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"No Rio de Janeiro, perto do mítico estádio Maracanã, palco da grande final da Copa do Mundo de 2014, encontramos o campo de futebol popular do bairro Sampaio. Lá acontece o futebol como expressão genuína da cultura brasileira. Disputados aos domingos, o campeonato anual de futebol de favelas reúne 14 times. Cada um representa as cores e rituais de sua comunidade. Geração x Juventude disputam a final."
(Sinopse do Festival do Rio)
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Eryk Rocha dá contornos épicos a uma final de campeonato de futebol amador... Trata-se de um torneio entre comunidades... Com torcidas apaixonadas e times com os nervos a flor da pele... O diretor consegue captar toda a paixão e tensão que envolve a partida... Mas mais do que isso: Campo de Jogo é praticamente um ensaio visual sobre as emoções humanas... É interessante se pegar pensando a quantidade de problemas e dificuldades temporariamente esquecidos por cada um ali presente se refestelando com o resultado da partida... Tanta felicidade coletiva me fez pensar que aqueles torcedores introjetavam naquela conquista esportiva o sonho da vitória pessoal contra as agruras do dia a dia...
Campo de jogo o título diz muito do filme. Os enquadramentos, o som e os personagens me impressionaram. Além é claro da música. Eu considero campo de jogo um documentário que dialoga com o espectador como um todo e não somente para quem gosta de futebol. Aliás o futebol é central em nossa sociedade é um esporte de massas. E nesse filme compartilhamos os seus dramas, os seus conflitos, a plásticidade e o amor ao futebol.
Teremos uma exibição hoje a noite no Canal Brasil ás 22hs.
Eryk Rocha mostra uma verdadeira imersão naquele campeonato de futebol de favelas. A câmera participa dentro do jogo, os sons trazem toda a atmosfera efervescente do lugar, alguns personagens conseguem se destacar. Infelizmente o filme não vai além disso. Em alguns momentos percebemos a repetição de padrões em alguns tipos de imagens e sons, como se usados para tapar buracos. Não vemos outras questões sendo mostradas, senão a da sinopse. Fiquei com a sensação que estes 71 minutos, poderiam ter sido facilmente convertidos em 25-30 minutos de filme.
Infelizmente, não vi o filme em sua integralidade, por conta de um problema exibitório vinculado à Mostra desrespeitosa na qual ele foi exibido e sou particularmente desagradado em relação ao estilo presunçoso do Eryk Rocha. Por mais que eu tenha abominado seus filmes anteriores - sobretudo os anti-documentários - aqui a assunção erótica do colonialismo me fisgou, talvez por inversão: é evidente que o diretor animaliza os personagens humanos, mostrando-os como seres que carecem de fundos musicais operísticos para serem "redignificados", mas, seja como for, na parcialidade do meu consumo fílmico, esta obra tão dilacerada em seu próprio projeto- que refuta a inclusão pretendida - funcionou comigo. Digo bem alto: preciso rever este filme o quanto antes, mas, por ora, apreciei muito (e com culpa) o que vi! (WPC>)