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Pais e filhos se reencontram depois de 13 anos separados. Este é o ponto de partida do filme, que acompanha o processo de reconstrução afetiva da família do diretor Marcos Yoshi, atravessada pelo fluxo de migrações entre o Brasil e o Japão, conhecido como fenômeno dekassegui. A história de uma família de descendentes de japoneses dividida entre a necessidade de garantir o sustento e o desejo de permanecerem juntos.
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Ah....a família....e tudo o que a rodeia.... 15/02/26.
"Laços familiares não são tão fáceis de lidar como aparenta ser; há muitas camadas e complexidades que estão para além do elo e do sangue. Os sentimentos envolvidos são muitos e todos se condensam nessa liquidificação que a vida nos coloca. Então, quando acontece uma ruptura drástica das mais inevitáveis, como recuperar o que foi perdido e remontar o vaso quebrado que, parcialmente intacto, têm seus cacos que não se encaixam e que de tão quebrados, não tem como uni-los?"
Crítica completa: cineset .com. br/critica-bem-vindos-de-novo-marcos-yosh/
"Me acostumei a dizer que tava tudo bem."
Bem-Vindos de Novo (Brasil, 2021)
Direção: Marcos Yoshi
Documentário.
Eu era criança quando frequentava a casa dos vizinhos da minha avó. Eram brasileiros descendentes de japoneses e lembro vagamente das histórias sobre o Japão, onde o pai havia trabalhado.
Tenho também uma tia que foi casada com um descendente de japoneses e foi com ele morar por décadas no país do sol nascente. Dessa tia lembro bem das histórias.
Por esses e outros motivos o longa "Bem-Vindos de Novo" me tocou profundamente.
O diretor Marcos Yoshi conta a história de sua família que também foi trabalhar no Japão. E através da sua história e fala da história de inúmeros brasileiros que largaram suas casas, famílias e amigos para tentar a vida do outro lado do mundo.
Aparentemente o filme se apresenta como um álbum de memórias, mas aos poucos a história dessa família nos envolve de tal forma e tamanha intimidade dos sentimentos que nos vemos dentro daquele universo.
Tocante, sensível e muito reflexivo, o belo filme é também sobre qualquer pessoa que sai de casa em busca de seus sonhos.
Em cartaz nos cinemas!
Aproveito aqui para falar sobre as salas do Centro Cultural São Paulo que sempre tem ótimas opções a preços muito acessíveis. A inteira lá sai por R$4,00. Imperdível!
Rapaz, com todo respeito, mas se o diretor ficasse calado mais um pouquinho, talvez fosse um filme melhor. Isso porque a montagem tem boas sacadas e daria pra fazer algo bem mais curioso e menos travado do que o resultado geral alcançado aqui.
Assistir a filmes como Bem-vindos de Novo auxiliam na compreensão do cinema que dá certo. Apesar de integralmente artesanal, contando com pouquíssimos recursos, Marcos Yoshi usa de seus parentes como objeto de estudo para dissecar questões tocantes a qualquer ser humano. Identificação familiar, imigração e pertencimento cultural estão entre elas. Aqui, observamos um círculo parental de descendência nipônica, mas que poderá ser absorvido por qualquer outro grupo. Pelos olhos atentos do diretor, aprendemos mais sobre nossa existência.
O pilar da trama são seus pais, o patriarca mais ainda. Ambos são dekasseguis, descendentes japoneses que tem a entrada facilitada na terra do sol nascente para atuar na linha de produção de diversas fábricas. Apesar das condições precárias de trabalho e da carga horária excessiva, diversos brasileiros com traços asiáticos embarcam nessa jornada por um salário maior ao que se tem acesso por aqui. Roberto e Yayoko Yoshisaki se distanciaram dos três filhos - Marcos, Nathalie e Cintya - na virada do milênio e permaneceram no Japão até 2013. Nesse meio tempo, juntaram alguns trocados, viram seus corpos envelhecerem de tanto labutarem em precárias circunstâncias e perderam o amadurecimento da prole, que foi designada aos tios e avós. Naturalmente, ao ver seus pais regressarem - quase uma década e meia depois -, o trio não mais os reconhece da mesma forma.
É nessa lacuna de tempo e espaço que o realizadora pergunta diversas vezes em narrações em off: "vale a pena abdicar tanto da família para, em tese, lhe proporcionar uma vida mais confortável?". As respostas são dadas através de imagens. O dinheiro que os pais mandam não é tão abundante como se prometia, mas Roberto não se permite desistir. Ele é uma figura à moda antiga, que se põe em último lugar, somou problemas de saúde ao longo do tempo e diz não saber "nada" sobre seus filhos. O provedor, aqui tão destacado em diversos momentos triviais, não conhece atividades de lazer. Seus assuntos são afazeres e nada mais.
Nesse Yin Yang matrimonial, Yayoko é a outra parte da filosofia. Ela prefere a família, demonstra com mais facilidade seus anseios e é a amansadora do progenitor. É ela que tenta recuperar o afeto entre todos, trocado por um programa entre governos que fez crescer ânsias das crias para com o país das flores de cerejeira. Aliás, nesse vai e vem, na temporada de verão de 2007, o triângulo de herdeiros chegou a cruzar o planeta, visitou rapidamente os pais e foi escalado por Roberto para atuar em esteiras de grandes multinacionais. A justificativa? "Aprender sobre como ganhar e dar valor ao dinheiro". Sim, mais uma vez o capital é quem dita as regras. O estrago foi tanto que as irmãs não mais pretendem pôr os pés na ilha.
Bem-Vindos de Novo é um filme simples e até não muito preocupado com a estética, afinal proliferam enquadramentos trêmulos, cortes bruscos e saltos temporais confusos durante sua narrativa. Entretanto, a busca de Yoshi é mais do que examinar sua situação, e sim quase apelar para estar mais próximo de quem ama. O realizador usa a câmera como um subterfúgio. O pai fica sem graça, não gosta de ser filmado. A mãe se sente bem, crê estar agradando o filho carente. Marcos é mais um de nós. Quando longe de quem honramos, qualquer motivo é aceitável para nos reconectarmos. E nesse caso, aqui, é o cinema.
Fonte: Papo de cinema