O curta metragem é visívelmente uma semente para o que viria a ser o longa metragem Atlantique da diretora, pois não é só o mesmo nome que ambos compartilham, também falam do problema da emigração e como isso afeta tanto as pessoas que decidem abandonar tudo em busca de uma vida melhor como suas famílias. Digo uma semente, porque pelo menos para mim, há uma diferença bastante considerável entre os dois também, este é bem mais cru, praticamente um documentário sem toda a ideia do sobrenatural que é usado, inclusive como crítica, no longa. A cena em que amigos discutem a ideia de ir embora e um deles diz que não deixaria ele ir é forte, trabalhei com vários africanos na Europa e suas histórias sempre me impressionaram, eu jamais teria a coragem (ou a loucura) de enfrentar o que vários enfrentaram. Um curta necessário, mas que achei muito entrecortado, sem uma narrativa que me prendesse.
"Atlantics" é um filme muito bem feito que consegue transmitir uma mensagem poderosa sobre as injustiças sociais e econômicas que afetam os migrantes africanos que buscam uma vida melhor na Europa. O filme tem uma abordagem bastante poética e evocativa, que ajuda a criar uma atmosfera imersiva e emocionante.
No entanto, uma das críticas que eu poderia fazer é que o filme parece, em alguns momentos, perder o foco em sua história principal. Embora a trama dos migrantes senegaleses seja o ponto central da história, em alguns momentos o filme parece se afastar dessa história para explorar outros temas, como o romance entre Ada e Souleiman. Embora essa abordagem possa ter sido intencional por parte do diretor, ela pode tornar o filme menos coeso e direto em sua mensagem principal.
Além disso, algumas das cenas do filme podem ser um pouco confusas ou enigmáticas demais para alguns espectadores. O estilo poético do diretor Mati Diop pode tornar algumas cenas menos acessíveis e compreensíveis para aqueles que procuram uma história mais clara e linear.
No entanto, esses pontos negativos não diminuem o fato de que "Atlantics" é um filme muito bem realizado, com uma direção habilidosa e um elenco excelente. O filme aborda questões importantes e urgentes de forma sensível e impactante, e é um exemplo de como a arte pode ser uma forma poderosa de transmitir mensagens sociais e políticas críticas.
há a referência do trecho final que narra uma "febre invasora noturna" e alucinante que acomete tripulantes, fazendo-os pular no mar. Esse trecho é uma citação relativa aos sobreviventes Alexandre Corréard e Henri Savigny, do episódio histórico do naufrágio da Fragata da Medusa, ocorrido em 1816 e pintado por Théodore Géricault entre 1818 e 1819 (a icônica Balsa da Medusa). Nesse episódio, a embarcação estava indo da França em direção ao Senegal como uma missão colonial. Me chamou atenção como a diretora encaixou sutilmente esse trecho no final do curta-metragem, invertendo os papéis. No filme, vemos relatos de senegaleses sobre a travessia do atlântico, do risco de morrer em naufrágios, em busca da sobrevivência em países europeus.
O curta metragem é visívelmente uma semente para o que viria a ser o longa metragem Atlantique da diretora, pois não é só o mesmo nome que ambos compartilham, também falam do problema da emigração e como isso afeta tanto as pessoas que decidem abandonar tudo em busca de uma vida melhor como suas famílias. Digo uma semente, porque pelo menos para mim, há uma diferença bastante considerável entre os dois também, este é bem mais cru, praticamente um documentário sem toda a ideia do sobrenatural que é usado, inclusive como crítica, no longa. A cena em que amigos discutem a ideia de ir embora e um deles diz que não deixaria ele ir é forte, trabalhei com vários africanos na Europa e suas histórias sempre me impressionaram, eu jamais teria a coragem (ou a loucura) de enfrentar o que vários enfrentaram. Um curta necessário, mas que achei muito entrecortado, sem uma narrativa que me prendesse.
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-dois amigos embarcam juntos.
-dois mortos!
-se n puder te salvar, prefiro morrer com você.
"Atlantics" é um filme muito bem feito que consegue transmitir uma mensagem poderosa sobre as injustiças sociais e econômicas que afetam os migrantes africanos que buscam uma vida melhor na Europa. O filme tem uma abordagem bastante poética e evocativa, que ajuda a criar uma atmosfera imersiva e emocionante.
No entanto, uma das críticas que eu poderia fazer é que o filme parece, em alguns momentos, perder o foco em sua história principal. Embora a trama dos migrantes senegaleses seja o ponto central da história, em alguns momentos o filme parece se afastar dessa história para explorar outros temas, como o romance entre Ada e Souleiman. Embora essa abordagem possa ter sido intencional por parte do diretor, ela pode tornar o filme menos coeso e direto em sua mensagem principal.
Além disso, algumas das cenas do filme podem ser um pouco confusas ou enigmáticas demais para alguns espectadores. O estilo poético do diretor Mati Diop pode tornar algumas cenas menos acessíveis e compreensíveis para aqueles que procuram uma história mais clara e linear.
No entanto, esses pontos negativos não diminuem o fato de que "Atlantics" é um filme muito bem realizado, com uma direção habilidosa e um elenco excelente. O filme aborda questões importantes e urgentes de forma sensível e impactante, e é um exemplo de como a arte pode ser uma forma poderosa de transmitir mensagens sociais e políticas críticas.
"se houvesse um barco saindo agora eu iria, mesmo que eu morresse no caminho, porque não há nada além de poeira em meus bolsos"
Interessante que nos créditos
há a referência do trecho final que narra uma "febre invasora noturna" e alucinante que acomete tripulantes, fazendo-os pular no mar. Esse trecho é uma citação relativa aos sobreviventes Alexandre Corréard e Henri Savigny, do episódio histórico do naufrágio da Fragata da Medusa, ocorrido em 1816 e pintado por Théodore Géricault entre 1818 e 1819 (a icônica Balsa da Medusa). Nesse episódio, a embarcação estava indo da França em direção ao Senegal como uma missão colonial. Me chamou atenção como a diretora encaixou sutilmente esse trecho no final do curta-metragem, invertendo os papéis. No filme, vemos relatos de senegaleses sobre a travessia do atlântico, do risco de morrer em naufrágios, em busca da sobrevivência em países europeus.