- o capovila é um diretor muito subestimado do nosso cinema, quase nunca aparece nas listas de grandes diretores, tem relativamente poucos filmes, mas entrega muito em cada um deles - críticas certeiras a sociedade brasileira se utilizando de temas que parecem até banais e que facilmente seriam feitas chanchadas sobre eles - nesse aqui acompanhamos bebel, que quer ser bem sucedida e famosa, tem beleza mas falta talento para ser uma estrela - retrata como ela é usada pelos homens, cheios de promessas, mas so querem uma coisa
É fato que existem inúmeras semelhanças entre Bebel, Garota Propaganda e Darling (1965) de John Schlesinger e principalmente Conheço Bem Essa Moça (1965) de Antonio Pietrangeli, outro filme hábil em narrar o drama da garota bonita mas pouco talentosa. Entretanto ninguém deve pensar que Bebel é um pastiche do zeitgeist internacional dos anos 60; embora, novamente, seja possível sim captar ecos de "Swinging London in São Paulo" traduzidas no figurino de Bebel e na representação de uma indústria cultural fulgurante e marcadamente juvenil (tem várias referências à Jovem Guarda). Apesar de tudo isso o filme é uma obra prima um pouco esquecida do Cinema Novo que retrata como poucos a realidade confusa, difusa e ainda assim excitante de um Brasil urbano que impunha uma modernidade de araque sobre os corpos esmagados pela necropolítica. A história desse filme é também a de como uma mulher pode ser sistematicamente encurralada e forçada a se corromper para obter sucesso no meio artístico. Bebel foi mais uma vítima dos homens e da mídia machista e misógina. Ironicamente, as cenas finais revelam de forma sútil que ela aprendeu muito bem a representar. Rossana Ghessa foi simplesmente perfeita. Bebel permanece.
Mais um bom filme nacional que estava completamente fora do meu radar. A maneira como cheguei até ele foi engraçada: eu estava curtindo a recente descoberta da música Guerra, de De Kalefa e a turma. A mesma banda aparece em Bebel, garota propaganda. Decidi ver o filme primeiramente por causa da banda e acabei sendo surpreendido com um interessante exemplar do cinema nacional.
Quando mais eu vejo os filmes do Capovilla, mais eu me encanto com sua verve crítica: no começo, eu pensava de se tratava de um filme transitivo para a época das pornochanchadas, mas a entrada em cena do complexo e contraditório personagem do Geraldo Del Rey demonstrou imediatamente que se tratava de um grande filme nos estertores do Cinema Novo... As explosivas aparições do Maurício do Valle que o digam! Mas o filme tem mais, muito mais: muitos personagens, muito drama, muita análise quase documental do período, muita genialidade, muita beleza e talento por parte da Rossana Ghessa... Minha mãe adorou a amoralidade do roteiro e eu lerei com urgência o livro em que este filmaço se baseou. Dica: o Karim Aïnouz ama este filme, ama, ama, ama - paradisiacamente! (WPC>)
O mundo da publicidade mostrado como é: um mundo sujo. A publicidade e seus testes de sofá, não é uma obra-prima, porém um filme com mais de 45 anos e atualíssimo!
- o capovila é um diretor muito subestimado do nosso cinema, quase nunca aparece nas listas de grandes diretores, tem relativamente poucos filmes, mas entrega muito em cada um deles
- críticas certeiras a sociedade brasileira se utilizando de temas que parecem até banais e que facilmente seriam feitas chanchadas sobre eles
- nesse aqui acompanhamos bebel, que quer ser bem sucedida e famosa, tem beleza mas falta talento para ser uma estrela
- retrata como ela é usada pelos homens, cheios de promessas, mas so querem uma coisa
É fato que existem inúmeras semelhanças entre Bebel, Garota Propaganda e Darling (1965) de John Schlesinger e principalmente Conheço Bem Essa Moça (1965) de Antonio Pietrangeli, outro filme hábil em narrar o drama da garota bonita mas pouco talentosa. Entretanto ninguém deve pensar que Bebel é um pastiche do zeitgeist internacional dos anos 60; embora, novamente, seja possível sim captar ecos de "Swinging London in São Paulo" traduzidas no figurino de Bebel e na representação de uma indústria cultural fulgurante e marcadamente juvenil (tem várias referências à Jovem Guarda). Apesar de tudo isso o filme é uma obra prima um pouco esquecida do Cinema Novo que retrata como poucos a realidade confusa, difusa e ainda assim excitante de um Brasil urbano que impunha uma modernidade de araque sobre os corpos esmagados pela necropolítica. A história desse filme é também a de como uma mulher pode ser sistematicamente encurralada e forçada a se corromper para obter sucesso no meio artístico. Bebel foi mais uma vítima dos homens e da mídia machista e misógina. Ironicamente, as cenas finais revelam de forma sútil que ela aprendeu muito bem a representar. Rossana Ghessa foi simplesmente perfeita. Bebel permanece.
Mais um bom filme nacional que estava completamente fora do meu radar. A maneira como cheguei até ele foi engraçada: eu estava curtindo a recente descoberta da música Guerra, de De Kalefa e a turma. A mesma banda aparece em Bebel, garota propaganda. Decidi ver o filme primeiramente por causa da banda e acabei sendo surpreendido com um interessante exemplar do cinema nacional.
Quando mais eu vejo os filmes do Capovilla, mais eu me encanto com sua verve crítica: no começo, eu pensava de se tratava de um filme transitivo para a época das pornochanchadas, mas a entrada em cena do complexo e contraditório personagem do Geraldo Del Rey demonstrou imediatamente que se tratava de um grande filme nos estertores do Cinema Novo... As explosivas aparições do Maurício do Valle que o digam! Mas o filme tem mais, muito mais: muitos personagens, muito drama, muita análise quase documental do período, muita genialidade, muita beleza e talento por parte da Rossana Ghessa... Minha mãe adorou a amoralidade do roteiro e eu lerei com urgência o livro em que este filmaço se baseou. Dica: o Karim Aïnouz ama este filme, ama, ama, ama - paradisiacamente! (WPC>)
O mundo da publicidade mostrado como é: um mundo sujo. A publicidade e seus testes de sofá, não é uma obra-prima, porém um filme com mais de 45 anos e atualíssimo!