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Data de lançamento
11 Out. 2016Duração
Quando estão retonando para sua pequena cidade natal na Califórnia, dois ex-namorados (Mark Duplass e Sarah Paulson) do ensino médio se encontram por um acaso. Os dois lembram do passado que compartilharam e passam a refletir sobre ele, levando em conta suas vidas atuais, que parecem não serem satisfatórias para eles.
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Do começo até a metade eu achei bem sem graça, fiquei com vontade de desistir do filme várias vezes. O protagonista não me convenceu muito, parecia alguém que tava brincando de atuar. A última parte até que foi bem intensa, mas não chegou a salvar o filme na minha humilde opinião.
Um filme delicioso de assistir, graças a inegável química entre os atores protagonistas!!
Preferia que o filme fosse a cores, fiquei as imaginando.
Amei. Daquelas histórias simples, lindas, doloridas e tristes. Histórias que deixam um gosto amargo na boca — e, ainda assim, você não encontra culpados, apenas vítimas.
Lembro de ter dito exatamente isso — sobre culpados e vítimas — ao comentar outro filme de que gostei muito: Blue Valentine – A Love Story (ironicamente rebatizado no Brasil como Namorados para Sempre). Nele, há aquela versão desajeitada de 'You Always Hurt the One You Love', cantada por Ryan Gosling, com o claquezinho fofo da Michelle Williams..."
♫ Você sempre magoa a quem ama,
Aqueles que não devia magoar.
Sempre pega a rosa mais doce
E a esmaga até as pétalas caírem.
Sempre parte o coração mais gentil
Com palavras impensadas que não pode retirar.
Então, se eu parti seu coração ontem à noite,
É porque eu te amo mais que tudo. ♫
Viajei.
Curioso como o título dos dois filmes começa com "Blue"...
Em Blue Jay, o “azul” se liga aos tons de cinza do preto e branco, comumente associados à “poesia da realidade” — aqui, traduzida pela nostalgia melancólica do reencontro entre os personagens, ou ainda pela ausência de cor na vida dele, refletindo liricamente sua estagnação emocional.
Já em Blue Valentine, o azul expressa a desilusão e a deterioração do relacionamento. Faz referência à expressão "Valentine's blue", uma gíria que descreve a tristeza ou melancolia sentida no Dia dos Namorados — apesar da aura romântica que a data costuma ter.
Não deixa de ser curioso como algumas pessoas conseguem ver Blue Jay como um filme “lindo” ou “romântico”. Basta olhar com mais atenção para perceber outra coisa: Jim é um homem que nunca amadureceu, preso a um eterno papel de adolescente mal ensaiado. Suas falas soam deslocadas, como se tivesse parado no tempo, incapaz de acompanhar a vida adulta.
O mais impressionante é que o filme deixa isso explícito, mas ainda assim há quem romantize o reencontro. Não se trata de uma história de amor, mas de um retrato da fragilidade e da paralisia diante da vida.
A prova definitiva vem no diálogo em que eles revelam o passado. Amanda expõe algo gravíssimo, e a resposta dele é: “Eu não sabia como te ajudar.” Sério? Isso não é falta de jeito, é pura mediocridade. Qualquer um com um mínimo de responsabilidade teria tentado, mas Jim preferiu se esconder. Dizer isso depois de adulto, sem ao menos pedir desculpas ajoelhado, beira o grotesco.
E quando eles riem, fantasiados de colegiais, muitos enxergam ternura. Mas o que se vê é patético: Jim só consegue existir no passado. Brinca de adolescente como se fosse a única forma de se sentir vivo, mas o que transparece é o vazio de um homem que nunca cresceu.
Amanda, em contraste, seguiu em frente, construiu algo, encarou a vida real. Jim, não. Ele permanece perdido, usando a lembrança dela como um totem que sustenta a ilusão da vida que não conseguiu ter. Não é amor, nunca foi. É apego desesperado a uma memória que o protege da mediocridade do presente.
No fim, Blue Jay não é sobre reencontros mágicos nem sobre “o amor que resiste ao tempo”. É sobre um homem que envelheceu sem nunca crescer, e sobre como a nostalgia pode ser uma fantasia tão confortável quanto ridícula.