Últimas opiniões enviadas
Gosto de pensar que se o Sam Raimi quisesse, ele já teria feito a limpa no Oscar e outras premiações. Mas ele não tem paciência pra essa chatice e prefere se divertir fazendo filme sobre bode possuído e gente comendo inseto.
E o bom é que a gente se diverte junto. Socorro! traz de volta aquele Sam Raimi que faz aquela mistura perfeita de gore com humor escrachado que mais ninguém consegue fazer igual. Dessa vez, o mestre do terrir volta para satirizar o predatório mundo dos negócio e mostrar como certos predadores não são nada longe de seus habitats.
Quem também parece ter curtido bastante participar da produção são Rachel McAdams e Dylan O'Brien, que entregam atuações deliciosamente exageradas e que acompanham a escalada de loucura do filme. Cada nova cena de um dos dois tentando ferrar com o outro era uma garantia de risada genuína, algo que poucos longas atuais conseguem arrancar de mim.
E por mais que ele tenha uma duração extensa para sua proposta, Socorro! é tão gostoso de assistir que eu não consigo pensar qual cena eu cortaria. Pelo menos para mim, o verdadeiro defeito é que ele não vai tão longe quanto poderia, tanto na questão da violência quanto no desenvolvimento da história. Parece que chega um momento que o diretor decide pisar no freio.
Ainda assim, o novo filme de Sam Raimi é um oásis em uma indústria que esqueceu que filmes podem abordar temas importantes e ainda assim serem divertidos de se ver.
Últimos recados
ô Osmar, abandonaste o Legado ? Que houve lá? Nunca sei se é zuera ou se é sério algumas coisas rs
Contra todas as minhas expectativas, é um filme divertidíssimo. Talvez por não ter visto o original, considerado uma das melhores comédias já feitas, não fiquei tão incomodado quanto outros espectadores. Inclusive, o que me conquistou foi justamente o ponto que desagradou tanta gente: o tom exagerado e absurdo presente em cada cena. Há momentos que me pegaram muito desprevinido, como o pombo fazendo saudação naz... digo, saudação romanda, ou o teste para o papel de Hitler.
Mas é preciso reconhecer que o elenco tem seus altos e baixos. Matthew Broderick tem o carisma e o talento de uma árvore cenográfica. Felizmente, ao lado deles temos Nathan Lane se entregando de corpo e alma ao papel do produtor sedutor de velhinhas. Ele canta, dança, tem ótimas tiradas cômicas e faz uso até de humor físico.
E mesmo gostando, sentia que algo me incomodava e não tardou para eu perceber o que era. Além de ser inspirada no clássico filme de Mel Brooks, essa refilmagem também faz uso dos números musicais elaborados para o musical da Broadway (a diretora inclusive foi responsável por uma das montagens da peça). O problema não são os números musicais em si, apesar de alguns serem bem longos e desnecessários, mas sim que não houve um trabalho de adaptação deles para o cinema. Eles apenas foram gravados da forma como foram pensados para os palcos. Mesmo as atuações, exageradas e bastante expressivas, são típicas do teatro. Os próprios cenários por vezes parecem falsos demais.
Faltou um trabalho de adaptação na hora de transpor essa história de volta para o cinema, com números de dança e cenários pensados para a telona.