Num cineclube, eu e alguns amigos dedicamos várias semanas à (re)descoberta dos clássicos deste "inventor do cinema brasileiro", mas, obviamente, não conseguimos assistir a sequer metade de sua vasta obra. Vendo este filme, depois de deparar-me com a reutilização de algumas imagens no recente (e ótimo) A QUEDA DO CÉU, fiquei chocado ao perceber o quão genial o diretor mineiro conseguia ser em feitura, mas tão problemático em sua adesão ao ideário ufanista da época: heroicizar os bandeirantes rapaces, como ele faz aqui, convertendo-os em responsáveis pela ampliação louvável do território brasileiro, é algo que causa urticárias auriculares e anímicas. Como de praxe, as colaborações artísticas são as melhores possíveis (versos de Olavo Bilac direcionam a narração congratulatória, por exemplo), mas é difícil suportar a celebração reiterativa de assassinos ambiciosos. Entretanto, a reconstituição de época e das situações é tão bem-feita, o média-metragem é tão inventivo em suas crenças históricas (hoje, negadas), que, em âmbito estritamente fílmico, ele nos agrada, além de ser um ótimo demonstrativo de excelência produtiva. Contradições típicas de um país colonizado, como foi o Brasil. Merecedor de debate, e não de apagamento "justiceiro", portanto. (WPC>)
Num cineclube, eu e alguns amigos dedicamos várias semanas à (re)descoberta dos clássicos deste "inventor do cinema brasileiro", mas, obviamente, não conseguimos assistir a sequer metade de sua vasta obra. Vendo este filme, depois de deparar-me com a reutilização de algumas imagens no recente (e ótimo) A QUEDA DO CÉU, fiquei chocado ao perceber o quão genial o diretor mineiro conseguia ser em feitura, mas tão problemático em sua adesão ao ideário ufanista da época: heroicizar os bandeirantes rapaces, como ele faz aqui, convertendo-os em responsáveis pela ampliação louvável do território brasileiro, é algo que causa urticárias auriculares e anímicas. Como de praxe, as colaborações artísticas são as melhores possíveis (versos de Olavo Bilac direcionam a narração congratulatória, por exemplo), mas é difícil suportar a celebração reiterativa de assassinos ambiciosos. Entretanto, a reconstituição de época e das situações é tão bem-feita, o média-metragem é tão inventivo em suas crenças históricas (hoje, negadas), que, em âmbito estritamente fílmico, ele nos agrada, além de ser um ótimo demonstrativo de excelência produtiva. Contradições típicas de um país colonizado, como foi o Brasil. Merecedor de debate, e não de apagamento "justiceiro", portanto. (WPC>)
Bandeirantes não foram heróis, muito menos os jesuítas.
Filme 024/2024
Visto em 28/02/2024
Historicamente riquíssimo ao mesmo passo que é difícil engolir a romantização de trecho da história certamente sanguinolento e brutal.