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O filme conta histórias entrelaçadas de vários personagens; um diretor de cinema e sua musa, um renomado romancista, uma garçonete que quer mudar de emprego, um ator e uma atriz. Suas vidas são frouxamente ligadas por fios quase invisíveis. A narrativa muda de pele várias vezes no decorrer do filme para revelar camada sobre camada das complexidades que compõem nossas vidas.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Ao mostrar várias histórias, mas sem um entrelaçamento explícito entre elas, o roteiro fica confuso. O filme não tem pressa e vários takes são longos e despreocupados, e isso não prejudica em nada.
A questão é saber-se pó e nada. Saber-se tempo. Solidão, labirinto e passagem. Quando afogar-se nas nuvens o que dirá das ondas? Venta sobre a sua vida. Venta sobre a sua vida agora e não depois.
"Queríamos consertar coisas, queríamos democracia."
Quando Escurece #DaoKhanong de #AnochaSuwichakornpong Tailândia/Países Baixos/França/Qatar, 2016.
Eu não conhecia o cinema da diretora tailandesa Anocha Suwichakornpong e confesso que fiquei bastante comovido com esse seu filme de 2016 que representou a Tailândia numa vaga para o Oscar de filme estrangeiro. Não concorreu, mas o filme merece atenção. A princípio é um filme sobre a memória, duas mulheres conversam, uma conta a história da sua juventude como uma estudante que liderou um movimento por democracia na Tailândia dos anos 70, a outra é uma diretora de cinema que quer contar essa história. Metalinguagem e poesia é o que veremos então, o filme vai transitando entre o real e a fantasia de uma forma original e bela. É um cinema a ser descoberto.
#ArakAmornsupasiri #IntiraJaroenpura #VisraVichitVadakan #CinemaTailandes
Em 2010, Apichatpong falou subliminarmente sobre a extinção do cinema em "Uncle Boonmee", onde a natureza era, também, a representação da sétima arte e "a arte da fotografia", como um dos personagens diz em uma cena.
Em 2016, Anocha Suwichakornpong decide estender essa temática de maneira mais experimental e sem nenhum limite. Aqui, política, estética cinematográfica, antropologia e o reflexo sobre o estado atual da arte se embolam, entrelaçam e derretem em algo totalmente irreconhecível.
É um filme onde há varias histórias: uma diretora quer escrever uma cinebiografia sobre uma ativista e ouve de uma empregada que é a ativista que devia escrever o filme (já que a ativista é uma escritora), sobre um músico famoso gravando seu novo clipe, sobre a produção de um filme e um ator do elenco morreu durante sua pós-produção num acidente de carro e, também, sobre uma empregada que apenas quer sair e se divertir na noite pra esquecer da sua rotina diária.
Tudo isso é implementado aleatoriamente, terminando num glitch e num shot estático onde a diretora decide quando e SE o céu se tornará azul. Em "By the Time It Gets Dark" não existe nenhuma linha que demonstra o que é real, ficção, estudo estético de linguagem ou sátira.
"By the Time It Gets Dark" é um filme de ritmo lento em camera lenta enquanto alguém pressiona as teclas do piano na mesma tecla. A cena acaba por ser um filme no filme. A referência direta ao massacre na Universidade de Thammasat está faltando, embora o diretor se refira explicitamente a ele. O trabalho é um sonho esférico profundamente relaxado, mais humor do que história. Por sinal, o distúrbio da imagem no minuto noventa e nove é intencional, e não que ninguém esteja preocupado com o projetor. O título original refere-se a um distrito de Banguecoque simples e tosco.