Dirigido por
Data de lançamento
6 Out. 2023Duração
Estados Unidos, década de 20. Depois da descoberta de petróleo sob o solo de suas reservas, membros da tribo Osage começam a ser assassinados. Quando o número de vítimas ultrapassa a segunda dezena, o recém-fundado FBI assume o caso com uma equipe secreta liderada por um antigo Ranger texano chamado Tom White (Jesse Plemons). A missão é se infiltrar na região lutando para adotar as mais recentes técnicas de investigação e começando a expor uma das conspirações mais frias da história dos Estados Unidos.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
O filme tem um bom ritmo, mas o personagem do Leonardo é muito cansativo, muito perdido nas atitudes, matador ingênuo, arquiteto do crime burro, amoroso traidor. O cara não é nem A nem B, sei lá.
Pouquíssimos cineastas são capazes de contar uma história em 3h30 e manter o espectador ligado o tempo todo e Scorsese com certeza é um desses.
Um contador de histórias como ninguém, dessa vez pega a horrível história dos assassinatos do povo Osage pelo homem branco ganancioso pelo petróleo (nenhuma novidade aí).
DiCaprio, DeNiro e Gladstone encabeçam com maestria esse espetáculo de filme que é ao mesmo tempo intimista, tenso e grandioso.
Uma trilha sonora discreta e usada apenas pontualmente e de forma contundente para criar a tensão necessária nas cenas em que se apresenta.
Diálogos afiadíssimos, sutis na medida certa e expositivos apenas quando extremamente necessário e com muito contexto.
Faz tempo que eu não tinha uma experiência dessa com um filme e certamente já tenho o meu favorito do ano.
Uma honra poder assistir Scorsese no cinema junto com DeNiro e DiCaprio que são meus atores favoritos, espero que role mais vezes.
A gente demora anos para entender uma coisa simples: mãe costuma errar menos do que parece. Em Killers of the Flower Moon, a mãe de Mollie, Lizzie Q, olha para os homens brancos ao redor e percebe que alguma coisa já começou a queimar, mesmo que não exista sinal algum de fumaça. O tempo, como quase sempre acontece com as mães, faz questão de lhe dar razão.
Existe um risco enorme em contar uma história como essa no cinema. Seria fácil transformar Killers em um desses grandes filmes de investigação: mortes misteriosas, pistas surgindo, um homem brilhante conduzindo a narrativa, culpados revelados no último ato. Martin Scorsese recusa esse caminho, e acerta ao recusar. Rapidamente sabemos quem são os responsáveis. Desde cedo, a história nos coloca diante de homens que chegam sorrindo, aplicam insulina, falam manso, aprendem a língua e os costumes, chamam todos de amigos — e carregam intenções podres no bolso. Não existe aqui o prazer tradicional de descobrir quem é o lobo da foto. O lobo já está posando para ela.
Acho Killers of the Flower Moon um grande filme: imenso em produção, seguro na direção, preciso nas atuações e sério no peso histórico que carrega. Ainda assim, ele não me atravessa como outros me atravessam. Existem obras que nos capturam pelo fascínio; esta prefere nos envolver pela angústia. Indígena por indígena vai caindo, e durante muito tempo parece não haver nada a fazer. O que se instala é desgaste — um luto que começa cedo e não dá trégua.
Talvez por isso eu pense tanto em There Will Be Blood. Também é um filme sobre ganância, petróleo e homens dispostos a transformar os outros em degrau. A diferença é que lá existe uma energia quase hipnótica em torno de Daniel Plainview. Ele é monstruoso, mas fascinante de observar. Passa por cima de todo mundo, mas mantém um vínculo contraditório com o garoto que adota para sustentar a imagem de homem de família — e é justamente aí que eu fico presa. Aquela relação parece, em alguns momentos, responsabilidade; em outros, revela um homem que enxerga qualquer um como obstáculo. Eu odeio o que ele faz e ainda assim quero continuar olhando. E há algo brilhante no fato de o filme colocá-lo em rota de colisão com outro aproveitador, vestido de fé: a história deixa de ser só sobre exploração e vira um embate entre duas formas diferentes de manipular — e isso torna tudo ainda mais estimulante. Em Killers, William King Hale e Ernest Burkhart me interessam por outro motivo. Não exercem o mesmo magnetismo; exercem desgaste. Representam algo mais banal e mais sujo: a exploração sorridente, a covardia familiar, o mal que senta à mesa e pede café, o que aplica insulina com doses de veneno.
Muita gente talvez preferisse que a história fosse contada como investigação, e eu entendo esse impulso. Também pensei nisso em vários momentos. Uma estrutura centrada no FBI traria suspense, movimento, pistas, revelações. Talvez me envolvesse mais de imediato. Talvez fosse um filme mais “emocionante” no sentido tradicional. Mas provavelmente seria emocionante ao custo de trair o assunto. Se tudo vira a chegada de agentes para resolver o caso, parte da narrativa passa a ser sobre homens brancos salvando a situação. E o centro deixa de ser o povo Osage, que sofreu, resistiu e precisou implorar por atenção enquanto era massacrado. Reduzir aquele massacre a uma narrativa de salvadores seria limpar demais uma sujeira que pertence ao país inteiro. O que aconteceu ali não foi um enigma elegante esperando um detetive brilhante. Foi cobiça à luz do dia, normalizada por quem lucrava e ignorada por quem podia agir. Dói assistir, mas talvez precisasse doer mesmo.
Admiro Killers of the Flower Moon justamente porque ele escolhe a forma certa para narrar um genocídio. Talvez outra versão, mais investigativa, mais ágil, mais cheia de reviravoltas, me envolvesse mais. Provavelmente envolveria. Mas a verdade ali não foi emocionante no sentido clássico. Foi lenta, repetitiva, cínica, normalizada. Pessoas morrendo enquanto vizinhos seguiam a vida. O filme não me dá o conforto de uma catarse limpa. Não me entrega um vilão magnético, nem um herói restaurador. Em vez disso, me entrega algo mais difícil: a sensação de que, às vezes, o mal não entra arrombando a porta. Ele entra sorrindo, senta à mesa e é chamado de família.
Sem dúvidas, há filmes que querem ser amados. E há filmes que abrem uma ferida — e não estão interessados em deixar em deixar cicatrizá-la.
Cara, Leonardo di Caprio depois de muito tempo defendendo não entregou muito aqui na minha opinião.
Ainda assim, achei um filme muito interessante, longe de ser dos melhores do Scorcese, mas muito bom mesmo e de extrema relevância para trazer ao público um episódio macabro da história.
Brutal e muito mais pesado quando descobrimos que é baseado em uma história real. Assassinos da Lua das Flores é um grande filme que explora muito bem até onde vai a ganância do ser humano.