In the Siberian forest, away from any civilization, a feud is opposing two families whose houses are separated by a river. In the middle of the river stands an island where the kids of the two families are meeting on their own.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
A curta duração do filme deixa um anseio por mais, saber o que se resultará dos conflitos que o filme documenta. Os planos iniciais, com a chegada do helicóptero, colocando o registro a partir desse lugar do estrangeiro são fundamentais e trazem uma reflexão tremenda sobre o tema retratado. Nós, estrangeiros, somos colocados dentro da casa e do terreno desta família que vive da subsistência e que nutre grande animosidade pelos vizinhos. Nós, invasores que somos, não temos a certeza até onde as alegações que o patriarca da família faz contra os Kilines são verdadeiras ou geradas por paranoias e rivalidades.
Essa tensão construída entre as famílias tem um primeiro clímax na sequência que retrata crianças brincando na praia. A chegada das crianças da outra família gera uma atmosfera de tensão que os obriga a abandonar o local. Em uma sequência se cria um reflexo do grande quadro que a família vive.
Mas talvez a cena mais importante seja a da chegada do helicóptero que atende - ao que parece - a família estrangeira. Agora, em oposição ao início do filme, estamos sob o ponto de vista dos nativos da região observando o invasor. Assumimos que o olhar até então era do mesmo invasor. Somos confrontados pela realidade de que, sim, está havendo uma relação predatória dos invasores contra a família nativa. E o olhar da lente é censurado por estes invasores que não admitem ser documentados.
Um filme que me fez refletir muito sobre o fazer documental, ainda que realizado com grande beleza e potencial dramático.
De fato, a condução tramática é tão impressionante que esquecemos que trata-se de um documentário, de uma batalha por terra e moradia que está acontecendo exatamente agora, não apenas na Sibéria, mas em inúmeros outros lugares. Por causa do preciosismo rigoroso da direção, pensa-se no filme como um épico neo-tarkovskiano (ou algo assim), numa chave realista mas com uma tendência fortemente metafísica em seu desamparo existencial - vide a beleza dolorosa da iluminação artificial na última seqüência. Interessante enquanto proposta, mas rápido demais, a empatia com a família protagonista não foi devidamente firmada, ainda que suas reivindicações pareçam mais que justas. Merece debate e apreciação estendida, portanto. (WPC>)
tá,
pera aí,
vamos lá.
eu não sei o que escrever sobre isso aqui que acabei de assistir. pela classificação de gêneros cinematográficos, ele seria um documentário. contudo, a primeira vista, 'Braguino' (2017) é tão documentário quanto 'Nanook, o Esquimó' (1922). o que mais me assombra é que, por mais que toda a beleza estética clame por uma encenação e pela repetição de takes, a autenticidade dos "personagens" documentados exige uma naturalidade somente alcançada pela não-ficção. essa é a primeira obra que vejo do Clément Cogitore e, pra mim, parece que o diretor é o filho que o Eduardo Coutinho teria com o Andrei Tarkovski depois de um caso com o Kieślowski.
tô realmente impacto com a forma brilhante com que a tensão é construída pouco a pouco. a crueza dos registros é chocante — acompanhamos um urso ser abatido e metodicamente desmembrado em frente as câmeras. acho que nunca assisti a um registro tão real e único. talvez o que mais se aproxime é 'High School' (1968) do Wiseman e, mesmo assim, ele é registrado em um ambiente "controlado" (e muito do brilho do Wiseman reside na forma com que ele escancara esse controle institucional da escola); coisa que o Cogitore não teve a sua disposição.
a pergunta que fica ao final é:
se nada é controlado,
como pode esse viajingle fazer registros TÃO BONITOS MEU DEUS?