marcas pessoais, os shots de pés estão invasivos demais e os vários takes de contra-plongeé. Se por um lado, é extremamente acertado a cena que a Noiva olha para seus algozes, a saturação desse ângulo de câmera no decorrer do filme além de se contradizer, se banaliza por completo (o mesmo acontece com o uso dos closes-ups nos olhos, bem aproveitados na referência a Scarface para representar tensão, em outros é simplesmente descartável).

    Já falando propriamente do roteiro, o alívio cômico me parece muito forçado nessa primeira parte, diferentemente da segunda parte que é mais tragicômica (gosto muito). E a avalanche de sangue e violência, que já foi motivo de encantamento pra mim, hoje me acabou ficando um pouco cansativa. O mesmo me ocorre com os diálogos que me soam azucrinantes (tirando é claro os que envolvem Bill e aqueles da segunda parte de tão absurdistas nos levantam risada). E por último, a trilha sonora que fora muitas vezes venerada por mim (não a toa: Nancy Sinatra, Ennio Morriconne, Bernard Herrmann, etc) me pareceu muitas vezes como muleta.

    No mais, nada que comprometa meu afeto.
    Experiência super interessante e necessária, revisões nos fazem colocar o dedo em coisas que gostávamos tanto, e que mesmo com outros olhares, não deixaremos de gostar, mas sim ter uma nova experiência.

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