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Após terminar um relacionamento com um homem casado, Xian Tian decide transferir seu emprego e voltar à sua cidade natal para cuidar do pai, que sofre de Alzheimer. A moça acredita que sua presença possa ser um conforto para os pais nesse momento. O cotidiano da família, porém, é estremecido quando a doença atinge um estágio avançado, ao mesmo tempo em que Xian Tian começa um novo relacionamento amoroso.
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Triste e poético. Isso é o ser humano!
O título Apenas Mortais cai perfeitamente para este filme que explora com realismo (a triste cena do banheiro) as limitações de todos nós no final de nossas jornadas.
É triste, é devastador mas é real e faz nos refletir que ninguém está acima de ninguém. Somos Apenas (meros) Mortais.
O que mais impressiona neste longa de Liu Ze, é o fato deste ser o seu primeiro trabalho e mesmo tendo em mãos um tema tão delicado quanto a doença de Alzheimer, ele não se rende ao maniqueísmo e trata tudo com respeito à doença e, principalmente, aos seus personagens, mostrando como cada um deles são afetados conforme a doença do patriarca vai se agravando.
Liu Ze mostra que o Alzheimer é uma doença que acomete não só o diagnosticado, mas também aqueles que o cercam. Para o pai é desumana e difícil a batalha praticamente perdida para uma doença degenerativa. À esposa, fica a tarefa nada fácil de cuidar do parceiro até seus últimos dias. E às filhas, cada uma ao seu modo, a dedicação ao pai.
Se para uma delas dar dinheiro para ajudar nos cuidados médicos é o suficiente, para Xian Tian sua presença 24 horas por dia é essencial. Com isso, ela sai de um relacionamento com um homem casado e, por acaso, se envolve com um rapaz solteiro que se mostra presente, dedicado e compreensível.
Se não há nada de novo em Apenas Mortais, é justamente na simplicidade com que Liu Ze nos revela o dia a dia daquela família que reside a força do filme e daqueles personagens. Sem julgamentos e sem dramatizações exageradas, a história tem lá seus momentos de Amour, de Michael Haneke, afinal, o Alzheimer não é uma doença das mais agradáveis de lidar.
Acaba que Apenas Mortais é como subir ao ringue para uma luta que sabemos que iremos perder, ainda assim, estar ao lado dos entes queridos faz daqueles momentos não menos dolorosos, mas reveladores de quem está ao nosso lado.
Adentrei a sessão sem muitas expectativas. Nos instantes iniciais, apesar de estar curtindo a trama dramática, estava achando o seu desenvolvimento muito "globofílmico". Até que surge o namorado da protagonista, e sua primeira aparição quebra a perspectiva de acompanhamento familiar de Xian Tian. Comecei a notar que a montagem dava saltos esquisitos no tempo - e, nestas elipses, muito era dito sobre a história política da China, em contraponto com a dramaticidade intensa do roteiro: as cenas em que o pai chora após defecar são muito fortes. Quase chorei junto! Como minha mãe é idosa, imaginei-me na situação daquelas personagens, desesperado com a associação inevitável entre amor e fisiologia: em dado momento da vida, quanto mais amamos alguém, mais precisamos limpar as suas fezes. E, em certo sentido, o filme é sobre isso - e emociona-nos! Porém, há também a apresentação da "educação bancária" em viés socialista, num inesperado 'flashback', há sonhos interrompidos pelas atividades sindicais da era maoísta. Um filme bastante sutil, portanto: o desfecho mágico é doloroso e belíssimo. Uma compensação: apaixonei-me junto pelo namorado da personagem principal. Que homem lindo e terno. Pena que... A vida, né? Quantas rasteiras... (WPC>)