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É um filme que não permite que o espectador sinta o impacto de nada que acontece, né? Eu, que não tinha visto nenhum spoiler (nem sei se seria o termo correto nesse caso), ao menos consegui me "surpreender" com a aparição de alguns personagens (um certo caçador em específico fez eu realmente querer saber detalhes sobre os bastidores). No fim, nada importa. Nem a homenagem a fase cinematográfica da Marvel-Fox durante os créditos.
Acho uma pena, porque o Shawn Levy é um diretor de seriados muitíssimo competente, mas que não tem a mesma sorte em sua carreira cinematográfica mais recente. Todos seus filmes parecem faltar estofo, humanidade - O Projeto Adam (2022) quase conseguiu, mas ainda assim se perde em sua própria bagunça. Contudo, indico demais alguns episódios dirigidos por ele: dois episódios do seriado Sinistro, o Piloto e Sacrifice; a dobradinha The Leader - Partes 1 e 2 de Animorphs; e todos os episódios que ele dirigiu para Stranger Things (sempre os melhores ao meu ver) em especial The Pollywog e Will the Wise, os dois da segunda temporada.
Uma das coisas mais alucinantes que esse filme alcança ocorre na mudança de perspectiva de Casey para JLB. Existe uma vida separada por telas, é verdade. O ano de lançamento (e provável ano de produção) pode nos informar algo sobre isso. Contudo, é na transição do ponto de vista da protagonista para o seu voyeur que até o gênero do filme sofre uma metamorfose: do drama intimista para o horror. Nós nos tornamos companhia do JLB, também como voyeurs, e passamos a acompanhar a Casey pelo olhar do jogo, distanciado. Para uns o final ambíguo pode se tornar confuso por conta disso, mas uma das chaves de análise é que, uma vez com o JLB, acompanhamos o homem até o final. O final da Casey, fora do jogo, pode ser bem mais triste e previsível.
Últimos recados
só filme gringo nesses favoritos
você é uma vergonha
Parabéns pelas notas para all about eve e bacurau
mentira, caguei no pau, vou atualizar sorry to bother you
Este era um dos filmes que mais aguardava para assistir no cinema este ano. Esperei para vê-lo na telona, pois queria ter a melhor experiência possível (mesmo com o arquivo em altíssima qualidade disponível por aí). Considero o conto-base uma das melhores obras contemporâneas de Stephen King, que alcança (pra mim) um casamento magistral entre forma e conteúdo. Ao mesmo tempo, acreditava ser inadaptável para outra mídia, mas depositei minha confiança em Flanagan devido às suas outras adaptações bem-sucedidas de obras consideradas "inadaptáveis": Jogo Perigo (2017) sendo o melhor exemplo.
Meu principal problema com o filme reside no ato final (ou ato 1) e na forma como a narrativa restringe de maneira (quase) pedagógica as múltiplas leituras que a história oferece – quase exigindo que todos os elementos acompanhados no primeiro ato (ou ato 3) tenham (obrigatoriamente) algum lastro na realidade do protagonista. Essa abordagem reduz a ambiguidade que torna o conto tão poderoso pra mim.
Ainda assim, reconheço que Flanagan é um realizador de mão cheia no melodrama e na construção de relações familiares. A maneira como ele incorpora o elemento fantástico (a partir do cômodo trancado) é tão elegante que quase nos faz acreditar que a realidade funciona dessa exata forma. Contudo, os discursos moralizantes colocados na boca do protagonista, especialmente na sequência final, materializam o que mais me incomoda no roteiro. Essa abordagem chega a ser quase o oposto da figura do narrador, que o diretor constrói tão bem, com seu tom mais leve e livre do didatismo otimista. Apesar dessas ressalvas, prefiro mil vezes filmes que fujam do cinismo contemporâneo. Ainda mais quando produzidos por um realizador tão competente quanto Flanagan.