Em Nova Orleans vive Danny Fisher (Elvis Presley), um jovem que tinha se envolvido com gangues. Danny trabalha como cantor de bares à noite, se tornando um grande sucesso. Até que ser obrigado a cantar na casa noturna de um gângster.
King Creole (1958), conhecido no Brasil como Balada Sangrenta, não chega a ser uma obra-prima, mas é um verdadeiro clássico cult e, sem dúvidas, um dos melhores filmes de Elvis Presley. Quem é fã de cinema na TV certamente vai se lembrar de suas exibições marcantes nos bons tempos do Corujão e, principalmente, de assisti-lo legendado no tradicional Cine Clube.
Dirigido por Michael Curtiz (o mesmo diretor de Casablanca), o longa se afasta bastante das comédias românticas açucaradas que o Rei do Rock faria mais tarde. Aqui temos um drama policial noir maduro e bem construído, ambientado no submundo musical de Nova Orleans.
A fotografia em preto e branco é belíssima, a trilha sonora traz sucessos eternos e a atuação de Elvis mostra o enorme potencial dramático que ele possuía antes de servir ao exército. Um filme nostálgico, divertido e indispensável para quem quer ver o cantor em uma faceta diferente.
Um dos melhores filmes de Elvis, dirigido pelo ótimo Michael Curtiz. Raul Seixas, fã declarado de Elvis, tinha este como seu preferido do rei. O Filme tem linda fotografia P&B, belas canções ("Soul music"), em um Thriller-Romance, inesquecível..Carolyn Jones e Walter Matthau trazem ótimas atuações.
King Creole (1958) é considerado por muitos o melhor filme de Elvis Presley, e confesso que ouvi bastante essa afirmação antes de assistir. E realmente, Elvis está impecável aqui, dando personalidade forte e nuances ao personagem Danny Fisher. O único detalhe é que esse foi o primeiro filme dele que eu assisti, e, se for de fato o melhor, fico com receio de me decepcionar com os próximos, já que inevitavelmente vou ter esse como base de comparação.
O filme começa muito bem, apresentando a história de Danny de forma envolvente e fazendo o público criar empatia por ele. Logo de cara, há uma cena que me incomoda um pouco:
Danny tenta contar ao pai que foi reprovado na escola, mas o velho, todo empolgado, não deixa o filho falar. Esse tipo de recurso me irrita, e aqui é usado justamente para reforçar o abismo entre pai e filho. Apesar de no final o pai já saber de tudo.
A trama inicial tem um tom melancólico. Vemos Danny se envolvendo em coisas erradas quando as oportunidades certas não aparecem, e o pai consegue para ele um emprego, ainda que a contragosto de quem contratava. A partir daí, ficamos torcendo para que, mesmo com todas as dificuldades, as coisas deem certo para os dois.
Um dos momentos mais marcantes é quando Maxie chama Danny ao palco para cantar.
A música é emblemática não apenas pela performance, mas porque soa quase como uma indireta do próprio Danny a Maxie, o que dá à cena um peso maior dentro da narrativa.
O roteiro, em alguns pontos, força situações de forma questionável. Um exemplo claro é quando o pai de Danny leva apenas uma pancada na cabeça, cai, é roubado e fica em estado grave. Foi apenas uma pancada leve, nada que justificasse quase matar um homem, mesmo sendo idoso.
Ficou forçado demais e tirou parte da credibilidade da cena.
Outro detalhe que poderia ter sido melhor trabalhado é a visão do pai em relação ao filho. O roteiro mostra Danny se destacando, ganhando dinheiro e revelando talento real para a música. Nesse ponto, teria sido interessante o pai mudar sua opinião e reconhecer que o filho poderia sim seguir por esse caminho, mas a escolha foi manter o tom trágico e rígido.
Claro que, dentro do contexto da época, ser artista não era visto como uma profissão “de verdade” — muito menos cantar em bares ou se apresentar em casas noturnas. Para um pai tradicional e rígido como o dele, só existiam caminhos considerados respeitáveis, como o estudo formal ou empregos estáveis.
Ainda assim, o filme poderia ter dado uma nuance maior a essa relação, mostrando o pai reconhecendo, ao menos no final, o talento e o esforço do filho.
Outro ponto que merece destaque é Carolyn Jones, que além de muito bela, entrega uma atuação marcante e cheia de presença, roubando atenção sempre que aparece em cena. Vale lembrar que ela viria a se consagrar como a eterna Mortícia na série original de A Família Addams. Já Walter Matthau, embora não esteja em seu melhor momento, ainda assim demonstra competência e é sempre um prazer vê-lo em ação, adicionando peso e autoridade ao filme.
Chegando ao final, o maior vacilo é a morte de Ronnie. Foi puramente escolha do diretor ou roteirista. Foi desnecessário, já que ela merecia um final melhor, e o filme poderia perfeitamente tê-la deixado viva e ao lado de Danny. Do mesmo jeito que o roteiro fez a bala que era para atingir Danny acertar a madeira do deck, poderiam ter dado a Ronnie uma saída digna e esperançosa.
No desfecho, temos Dummy, o “mudinho”, que salva Danny como uma retribuição pela ajuda recebida anteriormente. Essa troca de favores é importante, mas não chega a aliviar a sensação amarga do destino trágico que o roteiro impõe a Ronnie e a relação dela com Danny.
Eu conheci esse filme por acaso, assistindo The Game Plan (2007), com The Rock. O personagem tinha um pôster enorme de King Creole em casa, e isso me deixou curioso. E mesmo eu não sendo fã de musicais — geralmente pulo as músicas — aqui isso não aconteceu. Pelo contrário, as canções de Danny (Elvis) prendem a atenção e realmente acrescentam ao filme.
Curioso também é como parece que não existe polícia nem lei no universo do filme: tudo se resolve entre os próprios personagens, como se o mundo exterior não existisse.
Por fim, é impossível não falar de Elvis como “Rei do Rock”. É inegável seu talento, presença e impacto cultural, mas não dá para ignorar a ironia: o rock era uma música essencialmente negra, criada e moldada por artistas como Chuck Berry, Little Richard, Bo Diddley e Fats Domino. Elvis se tornou o símbolo máximo, em grande parte, por ser branco — algo que lhe abriu portas que eram fechadas aos pioneiros negros. Chuck Berry, para muitos, é o verdadeiro rei do rock. A segregação racial da época ajudou Elvis a ser elevado a esse posto, enquanto prejudicou e apagou do grande público tantos músicos negros que foram fundamentais para o gênero. Isso não diminui Elvis, que foi um dos maiores, mas reforça a contradição histórica de um “rei branco” coroado em cima de uma música negra.
Melhor filme do Elvis, James Dean faria o papel mas acabou falecendo no acidente de carro, e Elvis entrou no lugar, pena que depois desse filme , Elvis só fez filmes B em Hollywood
King Creole (1958), conhecido no Brasil como Balada Sangrenta, não chega a ser uma obra-prima, mas é um verdadeiro clássico cult e, sem dúvidas, um dos melhores filmes de Elvis Presley. Quem é fã de cinema na TV certamente vai se lembrar de suas exibições marcantes nos bons tempos do Corujão e, principalmente, de assisti-lo legendado no tradicional Cine Clube.
Dirigido por Michael Curtiz (o mesmo diretor de Casablanca), o longa se afasta bastante das comédias românticas açucaradas que o Rei do Rock faria mais tarde. Aqui temos um drama policial noir maduro e bem construído, ambientado no submundo musical de Nova Orleans.
A fotografia em preto e branco é belíssima, a trilha sonora traz sucessos eternos e a atuação de Elvis mostra o enorme potencial dramático que ele possuía antes de servir ao exército. Um filme nostálgico, divertido e indispensável para quem quer ver o cantor em uma faceta diferente.
Um dos melhores filmes de Elvis, dirigido pelo ótimo Michael Curtiz.
Raul Seixas, fã declarado de Elvis, tinha este como seu preferido do rei.
O Filme tem linda fotografia P&B, belas canções ("Soul music"), em um Thriller-Romance, inesquecível..Carolyn Jones e Walter Matthau trazem ótimas atuações.
King Creole (1958) é considerado por muitos o melhor filme de Elvis Presley, e confesso que ouvi bastante essa afirmação antes de assistir. E realmente, Elvis está impecável aqui, dando personalidade forte e nuances ao personagem Danny Fisher. O único detalhe é que esse foi o primeiro filme dele que eu assisti, e, se for de fato o melhor, fico com receio de me decepcionar com os próximos, já que inevitavelmente vou ter esse como base de comparação.
O filme começa muito bem, apresentando a história de Danny de forma envolvente e fazendo o público criar empatia por ele. Logo de cara, há uma cena que me incomoda um pouco:
Danny tenta contar ao pai que foi reprovado na escola, mas o velho, todo empolgado, não deixa o filho falar. Esse tipo de recurso me irrita, e aqui é usado justamente para reforçar o abismo entre pai e filho. Apesar de no final o pai já saber de tudo.
A trama inicial tem um tom melancólico. Vemos Danny se envolvendo em coisas erradas quando as oportunidades certas não aparecem, e o pai consegue para ele um emprego, ainda que a contragosto de quem contratava. A partir daí, ficamos torcendo para que, mesmo com todas as dificuldades, as coisas deem certo para os dois.
Um dos momentos mais marcantes é quando Maxie chama Danny ao palco para cantar.
O roteiro, em alguns pontos, força situações de forma questionável. Um exemplo claro é quando o pai de Danny leva apenas uma pancada na cabeça, cai, é roubado e fica em estado grave. Foi apenas uma pancada leve, nada que justificasse quase matar um homem, mesmo sendo idoso.
Outro detalhe que poderia ter sido melhor trabalhado é a visão do pai em relação ao filho. O roteiro mostra Danny se destacando, ganhando dinheiro e revelando talento real para a música. Nesse ponto, teria sido interessante o pai mudar sua opinião e reconhecer que o filho poderia sim seguir por esse caminho, mas a escolha foi manter o tom trágico e rígido.
Ainda assim, o filme poderia ter dado uma nuance maior a essa relação, mostrando o pai reconhecendo, ao menos no final, o talento e o esforço do filho.
Outro ponto que merece destaque é Carolyn Jones, que além de muito bela, entrega uma atuação marcante e cheia de presença, roubando atenção sempre que aparece em cena. Vale lembrar que ela viria a se consagrar como a eterna Mortícia na série original de A Família Addams. Já Walter Matthau, embora não esteja em seu melhor momento, ainda assim demonstra competência e é sempre um prazer vê-lo em ação, adicionando peso e autoridade ao filme.
Chegando ao final, o maior vacilo é a morte de Ronnie. Foi puramente escolha do diretor ou roteirista. Foi desnecessário, já que ela merecia um final melhor, e o filme poderia perfeitamente tê-la deixado viva e ao lado de Danny. Do mesmo jeito que o roteiro fez a bala que era para atingir Danny acertar a madeira do deck, poderiam ter dado a Ronnie uma saída digna e esperançosa.
No desfecho, temos Dummy, o “mudinho”, que salva Danny como uma retribuição pela ajuda recebida anteriormente. Essa troca de favores é importante, mas não chega a aliviar a sensação amarga do destino trágico que o roteiro impõe a Ronnie e a relação dela com Danny.
Eu conheci esse filme por acaso, assistindo The Game Plan (2007), com The Rock. O personagem tinha um pôster enorme de King Creole em casa, e isso me deixou curioso. E mesmo eu não sendo fã de musicais — geralmente pulo as músicas — aqui isso não aconteceu. Pelo contrário, as canções de Danny (Elvis) prendem a atenção e realmente acrescentam ao filme.
Curioso também é como parece que não existe polícia nem lei no universo do filme: tudo se resolve entre os próprios personagens, como se o mundo exterior não existisse.
Por fim, é impossível não falar de Elvis como “Rei do Rock”. É inegável seu talento, presença e impacto cultural, mas não dá para ignorar a ironia: o rock era uma música essencialmente negra, criada e moldada por artistas como Chuck Berry, Little Richard, Bo Diddley e Fats Domino. Elvis se tornou o símbolo máximo, em grande parte, por ser branco — algo que lhe abriu portas que eram fechadas aos pioneiros negros. Chuck Berry, para muitos, é o verdadeiro rei do rock. A segregação racial da época ajudou Elvis a ser elevado a esse posto, enquanto prejudicou e apagou do grande público tantos músicos negros que foram fundamentais para o gênero. Isso não diminui Elvis, que foi um dos maiores, mas reforça a contradição histórica de um “rei branco” coroado em cima de uma música negra.
Assistido em 25/09/2025
Melhor filme do Elvis, James Dean faria o papel mas acabou falecendo no acidente de carro, e Elvis entrou no lugar, pena que depois desse filme , Elvis só fez filmes B em Hollywood
Elvis wannabe James Dean nesse filme, mas eu particularmente gostei bastante. A performance do Elvis convenceu bastante aqui.