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Data de lançamento
13 Fev. 1972Duração
Berlim no início da década de 30. O nazismo fazia sua ascensão meteórica, mas a grande maioria das pessoas ainda não tinha noção do terrível poder que aquela força política se transformaria. Sally Bowles (Liza Minnelli), uma jovem americana que canta em um cabaré e sonha em ser tornar uma estrela, se apaixona por Brian Roberts (Michael York), que é bissexual. Ambos se envolvem com Maximillian von Heune (Helmut Griem), um rico e nobre alemão. Quando Sally fica grávida, Brian diz que quer casar e declara não se importar de quem seja o filho. Mas o futuro lhes reserva outro destino.
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Eu vou largar minha casa e vou morar no cabaré
Vem pro cabaré, vem, vem pro cabaré ♫
Excetuando os números musicais, achei mediano. Também gostei do pano de fundo da ascensão do regime de direita da época. Nota 7,0.
Que produção! Bem dirigido, bem feito e com ótimas atuações. Um musical autêntico e com enredo rico. Muito representivo e forte para um filme de 1972, e ainda abordando temas tão progressistas.
F.D.C.P.F.: Sally Bowles, defendida perfeitamente por Liza Minelli, é uma das personagens femininas mais intrigantes de todos os tempos. Ela é uma mulher que, vendo seus sonhos não se realizando, cria suas próprias fantasias. Com liberalidade, é possível traçar até um diagnóstico de depressão. É uma rotina triste que ela vive. Mas também habemus comédia. Os closes na cara da Liza são impagáveis, a vontade que dá é de ficar olhando eternamente para ela. E temos plot twists. Os números musicais são deliciosos; desde que o mundo é mundo, a arte vem para dizer, mostrar, evidenciar e trazer à baila tudo aquilo que o politicamente correto, a polidez e o rabo preso da política não pode dizer. O Emcee é aquilo que todo mundo quer ser e fazer, mas não tem coragem. Foi a primeira vez que eu assisti a um filme em 35mm.
É, Liza, a vida é um Cabaret.
Cabaret (1972) foi algo inesperado. Eu realmente nunca soube os motivos da Liza Minnelli ser tão famosa entre os gays, pensei que fosse só uma atriz bem adorada como Judy Garland, mas na real é porque
ela pega uma gay, tira-o das amarras da sociedade e o deixa ir.
Cabaret
é o único musical queer aplaudido por Hollywood que já assisti. É uma história fascinante com personalidades e atuações bem estrondosas, mas poucos hits. Eu gostei que toda a expressão do filme se encontra no Cabaret, onde há uma sátira de tudo que acontece, revelando que os problemas estão do lado de fora e não no Cabaret, mas todas as músicas do filme serem meio que no mesmo tom (o tom de divertimento do Cabaret) me cansou um pouco. Narrativamente isso é excelente, mas sonoramente deixou a desejar.
O mais surpreendente pra mim é que o roteiro corrobora com o público LGBT e, sim, eu sei que se trata de um filme do anos 70, onde logo mais haveria o Rocky Horror e já havia muitos musicais teatrais (tal como Cabaret) que falavam disto, mas ver algo tão escancaradamente LGBT ser aplaudido por Hollywood é algo que não tinha presenciado ainda. O final de Brian é esperançoso, mas em contrapartida o final de Sally é desesperador, nos contando como ela iria dar fim a própria vida e explicando que não existe isso de lá fora é uma coisa e no Cabaret é outra, a vida toda é um grande Cabaret. Definitivamente uma grande obra
Ps.
O personagem Max, o barão que gosta de se divertir, mas tem muitos posicionamentos nazistas, é o primeiro indício para Sally e Brian de que a vida real não é um elemento separado, como o Cabaret sempre tenta afirmar. O barão adora pegar tanto Sally quanto Brian, mesmo sendo a favor de muitos posicionamentos Nazistas, mas quando o Nazismo aperta de tal maneira, ele percebe que essa dualidade não existe, que não existe só divertimento e vida real, que tudo é vida real. E esse é o primeiro a meter o pé pra Argentina.