Estava bem curioso pra assistir esse documentário, mas só hoje conegui. Gostei, mas confesso que esperava um pouco mais. Talvez por ele ser mais focado no artigo que foi escrito e menos nos atores do Brat Pack, apesar da maioria deles apareceram em depoimentos. Mesmo assim, acredito que vale ser conhecido.
"Brats" é uma viagem nostálgica e sensível que revisita os bastidores do rótulo "Brat Pack", expondo como uma alcunha aparentemente inofensiva marcou profundamente a trajetória de alguns jovens atores dos anos 80. Andrew McCarthy conduz o documentário como uma jornada pessoal de cura, mas por vezes seu foco excessivo em sua própria dor ofusca vozes que lidaram com a fama de forma mais leve ou resiliente. Ainda assim, o filme traz reflexões importantes sobre vulnerabilidade, juventude e a falta de suporte emocional em Hollywood. Para quem cresceu com Clube dos Cinco e St. Elmo's Fire, é impossível não se emocionar, nem que seja só pelo som da trilha sonora ecoando memórias.
‘Brats’ é uma deliciosa homenagem aos filmes adolescentes dos anos 1980!
Dirigido por Andrew McCarthy, documentário 'Brats' visita os membros do 'Brat Pack', grupo de atores e atrizes que viraram sensação durante os anos 1980.
Houve um tempo, durante os anos 1980, em que o cinema começou a produzir loucamente filmes direcionados a adolescentes e jovens adultos. Foi uma verdadeira virada de chave na indústria, que passou a entregar ao público mundial obras que se tornaram pequenos clássicos populares, como Gatinhas e Gatões, O Clube do Cinco e Curtindo a Vida Adoidado (todos de John Hughes), A Garota de Rosa-Shocking, O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas, entre muitos, muitos outros.
Havia elementos em comum entre todos esses filmes, além do nicho. E um dos mais fortes é que ele repetia membros dos seus elencos, lançando atores e atrizes que se tornaram verdadeiras estrelas dessa época. Falamos aqui de gente como a onipresente Molly Ringwald, os rebeldes Judd Nelson e Demi Moore, os galãs Rob Lowe e Andrew McCarthy, os engraçados Anthony Michael Hall, Matthew Broderick e Jon Cryer.
Tudo parecia ótimo, até que o grupo ganhou um “nome” a partir de uma reportagem do jornalista David Blum, que em 10 de junho de 1985 publicou na New York um texto chamado “Hollywood’s Brat Pack”. O termo – um jogo de palavras engraçadinho com o chamado Rat Pack, apelido dado a um grupo de artistas populares entre as décadas de 1950 e 60, incluindo Frank Sinatra – ajudou a sedimentar a fama das jovens estrelas. Mas, por outro lado, grudou-os eternamente a um estereótipo que os impediu a trabalhar em outras coisas.
É esta a história contada em Brats, documentário “terapêutico” dirigido por Andrew McCarthy, um dos principais nomes do grupo. A obra, produzida pela plataforma Hulu, deriva de um livro biográfico de mesmo nome, e se propõe a realizar uma jornada em busca dos membros do “Brat Pack” para tentar entender o que ocorreu com eles e como o apelido os afetou profissionalmente.
De acordo com os envolvidos, terem sido colocados nesta categoria lhes trouxe fama, mas também os prendeu para sempre a um tipo de cinema adolescente que esteve no auge justamente nessa época, impedindo que eles fossem levados a sério para outros papéis (“brat”, aliás, poderia ser traduzido livremente como “pirralho”, “mal-educado” ou algo do tipo). Em certo momento, por exemplo, Emilio Estevez afirma ao diretor não seria possível imaginar um membro do Brat Pack sendo convidado para fazer um filme de Martin Scorsese.
‘Brats’: um passeio ao auge do cinema voltado aos jovens
Independente das consequências geradas pelo termo, o fato é que estes jovens atores e atrizes se consolidaram no imaginário de milhões de pessoas por estarem vinculados a filmes que são adorados até hoje. Ao invés de apresentar apenas uma lamentação, Andrew McCarthy é esperto o suficiente justamente para tirar vantagem desta memória afetiva.
Rob Lowe e Andrew McCarthy, membros do "Brat Pack".
Assim, Brats se apresenta como uma espécie de road movie light em que McCarthy percorre distâncias para conversar com antigos colegas – a maior parte deles, ele não encontra há cerca de trinta anos. Isso quebra, por exemplo, a ideia de muitos fãs de que este seria um grupo coeso de amigos que viveram sempre juntos.
Nesta jornada, ele consegue depoimentos de pessoas como Estevez, Rob Lowe, Ally Sheedy, Timothy Hutton (considerado o primeiro de todos os Brat Packers, por conta do filme Gente como a Gente, que lhe deu um Oscar em 1980) e Demi Moore (provavelmente a que se tornou a celebridade mais bem-sucedida do grupo). São, em boa parte, falas deliciosas que provocam um mergulho em detalhes de bastidores desconhecidos para os fãs. O próprio McCarthy, por exemplo, narra as suas inseguranças durante as filmagens dos longas que estreeou.
Emilio Estevez e Andrew McCarthy se reencontram em ‘Brats’. Imagem: Divulgação. Também se destaca o fato de que o diretor conseguiu entrevistar o próprio David Blum, concretizando uma conversa franca, ainda que amistosa, em que ele reflete sobre como era impossível saber o quanto um trocadilho tomaria tamanha repercussão e atingiria tantas vidas. Há ainda falas de comentaristas culturais de renome, como o escritor Malcolm Gladwell, cuja fama se deu em partes por sua capacidade de enxergar tendências invisíveis no tecido social.
Para os fãs dessas produções (que fique claro: essa audiência vai muito além do público 40+), Brats configura alguns momentos de entretenimento adorável para relembrar o quanto estrelas do cinema podem agregar as memórias positivas de um tempo que já passou – mesmo que esse tempo seja apenas um filme.
Se você tiver a oportunidade de assistir o documentário 'Brats', assista. A visão que temos pelo Brat Pack, pelos "Brat Packs" é ampliada de uma forma incrível.
Se você acompanhou os jovens atores e a onda que eles "surfaram" em Hollywood, esse documentário vai te pegar com o maior apelo nostálgico possível. Mas se você não viveu essa época, se talvez nem tenha visto algum dos filmes em outro momento (o que é difícil), o documentário vai te apresentar o grupo e vai te fazer refletir sobre o impacto que eles foram responsáveis em uma geração, e o impacto que ele sofreram com "apenas" um nome que lhes foi atribuído.
Brats é um doc de entrevistas dirigido por Andrew McCarthy, sobre o grupo de jovens atores que despontaram nas comédias sessão da tarde oitentistas. É meio lavagem de roupa, mas parece que traz uma problematização que só é sentida por McCarthy. Então no final o resultado fica entre o autoindugente e o forçado. Comecei nostálgico, mas terminei com pena do cara, não pela iniciativa em si, e sim pela camisa de fracassado que ele veste.
Estava bem curioso pra assistir esse documentário, mas só hoje conegui. Gostei, mas confesso que esperava um pouco mais. Talvez por ele ser mais focado no artigo que foi escrito e menos nos atores do Brat Pack, apesar da maioria deles apareceram em depoimentos. Mesmo assim, acredito que vale ser conhecido.
"Brats" é uma viagem nostálgica e sensível que revisita os bastidores do rótulo "Brat Pack", expondo como uma alcunha aparentemente inofensiva marcou profundamente a trajetória de alguns jovens atores dos anos 80. Andrew McCarthy conduz o documentário como uma jornada pessoal de cura, mas por vezes seu foco excessivo em sua própria dor ofusca vozes que lidaram com a fama de forma mais leve ou resiliente. Ainda assim, o filme traz reflexões importantes sobre vulnerabilidade, juventude e a falta de suporte emocional em Hollywood. Para quem cresceu com Clube dos Cinco e St. Elmo's Fire, é impossível não se emocionar, nem que seja só pelo som da trilha sonora ecoando memórias.
‘Brats’ é uma deliciosa homenagem aos filmes adolescentes dos anos 1980!
Dirigido por Andrew McCarthy, documentário 'Brats' visita os membros do 'Brat Pack', grupo de atores e atrizes que viraram sensação durante os anos 1980.
Houve um tempo, durante os anos 1980, em que o cinema começou a produzir loucamente filmes direcionados a adolescentes e jovens adultos. Foi uma verdadeira virada de chave na indústria, que passou a entregar ao público mundial obras que se tornaram pequenos clássicos populares, como Gatinhas e Gatões, O Clube do Cinco e Curtindo a Vida Adoidado (todos de John Hughes), A Garota de Rosa-Shocking, O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas, entre muitos, muitos outros.
Havia elementos em comum entre todos esses filmes, além do nicho. E um dos mais fortes é que ele repetia membros dos seus elencos, lançando atores e atrizes que se tornaram verdadeiras estrelas dessa época. Falamos aqui de gente como a onipresente Molly Ringwald, os rebeldes Judd Nelson e Demi Moore, os galãs Rob Lowe e Andrew McCarthy, os engraçados Anthony Michael Hall, Matthew Broderick e Jon Cryer.
Tudo parecia ótimo, até que o grupo ganhou um “nome” a partir de uma reportagem do jornalista David Blum, que em 10 de junho de 1985 publicou na New York um texto chamado “Hollywood’s Brat Pack”. O termo – um jogo de palavras engraçadinho com o chamado Rat Pack, apelido dado a um grupo de artistas populares entre as décadas de 1950 e 60, incluindo Frank Sinatra – ajudou a sedimentar a fama das jovens estrelas. Mas, por outro lado, grudou-os eternamente a um estereótipo que os impediu a trabalhar em outras coisas.
É esta a história contada em Brats, documentário “terapêutico” dirigido por Andrew McCarthy, um dos principais nomes do grupo. A obra, produzida pela plataforma Hulu, deriva de um livro biográfico de mesmo nome, e se propõe a realizar uma jornada em busca dos membros do “Brat Pack” para tentar entender o que ocorreu com eles e como o apelido os afetou profissionalmente.
De acordo com os envolvidos, terem sido colocados nesta categoria lhes trouxe fama, mas também os prendeu para sempre a um tipo de cinema adolescente que esteve no auge justamente nessa época, impedindo que eles fossem levados a sério para outros papéis (“brat”, aliás, poderia ser traduzido livremente como “pirralho”, “mal-educado” ou algo do tipo). Em certo momento, por exemplo, Emilio Estevez afirma ao diretor não seria possível imaginar um membro do Brat Pack sendo convidado para fazer um filme de Martin Scorsese.
‘Brats’: um passeio ao auge do cinema voltado aos jovens
Independente das consequências geradas pelo termo, o fato é que estes jovens atores e atrizes se consolidaram no imaginário de milhões de pessoas por estarem vinculados a filmes que são adorados até hoje. Ao invés de apresentar apenas uma lamentação, Andrew McCarthy é esperto o suficiente justamente para tirar vantagem desta memória afetiva.
Rob Lowe e Andrew McCarthy, membros do "Brat Pack".
Assim, Brats se apresenta como uma espécie de road movie light em que McCarthy percorre distâncias para conversar com antigos colegas – a maior parte deles, ele não encontra há cerca de trinta anos. Isso quebra, por exemplo, a ideia de muitos fãs de que este seria um grupo coeso de amigos que viveram sempre juntos.
Nesta jornada, ele consegue depoimentos de pessoas como Estevez, Rob Lowe, Ally Sheedy, Timothy Hutton (considerado o primeiro de todos os Brat Packers, por conta do filme Gente como a Gente, que lhe deu um Oscar em 1980) e Demi Moore (provavelmente a que se tornou a celebridade mais bem-sucedida do grupo). São, em boa parte, falas deliciosas que provocam um mergulho em detalhes de bastidores desconhecidos para os fãs. O próprio McCarthy, por exemplo, narra as suas inseguranças durante as filmagens dos longas que estreeou.
Emilio Estevez e Andrew McCarthy se reencontram em ‘Brats’. Imagem: Divulgação.
Também se destaca o fato de que o diretor conseguiu entrevistar o próprio David Blum, concretizando uma conversa franca, ainda que amistosa, em que ele reflete sobre como era impossível saber o quanto um trocadilho tomaria tamanha repercussão e atingiria tantas vidas. Há ainda falas de comentaristas culturais de renome, como o escritor Malcolm Gladwell, cuja fama se deu em partes por sua capacidade de enxergar tendências invisíveis no tecido social.
Para os fãs dessas produções (que fique claro: essa audiência vai muito além do público 40+), Brats configura alguns momentos de entretenimento adorável para relembrar o quanto estrelas do cinema podem agregar as memórias positivas de um tempo que já passou – mesmo que esse tempo seja apenas um filme.
Se você tiver a oportunidade de assistir o documentário 'Brats', assista. A visão que temos pelo Brat Pack, pelos "Brat Packs" é ampliada de uma forma incrível.
Se você acompanhou os jovens atores e a onda que eles "surfaram" em Hollywood, esse documentário vai te pegar com o maior apelo nostálgico possível. Mas se você não viveu essa época, se talvez nem tenha visto algum dos filmes em outro momento (o que é difícil), o documentário vai te apresentar o grupo e vai te fazer refletir sobre o impacto que eles foram responsáveis em uma geração, e o impacto que ele sofreram com "apenas" um nome que lhes foi atribuído.
Brats é um doc de entrevistas dirigido por Andrew McCarthy, sobre o grupo de jovens atores que despontaram nas comédias sessão da tarde oitentistas. É meio lavagem de roupa, mas parece que traz uma problematização que só é sentida por McCarthy. Então no final o resultado fica entre o autoindugente e o forçado. Comecei nostálgico, mas terminei com pena do cara, não pela iniciativa em si, e sim pela camisa de fracassado que ele veste.