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Talvez o mais oportuno e essencial filme de vanguarda dos anos recentes, o tour-de-force silencioso de Peter Hutton, "At Sea", segue o nascimento, a vida e a morte de um barco de mercadorias. Baixando significativamente o custo do comércio internacional, o "contentor" tem sido um instrumento vital para a constituição das redes correntes do capitalismo global. (...) Tal como nas fotografias de Allan Sekula, o filme de Hutton registra a tensão entre as abordagens romântica e funcionalista ao barco de mercadorias. Tendo trabalhado na marinha mercante na sua juventude, Hutton é sensível ao romance da viagem oceânica e à sublimidade do mar, uma resposta estética com raízes literárias e visuais profundas. Mas quando a câmera olha para o arco chuvoso do barco, as inúmeras pilhas de contentores com cores fortes sublinham que o propósito da viagem é a circulação de bens de consumo e não de humanos e da sua imaginação. (...) Quando tudo o que tem valor tiver sido removido, os barcos são abandonados como as carcaças das baleias, fósseis enferrujados envelhecidos prematuramente pelas necessidades flutuantes do capital.
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Do ponto de vista do mar quem balança é a praia
Como eu queria um blu-ray disso......
Se a solidão megalomaníaca dos containers no início do segundo segmento já era bem triste, o terceiro segmento do filme como um todo não é nada menos que devastador - ainda mais vindo em sequência dos takes mais hipnóticos e poéticos que o filme alcança. O filme, que se construía de maneira sóbria até então, mesclando bem as críticas, questões práticas e artísticas, se transforma numa tragédia. Em questão de 3 takes, o filme transforma poesia e beleza em lixo e desigualdade. Tem toda a questão que envolve a descartabilidade das coisas, mas é absurda a comparação dos trabalhadores do início do filme, passando pano no navio ou tratando de pequenas falhas na pintura, com as pessoas escalando as carcaças dos navios abandonados em seu fim. E o incrível é como o filme, em seus últimos 10 minutos, se preocupa em desconstruir qualquer ideia fetichistas que poderia existir em "filmar a pobreza", quebrando totalmente o seu conceito puramente de forma e se tornando realmente em algo bem humanista - se reconhecendo como um documentário que está simplesmente filmando pessoas normais em seu dia a dia, mesmo que construa algo bem maior ao mesmo tempo. Lindo e devastador.
E ah, esse pôster daqui é muito feio, puta merda, se der pra trocar: http://i.imgur.com/3Gq1dpL.jpg.