Yvan De Wiel, banqueiro privado de Genebra, vai para a Argentina em meio a uma ditadura para substituir seu parceiro, objeto de rumores preocupantes, que desapareceu da noite para o dia.
"- Eu gosto dessa: 'ter duas gemas'. Quando alguém não é confiável, dizemos que tem duas gemas. E... 'Azor'. - 'Azor'? - 'Cale-se'. 'Cuidado com o que você diz'."
Indicado a uma premiação paralela no Festival de Berlim. Um filme muito bom, que talvez tenha um ritmo difícil para a maioria. Eu gostei bastante da construção da narrativa que lembrou a um livro de Graham Greene. O diretor, neto de um banqueiro como o do filme, quis revirar os porões indigestos familiares sem que fosse um filme biográfico e entrevistou muitas pessoas que ele classificou como abomináveis para que o filme fosse feito, quis mostrar o lado das pessoas vis desse passado terrível da Argentina. Para mim funcionou muito bem, mesmo que fique perdido sem saber de tudo o que está acontecendo, é exatamente isto que deixa o filme interessante. A direção, de um estreante, é competente até demais. Um filme para entender a vilania do capitalismo e como se constrói a falácia da meritocracia.
Ambientado no final da ditadura militar argentina, em 1981, o filme percorre o cotidiano do banqueiro suíço Yvan, com a ingrata missão de firmar seus negócios com uma elite latina duvidosa, mas não encontre aqui personagens maniqueístas e evidentes: o filme instiga a inteligência do expectador para desbravar as motivações e as facetas ideológicas mais escondidas dos personagens. "Azor" é uma expressão que significa "conter-se", "falar pouco" ou mesmo "silenciar-se". Assim, é preciso caminhar com cuidado, o filme consegue manter o nível de suspense e tensão por não sabermos ao certo os desdobramentos das negociações, bem como não sabermos sobre o desaparecimento do sócio de Yvan. Note-se, quando ele foi ao clube "Círculo de Armas", parecia estar num jogo de gato e rato, e os diálogos primorosos conseguem tornar a experiência visceral. Mas não sei ao certo o que faltou, pois o filme é meio frio e cansativo. Falar que faltou drama ou tensão, é como exigir do filme aquilo que não era sua proposta, afinal, "Azor", como dito, é justamente sustentado na ausência, dando ênfase ao subentendido e aos desdobramentos implícitos. Também gostei de como o filme não descambou para falsos estigmas: as mulheres estão super bem no seu papel, sem ser idiotizadas. A elite, embora esnobe, não caiu em caricaturas. Enfim, é um filme equilibrado, tenso, inteligente. Muito interessante.
O final foi bem óbvio, o capital financeiro não faz distinção de ideologia política. E estranhamente, assa afirmativa pode ser vista como redenção (ou não).
Achei bem bonito a arte dele. Tem uma paleta de cores linda, fotografia, enquadramento, edição muito bons. Os atores também são bons e falarem francês e espanhol foi bem interessante. Mas pra mim faltou tensão. Terminou o filme, eu falei "ah... ok". Pior que os personagens são bem interessantes sabe, diálogos, sutilezas... enfim. Faltou drama.
"- Eu gosto dessa: 'ter duas gemas'. Quando alguém não é confiável, dizemos que tem duas gemas. E... 'Azor'.
- 'Azor'?
- 'Cale-se'. 'Cuidado com o que você diz'."
Indicado a uma premiação paralela no Festival de Berlim. Um filme muito bom, que talvez tenha um ritmo difícil para a maioria. Eu gostei bastante da construção da narrativa que lembrou a um livro de Graham Greene. O diretor, neto de um banqueiro como o do filme, quis revirar os porões indigestos familiares sem que fosse um filme biográfico e entrevistou muitas pessoas que ele classificou como abomináveis para que o filme fosse feito, quis mostrar o lado das pessoas vis desse passado terrível da Argentina. Para mim funcionou muito bem, mesmo que fique perdido sem saber de tudo o que está acontecendo, é exatamente isto que deixa o filme interessante. A direção, de um estreante, é competente até demais. Um filme para entender a vilania do capitalismo e como se constrói a falácia da meritocracia.
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Ambientado no final da ditadura militar argentina, em 1981, o filme percorre o cotidiano do banqueiro suíço Yvan, com a ingrata missão de firmar seus negócios com uma elite latina duvidosa, mas não encontre aqui personagens maniqueístas e evidentes: o filme instiga a inteligência do expectador para desbravar as motivações e as facetas ideológicas mais escondidas dos personagens.
"Azor" é uma expressão que significa "conter-se", "falar pouco" ou mesmo "silenciar-se". Assim, é preciso caminhar com cuidado, o filme consegue manter o nível de suspense e tensão por não sabermos ao certo os desdobramentos das negociações, bem como não sabermos sobre o desaparecimento do sócio de Yvan. Note-se, quando ele foi ao clube "Círculo de Armas", parecia estar num jogo de gato e rato, e os diálogos primorosos conseguem tornar a experiência visceral.
Mas não sei ao certo o que faltou, pois o filme é meio frio e cansativo. Falar que faltou drama ou tensão, é como exigir do filme aquilo que não era sua proposta, afinal, "Azor", como dito, é justamente sustentado na ausência, dando ênfase ao subentendido e aos desdobramentos implícitos.
Também gostei de como o filme não descambou para falsos estigmas: as mulheres estão super bem no seu papel, sem ser idiotizadas. A elite, embora esnobe, não caiu em caricaturas.
Enfim, é um filme equilibrado, tenso, inteligente. Muito interessante.
O final foi bem óbvio, o capital financeiro não faz distinção de ideologia política. E estranhamente, assa afirmativa pode ser vista como redenção (ou não).
nada mais mutável que moralidade de banqueiro
Achei bem bonito a arte dele. Tem uma paleta de cores linda, fotografia, enquadramento, edição muito bons. Os atores também são bons e falarem francês e espanhol foi bem interessante. Mas pra mim faltou tensão. Terminou o filme, eu falei "ah... ok". Pior que os personagens são bem interessantes sabe, diálogos, sutilezas... enfim. Faltou drama.